REIS, Luís Leal Neto dos

Luís Leal Neto dos Reis nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 21 de junho de 1896, filho de Antônio Joaquim Neto dos Reis e de Ana Rosa Leal Neto dos Reis. Seu avô Antônio Dias Coelho Neto dos Reis foi o conde de Carapebus.

Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, viajando posteriormente para os Estados Unidos a fim de estudar engenharia no Union College, em Schenectady, no estado de Nova Iorque. Prosseguiu os estudos na Alemanha, mas, com a deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), interrompeu-os e retornou ao Brasil, ingressando em 1914 na Escola Naval do Rio de Janeiro. Já como oficial da Armada, participou da Divisão Naval em Operações de Guerra que o Brasil enviou à África e à Europa em junho de 1918, no final do conflito.

Em 1920 ingressou na Aviação Naval, tornando-se no ano seguinte, no posto de tenente, aviador diplomado com aperfeiçoamento realizado na França. Comandou a Base de Aviação Naval de Porto Alegre de janeiro a agosto de 1933, engajando-se no início de 1935 na campanha pela criação do Ministério da Aeronáutica. Por essa época colaborou na capital gaúcha nos jornais O País, O Povo e O Jornal, escrevendo uma coluna intitulada “Contato” sob o pseudônimo de Piloto. Ainda com relação ao novo ministério a ser criado, publicou na revista Asas, em janeiro de 1936, um artigo intitulado “Ministério da Aeronáutica”, bem como um estudo no Boletim do Clube Naval.

De 1939 a 1941 voltou a comandar a Base de Aviação Naval de Porto Alegre, sendo transferido neste último ano para a Força Aérea Brasileira (FAB), então criada juntamente com o Ministério da Aeronáutica. Promovido a tenente-coronel-aviador ainda em 1941, integrou o gabinete técnico do ministro Joaquim Pedro Salgado Filho (1941-1945), que organizou o novo ministério e suas diretorias, realizando ainda estudos sobre a fusão da Aeronáutica com a Aviação Militar e a Aviação Naval.

Comandante da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, de janeiro de 1942 a agosto do ano seguinte, foi adido aeronáutico às embaixadas brasileiras no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, no período de agosto de 1943 a novembro de 1945. Em 1946 foi encarregado de organizar a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar) e, de janeiro a dezembro do ano seguinte, dirigiu o curso de estado-maior da Aeronáutica na Praia Vermelha, no Rio. Ainda nesse ano tornou-se o primeiro comandante da Ecemar, criada em dezembro, sendo promovido a brigadeiro em 1948.

Em junho do ano seguinte deixou o comando da Ecemar para tornar-se comandante da III Zona Aérea (III ZA), no Rio de Janeiro, em substituição ao brigadeiro-do-ar Armando Araribóia. Aí permaneceu até outubro de 1950, quando foi substituído pelo brigadeiro João Correia Dias da Costa. Tornou-se, em seguida, adido aeronáutico às embaixadas do Brasil nos Estados Unidos e no Canadá, exercendo essa função até outubro de 1952. No ano seguinte ocupou o cargo de subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas, nele permanecendo até outubro de 1954, quando assumiu o comando da II ZA, com sede em Recife. Promovido a major-brigadeiro em 1955, deixou o comando da II ZA em julho desse ano.

Durante a crise político-militar gerada pela contestação dos resultados do pleito presidencial de outubro de 1955, vencido por Juscelino Kubitschek, manifestou-se publicamente, em 5 de novembro desse ano, em favor do alheamento dos militares do episódio e da posse do candidato eleito. No dia seguinte, os jornais noticiaram sua prisão por dez dias, determinada pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes. Em 1957 solicitou sua transferência para a reserva, sendo pouco depois promovido a marechal-do-ar.

Assumiu em seguida a direção de várias empresas em São Paulo. No pleito de outubro de 1962 candidatou-se a deputado estadual em São Paulo na legenda da Aliança Partidária, constituída pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Social Progressista (PSP). Recebeu também o apoio da Aliança Eleitoral pela Família (Alef), associação civil de âmbito nacional criada em 1962 em substituição à Liga Eleitoral Católica (LEC) com o objetivo de mobilizar o eleitorado católico para apoiar os candidatos comprometidos com os princípios sociais da Igreja, como a defesa da propriedade privada e da família, o combate ao divórcio, a crítica aos extremismos de esquerda e de direita, além de várias sugestões relativas à política econômica, social e cultural do país. Todavia, não conseguiu se eleger, não mais voltando a disputar cargos eletivos.

Foi ainda comandante da IV ZA, sediada em São Paulo, e, por sua iniciativa, foram criadas a Semana da Asa, a Ordem do Mérito Aeronáutico, o Dia do Aviador e o Clube de Aeronáutica. Criou também a Federação dos Aeroclubes do Estado de São Paulo e a Fundação Santos Dumont.

Colaborou como jornalista em vários órgãos da imprensa brasileira, defendendo como conferencista e historiador a primazia dos brasileiros no desenvolvimento da Aeronáutica, a expansão da aviação comercial e civil e, por último, a criação do Ministério da Defesa Nacional.

Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas e conselheiro da Fundação Santos Dumont.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 12 de julho de 1981.

Com duas filhas do primeiro matrimônio, casou-se pela segunda vez com Marguerite Kazauris dos Reis.