RIBEIRO, Carlos Alberto Cabral
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Alan Carneiro, Luís Otávio de Sousa |
Carlos Alberto Ribeiro Cabral nasceu em Fortaleza no dia 14 de setembro de 1915, filho de Alexandre de Sousa Ribeiro e de Maria Costa Cabral Ribeiro.
Cursou o Colégio Militar do Ceará e, transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, sentou praça na Escola Militar do Realengo em abril de 1932, de onde saiu aspirante-a-oficial da arma de infantaria em dezembro de 1934. Foi promovido a segundo-tenente, em setembro do ano seguinte; a primeiro-tenente, em maio de 1937; e a capitão, em outubro de 1942. Em julho de 1947, concluiu o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) do Exército, sendo designado, em dezembro seguinte, para freqüentar o curso regular básico, da Infantry School, do Exército dos Estados Unidos.
Regressando ao Brasil em julho de 1948, obteve a patente de major em junho de 1951 e, em outubro do ano seguinte, concluiu o curso da Escola do Estado-Maior do Exército (EME). Promovido a tenente-coronel em março de 1955 e a coronel em agosto de 1961, no ano seguinte foi designado chefe do grupo de estudos sobre a Amazônia. Também em 1962, fez o estágio de Guerra Revolucionária e Anticomunista.
Encontrava-se no comando do 4º Regimento de Infantaria, em Osasco (SP), quando da eclosão do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). De acordo com alguns analistas, sua atuação no episódio foi de fundamental importância para o equilíbrio das forças militares em São Paulo. Segundo estas interpretações, fora o decisivo apoio da unidade de Osasco que teria levado o general Amauri Kruel, comandante do II Exército, a assumir a direção do levante no estado. Além disso, segundo Hélio Silva, teria sido montado um dispositivo no quartel-general do II Exército para entregar o comando da unidade a Ribeiro, caso Kruel resolvesse não aderir ao movimento. Na madrugada do dia 2 de abril, o 4º Regimento de Infantaria, juntamente com outras unidades, deslocou-se para Curitiba, a fim de reforçar a 5ª Região Militar na repressão à tentativa de resistência comandada pelo general legalista Ladário Teles, recém-empossado no comando do III Exército no Rio Grande do Sul. Ao chegar Ribeiro à capital paranaense, no entanto, a resistência já havia sido debelada e o comando do III Exército entregue ao general Mário Poppe de Figueiredo.
Em junho de 1964, Ribeiro foi nomeado adido do Exército junto à embaixada do Brasil na Argentina. Depois de retornar ao país, foi diretor de Patrimônio do Exército brasileiro. Atingiu o generalato em março de 1967 e, como general-de-brigada, comandou a 2ª Brigada de Infantaria, em Niterói (RJ), foi chefe do Estado-Maior do I Exército, no Rio de Janeiro, e comandante da 1ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Petrópolis (RJ).
Promovido a general-de-divisão em novembro de 1972, neste posto comandou a Infantaria Divisionária da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro, e a 7ª Divisão de Exército, em Recife, tendo exercido ainda as funções de subchefe e de vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME), em Brasília. Atingindo o último posto da carreira, o de general-de-exército, em novembro de 1976, assumiu em dezembro a chefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército, substituindo o general Fernando Belfort Bethlem. Permaneceu à frente do órgão até outubro do ano seguinte, sendo sucedido pelo general Aírton Tourinho, após ter sido nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM), na vaga do general Siseno Sarmento, cargo que assumiu ainda em outubro.
Logo após ser empossado, manifestou apoio ao ministro do Exército, general Sílvio Frota, seu amigo pessoal, que acabara de ser exonerado pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979), em resposta ao lançamento de sua candidatura à presidência e às críticas que vinha fazendo ao governo. Na ocasião, Castro Ribeiro foi o único general de quatro estrelas a comparecer ao Quartel-General do Exército, onde Frota, apoiado pela chamada “linha dura” do regime, tentava articular alguma reação a Geisel.
Em outubro de 1978, durante uma sessão especial no STM, contestou discurso do ministro Rodrigo Otávio em favor de uma anistia ampla e pelo fim do regime de exceção. No ano seguinte, contra a candidatura liberal de Rodrigo Otávio à presidência do órgão, manifestou apoio ao nome do ministro Reinaldo Melo de Almeida, afinal eleito.
Ainda nos anos 1970, fez o curso da Escola Superior de Guerra (ESG). Em meados de 1981, defendeu, no STM, o arquivamento do inquérito sobre a explosão de duas bombas no Centro de Convenções Riocentro, no Rio de Janeiro, durante as comemorações do Dia do Trabalhador, em 1º de maio daquele ano. Na ocasião, Castro Ribeiro tomou a defesa do Exército contra o almirante Júlio de Sá Bierrenbach, principal defensor do aprofundamento das investigações. Arquivado por determinação do STM em outubro de 1981, o caso seria reaberto quase 20 anos depois, com o surgimento de novas denúncias publicadas pelo jornal O Globo.
Castro Ribeiro permaneceu no STM até novembro de 1984, quando veio a falecer no Rio de Janeiro.
Era casado com Ilka de Figueiredo Cabral Ribeiro, com teve uma filha.