ROCHA, Geraldo
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Antônio Geraldo Rocha Filho nasceu em Barra (BA) no dia 14 de julho de 1881, filho de Antônio Geraldo Rocha e de Custódia Mariani. Seu primo, Francisco Rocha, foi deputado federal pela Bahia de 1921 a 1930 e de 1935 a 1937, além de constituinte em 1934. Seu sobrinho, Antônio Balbino de Carvalho Filho, foi deputado federal pela Bahia (1951- 1953 e 1954-1955), ministro da Educação (1953-1954), governador da Bahia (1955-1959), consultor-geral da República (1961-1962), ministro da Indústria e Comércio (1963) e senador pela Bahia (1963-1971).
Formou-se em engenharia e trabalhou na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia. Durante viagem à Europa, estabeleceu contatos com diversas empresas, cujos interesses passou a representar no Brasil.
Em 1925 tornou-se diretor-proprietário do jornal carioca A Noite, tendo sido o responsável pela construção de um grande prédio para abrigar a sede do periódico. Apoiou, à frente do jornal, a candidatura de Júlio Prestes à presidência da República, afinal vitoriosa no pleito de março de 1930. Em 1931, após a Revolução de 1930, que impediu a posse de Júlio Prestes e conduziu Getúlio Vargas à chefia da nação, foi destituído das representações inglesas que administrava e obrigado a hipotecar parte de seu patrimônio para fazer face aos compromissos assumidos.
Em 1932 foi solidário ao ex-presidente Artur Bernardes, apoiando a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo em julho e derrotada em outubro daquele ano.
Fundou a empresa A Sertaneja, na região do vale do rio São Francisco, e, com base em sua experiência como empresário agroindustrial, publicou obra considerada elemento decisivo para a posterior fundação da Superintendência do Vale do São Francisco (Suvale) pelo presidente Humberto Castelo Branco em fevereiro de 1967.
Durante o Estado Novo (1937-1945), com base na influência que exercia junto a Getúlio Vargas, indicou Landulfo Alves para a interventoria no estado da Bahia em 1938. Suas relações com o novo interventor sofreram porém acelerada deterioração a partir das reivindicações que apresentou: ocupar com elementos do seu grupo político a Secretaria da Fazenda, a Prefeitura de Salvador, a Secretaria do Interior, o comando da Polícia Militar e a procuradoria do estado.
Durante o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), foi acusado de ter sido por longo tempo agente no Brasil do ditador argentino Juan Domingo Perón. Supõe-se que Geraldo Rocha tenha sido a pessoa indiretamente acusada pelo jornalista Carlos Lacerda em março de 1954, na Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro, de ter ido à Argentina em nome de Vargas para comunicar a Perón que o presidente brasileiro não poderia avançar numa aliança com aquele país em vista da delicada situação política interna.
Fundou ainda os jornais A Nota e O Mundo.
Faleceu em 19 de junho de 1959.
Foi casado com Jeanne Rocha.
Publicou Fim de uma civilização - comentário sobre a atualidade econômica (1935), Uma execução (1935) e O rio São Francisco, fator precípuo da existência do Brasil (1940).
O arquivo de Geraldo Rocha encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.