REGO, Manuel Hipólito do
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Manuel Hipólito do Rego nasceu em São Sebastião (SP) no dia 9 de agosto de 1890, filho de Hipólito Antônio do Rego e de Jacinta Galvão do Rego.
Estudou no Grupo Escolar Henrique Botelho e no Aprendizado Agrícola João Tibiriçá, em sua cidade, na Escola de Comércio José Bonifácio, em Santos (SP), e no Externato Luís Cerqueira Barrete, na capital paulista. Em 1914 ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo. Enquanto acadêmico, dirigiu o jornal Voz Acadêmica e trabalhou na Alfândega de Santos. Permaneceu nessa cidade após formar-se em janeiro de 1919 e aí exerceu a advocacia.
Proprietário agrícola em São Sebastião, onde explorou a fruticultura, ainda em 1919 tornou-se catedrático de direito fiscal na Escola de Comércio José Bonifácio, na qual também lecionou direito comercial. Filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP), em 1929 foi deputado à Assembleia Legislativa de São Paulo e durante seu mandato conseguiu, entre outras medidas, que fosse construído o porto de São Sebastião. Também em 1929 tornou-se presidente da Assistência à Infância, órgão sediado em Santos.
Após a Revolução de Outubro de 1930 dirigiu a Polícia Civil de Santos em 1932. Nesse mesmo ano tornou-se um dos líderes do MMDC, organização paramilitar criada em São Paulo no dia 24 de maio com o propósito de lutar pela autonomia de São Paulo e a reconstitucionalização do país. Funcionando de início como sociedade secreta, a organização foi oficializada pelo governo revolucionário paulista em 9 de julho de 1932, data em que foi deflagrada a Revolução Constitucionalista, derrotada em outubro seguinte.
Em maio de 1933 elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte na legenda da Chapa única por São Paulo Unido, formada por elementos do PRP e do Partido Democrático (PD). Sua candidatura recebeu o apoio do MMDC e da Liga Eleitoral Católica (LEC), associação civil de âmbito nacional criada no ano anterior no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, com o objetivo de mobilizar o eleitorado católico em apoio aos candidatos comprometidos com a doutrina social da Igreja. Empossado em novembro de 1933, participou dos trabalhos constituintes, discutindo particularmente o item “Discriminação das rendas”. Após a promulgação da nova Carta (16/7/1934) e a eleicão do presidente da República no dia seguinte, teve o mandato estendido até maio de 1935. Eleito novamente em outubro de 1934, ainda na legenda do PRP, permaneceu na Câmara até 10 de novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos.
Durante o Estado Novo, exerceu a função de consultor jurídico da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Empregados da Companhia Docas de Santos entre 1937 e 1939. Em seguida passou a trabalhar como oficial do 2º Cartório de Registro de Imóveis de Santos.
Foi também fundador e presidente do Centro dos Amigos de São Sebastião, membro do conselho deliberativo da Santa Casa de Misericórdia e ministro da Venerável Ordem Terceira de São Francisco.
Dedicado ao estudo de história e de folclore, colaborou na fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Exerceu ainda atividades jornalísticas, tendo colaborado em órgãos dos Diários Associados, em A Gazeta e no Diário do Norte, de São Paulo. Com Cásper Líbero e Oscar Moreira, dirigiu A Moeda, periódico dedicado a temas comerciais e econômicos.
Faleceu em Santos no dia 13 de fevereiro de 1950.
Foi casado com Iraídes Lobo Viana do Rego, com quem teve dois filhos.
Além de publicar trabalhos forenses e artigos sobre transportes, teve sua obra A lenda do litoral paulista editada em 1951.