ROURE, Agenor de

Agenor Lafayette de Roure nasceu em Nova Friburgo (RJ) no dia 28 de fevereiro de 1870, filho de Ernesto de Roure, fazendeiro, e de Angelina de Roure, ambos suíços.

Concluídos os preparatórios, foi para o Rio de Janeiro, onde se formou em odontologia. Não chegou, porém, a exercer a profissão: dedicou-se ao jornalismo, no qual se iniciou com pouco mais de 20 anos, como revisor do Jornal do Brasil, tornando-se depois redator e secretário desse periódico.

Foi redator da Gazeta de Notícias de 1892 a 1893, ano em que foi nomeado redator de debates do Senado Federal. Transferido para a Câmara dos Deputados em 1894, ali galgou todos os postos, até chegar a oficial de ata, secretário do presidente e chefe da secretaria. Ainda em 1894, secretariou A Notícia. Foi cronista parlamentar de O País em 1895 e, a partir de 1898, exerceu o cargo de redator-secretário da Tribuna, onde permaneceu durante quatro anos. Em 1904, começou a trabalhar no Jornal do Comércio como redator parlamentar, cargo que exerceu até 1919.

Em 1917, tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), do qual viria a ser, mais tarde (1924), sócio honorário.

Em agosto de 1919, por indicação de Tobias Monteiro, foi convidado para secretário da Presidência da República por Epitácio Pessoa. Na ocasião, exercia o cargo de chefe da secretaria da Câmara. Durante três anos e meio, cooperou assiduamente com o chefe do governo. Na biografia de Epitácio feita por sua filha, Laurita Pessoa Raja Gabaglia, Roure foi definido como “o intermediário quase obrigatório entre o presidente e a legião dos cidadãos que a este recorrem por escrito ou pessoalmente”. A imprensa carioca da época, por sua vez, criticou sua modéstia pessoal, afirmando ter ele um ar “de quem pede desculpas de ser o secretário da presidência”.

Em 6 de novembro de 1922, foi nomeado, por Epitácio Pessoa, que então deixava o governo, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), cuja presidência viria a ocupar anos depois (1931-1933).

De 25 de outubro a 4 de novembro de 1930, respondeu interinamente pelo Ministério da Fazenda da junta governativa que assumira o poder após a deposição de Washington Luís (1926-1930). Por não se considerar político, não aceitou continuar no cargo, nele permanecendo somente até a nomeação de José Maria Whitaker.

Em 1931, foi membro da Comissão de Estudos Financeiros e Econômicos dos Estados e Municípios.

Participou, de novembro de 1932 a maio de 1933, da Comissão Constitucional presidida por Afrânio de Melo Franco e incumbida da elaboração do anteprojeto de Constituição que seria apreciado pela Assembleia Nacional Constituinte reunida em 1933-1934.

Aposentado como ministro do TCU, por motivo de doença, em outubro de 1934, fixou residência em Petrópolis, onde veio a falecer em 17 de março de 1935.

Foi casado com Antônia Gurgel do Amaral.

Publicou ensaios na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, conferências e o verbete “História econômica e financeira”, no Dicionário histórico, geográfico e etnográfico do Brasil. Escreveu também: Concurso literário (contos, 1894), Formação constitucional do Brasil (1914), Formação do direito orçamentário brasileiro (1916), A Constituinte republicana (2v, 1918-1920), Epitácio Pessoa no juízo de seus contemporâneos (1925) e Orçamento: comentários ao Código de Contabilidade (1926).