PONTES, Gercino Malagueta de

Gercino Malagueta de Pontes nasceu em Caruaru (PE) no dia 15 de dezembro de 1894, filho de João Guilherme de Pontes e de Amélia Malagueta de Pontes. Seu pai foi destacado líder político em Pernambuco e senador estadual durante a República Velha.

Cursou o primário em sua cidade natal e concluiu o secundário no Ginásio Pernambucano. Em 1912 ingressou na Escola de Engenharia de Recife e, ainda estudante, trabalhou como auxiliar técnico da repartição de obras públicas e saneamento do Estado de Pernambuco. Logo em seguida à sua formatura em abril de 1918, tornou-se diretor da filial da Companhia Construtora em Concreto Armado, em Recife, e aí permaneceu até 1919, quando passou a dirigir a Usina Cucaú, no nordeste pernambucano. Em 1920 foi nomeado diretor da repartição de obras públicas e saneamento, durante o governo de José Bezerra (1919-1922).

Em 1921, após regressar da viagem que realizou à Argentina, Inglaterra, França e Alemanha, reassumiu a direção da usina e, com base em novas técnicas adquiridas no exterior, deu início à implementação de medidas que resultaram na duplicação de sua capacidade de produção açucareira. Em 1932 deixou a direção da usina e assumiu a função de inspetor da Caixa Econômica Federal, tornando-se responsável por toda a região nordestina. Nessa mesma época empenhou-se na criação do Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, cuja primeira presidência veio a exercer.

Foi secretário de Viação e Obras Públicas de Pernambuco durante a interventoria de Agamenon Magalhães (1937-1945), tendo criado em sua gestão o Instituto Tecnológico de Pernambuco, a Caixa de Acidentes e a Cooperativa de Consumo dos Servidores do Estado; além das comissões de estudos das quedas-d’água, da industrialização dos serviços de água e esgoto e das docas e obras do porto de Recife. Adepto do cooperativismo, incentivou a construção de casas, escolas e parques para operários, e também a de estradas de rodagem. Colaborador de diversos órgãos da imprensa pernambucana, idealizou e colocou em circulação o Boletim Técnico da Secretaria de Viação e Obras Públicas de Pernambuco.

Com o fim do Estado Novo, foi eleito deputado constituinte por Pernambuco na legenda do Partido Social Democrático (PSD) em 2 de dezembro de 1945. Participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, iniciados em fevereiro de 1946, como membro da Comissão de Investigação Econômica e Social, tendo apresentado um relatório tratando da questão habitacional no Brasil. Em suas intervenções no plenário, concentrou-se na defesa do aproveitamento hidrelétrico da cachoeira de Paulo Afonso, como meio de viabilizar o desenvolvimento industrial do Nordeste. Entre as emendas que apresentou ao projeto de Constituição, destaca-se a que suprimia a obrigatoriedade do pagamento da contribuição de melhoria para os proprietários que doassem terras para a realização de obras públicas.

Após a promulgação da nova Carta, em 18 de setembro de 1946, passou a exercer o mandato legislativo ordinário, presidindo a Comissão de Viação e Obras Públicas durante o ano de 1947. Em fevereiro de 1948 deixou a Câmara para ocupar mais uma vez o cargo de secretário de Viação e Obras Públicas de Pernambuco, no governo de Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho (1948-1951), exercendo esta função até março de 1949. No mês seguinte reassumiu sua cadeira na Câmara, onde permaneceu até o final da legislatura, em janeiro de 1951.

Foi superintendente da Rede Ferroviária do Nordeste.

Faleceu em 31 de março de 1967.