PIRES, Washington

Washington Ferreira Pires nasceu em Formiga (MG) no dia 13 de fevereiro de 1892, filho do médico e político José Carlos Ferreira Pires e de Matilde Guilhermina de Faria Pires. Seu pai foi o responsável pela introdução do raio X no Brasil e deputado federal por Minas Gerais de 1891 a 1899. Também seguiu a trajetória política seu irmão Hílton Ferreira Pires, deputado federal constituinte (1933-1935).

Washington Pires formou-se em medicina, em 1915, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Trabalhou como assistente do célebre médico Miguel Couto, prestando serviços durante a campanha de combate à febre amarela. Retornando a seu estado, clinicou em Formiga e, mais tarde, obteve por concurso uma cátedra na faculdade de Medicina de Minas Gerais.

Elegeu-se deputado estadual em 1923, sendo reeleito em 1927 e permanecendo na Câmara estadual mineira até 1930. Em março deste ano, foi eleito deputado federal pela legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Empossado em seguida, exerceu seu mandato até a dissolução da Câmara em virtude da vitória da Revolução de 1930, em outubro. Regressou então a Belo Horizonte, voltando a clinicar e a lecionar na capital mineira. Ao mesmo tempo, ingressou na Faculdade de Direito, vindo a bacharelar-se.

Em 16 de setembro de 1932, indicado pelo presidente de Minas, Olegário Maciel, assumiu o Ministério da Educação e Saúde, em substituição a Francisco Campos, ocupando o cargo até o dia 25 de julho de 1934. Logo após ter assumido a pasta, atuou como intermediário entre Olegário Maciel e Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório, na discussão do problema das punições aos envolvidos na Revolução Constitucionalista de 1932.

No final deste ano, tendo em vista as eleições para a formação da Assembleia Nacional Constituinte, o governo federal resolveu criar em Minas Gerais, como nos demais estados, um partido que representasse os objetivos doutrinários da Revolução de 1930. Desse modo, sob a orientação de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, iniciaram-se as articulações para a fundação do Partido Progressista (PP). Washington Pires participou dos entendimentos, filiando-se ao PP logo após a sua criação.

Em 1933, às vésperas da instalação da Constituinte, concedeu entrevista a um jornal mineiro, afirmando a necessidade de que a presidência da Assembleia fosse pleiteada por Minas Gerais. Com este objetivo, participou de uma série de reuniões em Belo Horizonte e, de fato, o cargo veio a ser ocupado pelo mineiro Antônio Carlos.

Em outubro de 1934, após ter deixado o ministério, elegeu-se deputado federal por seu estado pela legenda do PP, exercendo o mandato de maio de 1935 a 10 de novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suspendeu o funcionamento de todas as câmaras legislativas do país.

Retornou à cena política apenas em janeiro de 1956, quando foi nomeado titular da Secretaria de Saúde e Assistência de Minas Gerais pelo governador José Francisco Bias Fortes (1956-1961). Permaneceu no cargo até o dia 1º de agosto de 1958.

Washington Pires morreu em Belo Horizonte no dia 23 de novembro de 1970.

Era casado com Lindéia Sette Ferreira Pires.

Titular da cadeira nº 86 da Academia Mineira de Medicina, teve publicados os trabalhos: A ansiedade nos irregulares sexuais (1917), Estupro e caracteres físicos da virgindade (1923), Neuro-recidivas (1926), Etiopatologia da neuro-sífilis (1926), A gênese e a psicanálise (1928), Considerações em torno da reeducação dos afásicos (1935), Estudo do líquido cefalorraquiano (1935), Sinais e falsa identidade (1956) e Psicanálise na profilaxia do crime e do delito (1956).