RIBEIRO, Heli

Heli Ribeiro Gomes nasceu em Campos (RJ) no dia 22 de agosto de 1925, filho do médico Hélio de Sousa Gomes e de Sadi Ribeiro Gomes.

Fez o curso secundário no Colégio Bittencourt e formou-se contador pelo Colégio Batista, em sua cidade natal.

Passou a dedicar-se à lavoura, à pecuária e à indústria canavieira. Com o falecimento de seu sogro, o deputado federal Bartolomeu Lisandro de Albernaz (1953-1955), da União Democrática Nacional (UDN), tornou-se seu herdeiro político, optando, contudo, pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Em outubro de 1958 elegeu-se deputado federal pelo antigo estado do Rio de Janeiro com o apoio da Aliança Popular Nacionalista, integrada pelos partidos Socialista Brasileiro (PSB), Democrata Cristão (PDC) e Republicano (PR) além do PTB. Assumiu o mandato em fevereiro de 1959. Em setembro de 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros (25 de agosto), apoiou a edição, pelo Congresso, da Emenda Constitucional nº 4, que implantou no país o sistema parlamentarista de governo como forma de viabilizar a posse do vice-presidente João Goulart no cargo deixado vago por Jânio, o que não era do agrado dos ministros militares. Participou, em seguida, já no governo Goulart (1961-1964), da campanha pela antecipação do plebiscito sobre o novo sistema, inicialmente previsto para o início de 1965 mas que acabaria por realizar-se em janeiro de 1963, determinando o retorno do presidencialismo.

Apoiou a Emenda Constitucional nº 5, de novembro de 1961, que ampliou a participação dos municípios na renda tributária nacional. Foi um dos poucos trabalhistas filiados à Ação Democrática Parlamentar (ADP), bloco interpartidário, majoritariamente udenista, surgido no primeiro semestre de 1961 com o objetivo de combater a penetração comunista na sociedade brasileira e que fez oposição ao governo de Goulart até a sua queda em 31 de março de 1964. Considerou inoportuno, segundo o Correio Brasiliense (dezembro de 1962), o reatamento de relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas desde 1947 e restabelecidas em novembro de 1961.

Durante a legislatura, Heli Ribeiro integrou as comissões de Transportes e do vale do São Francisco. Ainda segundo o Correio Brasiliense, era partidário de uma reforma agrária cooperativista caso o Estado assumisse a assistência creditícia, técnica, educacional e sanitária aos lavradores, garantindo preços mínimos, a ensilagem e o transporte da produção. Para isso, aceitava a desapropriação dos latifúndios improdutivos mediante prévia indenização em dinheiro. Partidário do intervencionismo estatal na economia como corretivo e supletivo da iniciativa privada, apoiou o monopólio do Estado sobre o petróleo, os minérios atômicos, a eletricidade e as telecomunicações.

Favorável à reforma administrativa descentralizadora, com a criação dos ministérios do Planejamento Nacional e dos Transportes e Comunicações, apoiava também as reformas bancárias e tributária, a criação do Banco Central emissor, a nacionalização dos depósitos bancários e a adoção de medidas de combate à sonegação tributária. Advogava a adoção da cédula única em todos os pleitos e a instituição dos distritos eleitorais, mas era contrário ao direito de voto e à elegibilidade dos analfabetos.

Em outubro de 1962 reelegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro, na legenda do PTB. Com a extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a consequente implantação do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido governista. Em janeiro de 1967 concluiu o mandato, não retornando à Câmara.

Em 1968 tornou-se vice-governador biônico do antigo estado do Rio de Janeiro, na gestão de Jeremias Fontes (1967-1971) e presidente da seção estadual da Arena. Afastando-se do governo estadual, concorreu em 1970 ao Senado, porém sem conseguir eleger-se. Em 1972 disputou a prefeitura de Campos, sendo derrotado pelo candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), José Carlos Vieira Barbosa. Após as derrotas eleitorais que sofreu não mais candidatou-se a qualquer cargo eletivo, dedicando-se apenas à direção da Companhia Usina Cambaíba.

Faleceu em 4 de março de 1992.

Era casado com Leda Lisandro de Albernaz Gomes, com quem teve seis filhos.