BAHIA, Luís Alberto
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Luís Alberto Ferreira Bahia nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de fevereiro de 1923, filho de Henrique Alberto de Figueiredo Bahia e de Laura Ferreira Bahia. Pelo lado paterno descendia de Manuel Lopes Ferreira Bahia, visconde de Meriti, importante banqueiro do Segundo Reinado.
Realizou os primeiros estudos no Colégio Militar do Rio de Janeiro, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal.
De 1941 a 1945 foi arquivista do Ministério das Relações Exteriores e nesse último ano iniciou sua carreira jornalística como repórter político do Correio da Manhã, a convite de seu proprietário, Paulo Bittencourt. De 1950 a 1953 foi diretor no Brasil da British News Service, agência oficial de notícias britânicas. Passou então a editor internacional do Correio da Manhã, do qual veio a ser secretário de redação em 1957, redator-chefe em 1959, e diretor em 1960. Em 1962 foi afastado da direção do jornal por determinação de Paulo Bittencourt, que não aprovou a violenta campanha movida contra o então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1960-1965).
Ainda em 1962, tornou-se assessor político de Francisco Clementino de San Tiago Dantas, ministro da Fazenda do governo João Goulart (1961-1964), e nessa qualidade participou de negociações internacionais. Passou também a integrar o conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), onde permaneceria até 1967. Depois de ser editor político da revista Visão em 1962, foi editorialista do Jornal do Brasil, de 1963 a 1965. Nesse último ano participou dos primeiros “Encontros do Século XX”, realizados em Guernavaca, México, e de um programa de análise de política nacional e internacional na TV Continental, no Rio de Janeiro.
Em 1966 foi nomeado chefe do Gabinete Civil do governador da Guanabara, Francisco Negrão de Lima (1965-1971). Por essa mesma época integrou o conselho de desenvolvimento da Companhia Progresso do Estado da Guanabara (Copeg). Em dezembro de 1968 , logo após a decretação do Ato Institucional nº 5 (13 de dezembro), deixou a chefia do Gabinete Civil de Negrão de Lima e abandonou a vida pública.
Em 1969 tornou-se editorialista do jornal O Globo e passou a integrar o conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em setembro do ano seguinte, convidado pelo Center of International Affairs, da Universidade de Harvard, transferiu-se para os Estados Unidos, onde fez estudos e pesquisas no programa “Fellow” daquela universidade. Durante o curso procurou discutir o conceito de soberania como forma de propriedade e a natureza dos regimes políticos em relação à escassez econômica e tentou elaborar um modelo político de reconciliação democrática, terminando por defender a tese Sovereignty: the property or properties em 1971. De regresso ao Brasil nesse mesmo ano, voltou a ser editorialista de O Globo, onde permaneceu até 1972. Voltou então ao Jornal do Brasil, também como editorialista, e em dezembro de 1973 tornou-se editor de opinião do jornal, onde assinava a coluna “Um observador político”. Por essa ocasião foi admitido como membro do conselho de curadores do Conjunto Universitário Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Em dezembro de 1975 deixou o Jornal do Brasil para fazer uma viagem ao exterior. Ao voltar, passou a colaborar na Folha de São Paulo.
De 1976 a 1977, foi membro associado do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Retornando ao país nesse último ano, assinou uma coluna diária na Folha de São Paulo até 1980, quando passou a integrar o conselho editorial do jornal. Ainda em 1980, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro. No período de 1981 a 1984, foi diretor do Fórum San Tiago Dantas, no Instituto de Estudos Políticos e Sociais do Rio de Janeiro.
De junho a agosto de 1992 publicou na Folha de São Paulo uma série de 11 artigos em que criticou duramente os rumos daquilo que, a seu ver, se configurou como um julgamento não isento e eminentemente político do presidente Fernando Collor de Melo, por ocasião dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) instaurada no Congresso para investigar denúncias de corrupção contra Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha do presidente. Embora declarasse ter sido eleitor de Luís Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) derrotado no pleito de 1989, defendia o pleno direito de defesa de Collor de Melo e considerava defeituoso o processo de formação de provas contra ele. Um desses artigos, intitulado “Linchamento ou julgamento”, chegou a ser lido como reforço para os argumentos da defesa do presidente numa das sessões da CPI.
Em 1993, Bahia aposentou-se do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro e desde então passou a trabalhar na confecção de um livro de meditações sobre temas variados que marcaram sua trajetória como jornalista e analista político.
Ao longo de sua carreira fez várias conferências no exterior, tendo participado da mesa-redonda de diretores e editores de jornais e revistas realizada em Genebra, na Suíça, sob o patrocínio da Organização das Nações Unidas (ONU), e de seminários em universidades norte-americanas sobre o tema “Dilemas políticos brasileiros”.
Casou-se com Maria de Jesus Nunes Bahia, com quem teve dois filhos.
Publicou A dimensão injusta (1978) e Soberania, guerra e paz (1978).