PAULA, Antônio Prestes de
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Antônio Prestes de Paula nasceu no ano de 1939.
Sargento da Aeronáutica, liderou na madrugada de 12 de setembro de 1963 em Brasília uma revolta de 650 sargentos, cabos e soldados da Marinha e da Aeronáutica em protesto contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou a inelegibilidade dos sargentos para os órgãos do Poder Legislativo, conforme previa a Constituição de 1946.
Os revoltosos ocuparam o Ministério da Marinha, o Departamento de Telefones, a Base Naval e a Base Aérea, tendo ainda cercado o Batalhão de Guarda da Presidência da República. O protesto durou poucas horas, pois o Exército não aderiu ao movimento, passando a reprimi-lo após o tiroteio que resultou na morte de um fuzileiro naval e de um civil. Além disso, na tentativa de interromper os telefonemas interurbanos, os revoltosos inadvertidamente cortaram também as ligações locais e ficaram sem comunicações. O movimento dos sargentos, através das suas lideranças, apoiava as chamadas reformas de base - agrária, urbana, educacional, constitucional - preconizadas pelo governo João Goulart (1961-1964).
Sem oferecer resistência, Antônio Prestes de Paula foi preso no dia seguinte pela polícia do Exército, ficando detido até a anistia concedida pelo governo João Goulart. Após o movimento político-militar de março de 1964, que depôs o governo Goulart e instaurou um regime de exceção, foi expulso da Aeronáutica e condenado a 20 anos de prisão.
Na penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, seu bom comportamento e os resultados do teste de inteligência a que se submeteu levaram o serviço de psiquiatria da instituição a tomá-lo como ajudante. Posteriormente passou a auxiliar direto do serviço de biopsicologia e, gozando de relativa liberdade no interior do presídio, tornou-se o elemento de ligação entre os internos e o diretor da penitenciária.
Em maio de 1969, ao lado de outros, sete presos políticos e de dois presos comuns, conseguiu fugir da prisão. A maioria dos fugitivos com antecedentes políticos era remanescente das revoltas de militares ocorridas durante o governo de João Goulart e, segundo João Macedo de Araújo Júnior, diretor da penitenciária, andava sempre junto, formando uma célula comunista na prisão que buscava organizar os 60 presos políticos e aliciar presos comuns. Policiais responsáveis pelas investigações afirmaram que, além da comprovada ligação externa com a fuga, suspeitavam dos advogados estagiários que freqüentavam a penitenciária e de três mulheres ligadas aos presos.
Logo em seguida desencadeou-se uma grande batida policial pela cidade do Rio de Janeiro. Além disso, a Auditoria da Marinha autorizou dias depois a transferência de 57 presos políticos para o presídio da ilha Grande, distante do continente e única prisão guardada por policiais fortemente armados.
Prestes de Paula exilou-se do país, regressando de Paris algum tempo depois da decretação da anistia política promovida pelo presidente João Batista Figueiredo em agosto de 1979.
Casado, teve três filhos.
Faleceu em 2004.