REQUIÃO, Altamirando
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Altamirando Alves da Silva Requião nasceu em Salvador no dia 27 de agosto de 1893, filho de Euclides Alves Requião e de Ana Rosa da Silva Requião.
Após realizar os estudos primários, fez o curso de professor na Escola Normal de Salvador de 1906 a 1910. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ingressou na Faculdade Livre de Direito dessa cidade, pela qual se bacharelou em 1917.
Especializado em sociologia, pedagogia e história, tornou-se professor catedrático de história geral do Colégio Estadual da Bahia, professor da Faculdade de Filosofia da Bahia, catedrático de português do Ginásio Baiano de Ensino e de história do Ginásio Guanabara no Rio de Janeiro.
Em outubro de 1934 elegeu-se deputado federal pela Bahia na legenda do Partido Social Democrático (PSD), assumindo sua cadeira em maio de 1935. Permaneceu na Câmara até o dia 10 de novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos. De 1942 a 1945, na gestão do interventor federal Renato Pinto Aleixo, foi secretário do Gabinete Civil da Bahia. Ainda em dezembro de 1945, com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte, na legenda do novo PSD. Assumindo sua cadeira em fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Carta (18/09/1946), passou a exercer o mandato ordinário. Em 1947 foi vice-presidente da Câmara dos Deputados e tornou-se líder do Partido Social Trabalhista (PST), criado nesse mesmo ano, para o qual se transferira. Nessa legislatura integrou ainda as comissões de Constituição e Justiça, de Legislação Social e a de Segurança Nacional da Câmara dos Deputados.
No pleito de outubro de 1950 obteve a primeira suplência de deputado federal pela Bahia na legenda da Coligação Baiana, formada pelo PST, o PSD e o Partido de Representação Popular (PRP). Deixou a Câmara em janeiro de 1951, mas voltou a exercer o mandato de setembro desse ano a março de 1952 e novamente a partir de julho de 1953, quando tornou a assumir a liderança do PST. Em outubro de 1954 foi mais uma vez candidato a deputado federal pela Bahia, agora na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), alcançando a terceira suplência. Deixou a Câmara em novembro desse ano, retornando ao exercício do mandato de maio a setembro de 1955.
Afastado da vida política, em março de 1956 foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do estado da Bahia, tornando-se vice-presidente desse órgão de 1959 a 1961. Nesse mesmo ano, voltou a lecionar história geral no Colégio Estadual da Bahia, em Salvador. Exerceu esta atividade até 1963, ano em que se aposentou. A partir de então, passou a dedicar-se às letras, dando prosseguimento à série de ficção histórica que ele intitulou Crônicas do século XVII.
Foi também membro da Associação Comercial da Bahia, sócio honorário da Sociedade Baiana de Agricultura e sócio efetivo dos institutos Histórico e Geográfico da Bahia e de Sergipe. Jornalista, poeta e teatrólogo, foi incorporador e diretor-presidente do Diário de Notícias, em Salvador, sócio benemérito e presidente da Associação de Imprensa da Bahia, membro do Sindicato dos Jornalistas da Bahia, do Instituto da Língua Brasileira e da Academia de Letras da Bahia.
Faleceu em Salvador no dia 22 de outubro de 1989.
Foi casado com Maria de Lurdes Melo e Silva Requião, com quem teve três filhos. Viúvo desde 1984, casou-se novamente com Marinalva Requião.
Publicou O herói (teatro, 1917), Luz (poesia, 1918), Réplica ao sr. João Ribeiro (1922), Consciência e liberdade (1922), Brutos e titãs (romance, 1923), Os rosais do meu amor (1925), Visões fidalgas e plebéias (novelas, 1928), Meditações e confidências (1930), A glória do Infante (1960), As mulheres e o amor na vida de Júlio César (1960), O baluarte (romance, 1976), D. Marcos (1976), O bravo capitão (1979), O grande fracasso (1984), A queda do gênio (teatro), A vitória do gênio (teatro), Epístolas ao sr. Vital, Crônicas do século XVII, Meditações e conferências, Razões glotológicas e fonéticas da língua portuguesa, Preconceito e razão e O navegador.
A respeito de Altamirando Requião foi publicado em 1993 o livro Atravessando um século: a vida de Altamirando Requião, de autoria de Cláudio Veiga.