BARBIERI, Marcelo

Marcelo Fortes Barbieri nasceu em Araraquara (SP) no dia 21 de novembro de 1956, filho de Nélson Barbieri e de Maria Rute Fortes Barbieri. Seu primo, Leonardo Barbieri, foi deputado federal entre 1955 e 1959.

Em 1975 ingressou no curso de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Participou ativamente do movimento estudantil, tendo sido diretor da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo de 1978 a 1979, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) de 1979 a 1980 e diretor de relações internacionais dessa entidade em 1980 e 1981. Contava com amigos na cúpula do proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB) e em tendências ligadas à organização da esquerda armada Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), mas nunca confirmou sua participação em qualquer ação dessas organizações. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reorganização partidária, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que deu continuidade ao MDB, e foi coordenador estadual da juventude do partido. Em 1981 foi representante da UNE no congresso pela paz e desarmamento em Helsinque, na Finlândia, e em 1982 concluiu o curso de administração de empresas.

Ingressou na vida pública em 1983, como assessor de gabinete da Secretaria de Educação do governo do estado de São Paulo, durante a gestão de Franco Montoro (1983-1987), função que exerceu até 1984. Nesse mesmo período foi presidente do diretório municipal do PMDB em Vila Matilde, bairro da cidade de São Paulo. Em 1987 foi delegado na convenção regional do PMDB e de 1988 a 1990 foi presidente e tesoureiro do partido em Araraquara.

Em outubro de 1990 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda do PMDB, sendo empossado em fevereiro de 1991. Participou dos trabalhos legislativos como vice-líder do partido na Câmara (1991); titular das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público (1991) e de Defesa Nacional (1991-1994); membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privatização da VASP (1992), e primeiro-vice-presidente da Comissão de Minas e Energia (1992). Foi sub-relator da comissão mista especial do plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, titular da CPI Mista de Ciência e Tecnologia, da CPI Mista do Programa Nacional de Desestatização e relator da Comissão Mista de Planos, Orçamento Público e Fiscalização. Ligado ao governador de São Paulo Orestes Quércia, do PMDB, teve atuação de destaque na Comissão Mista do Orçamento, mantendo uma posição de independência em relação ao governo federal.

Em 1992 participou também da CPI Mista que investigou denúncias de corrupção, suborno e enriquecimento ilícito contra o ex-tesoureiro da campanha eleitoral do presidente Fernando Collor de Melo. Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Collor, acusado de crime de responsabilidade por ligações com o esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias. Afastado do cargo logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo então efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Nas principais matérias constitucionais apresentadas na Câmara dos Deputados ao longo da legislatura 1991-1995, votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) - imposto de 0,25% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde -, contra a criação do Fundo Social de Emergência (FSE) - que permitia ao governo retirar recursos de áreas como saúde e educação para ter maior liberdade de administração das verbas - e contra o fim do voto obrigatório. Em abril de 1994 seu nome apareceu numa lista, divulgada pela imprensa, de parlamentares, delegados e advogados que teriam recebido subornos ou contribuições financeiras de bicheiros cariocas para campanhas eleitorais em 1990.

Em outubro de 1994 disputou a reeleição na legenda do PMDB, defendendo a municipalização da educação e da saúde pública. Foi eleito com votos provenientes principalmente de sua base eleitoral em Araraquara e iniciou seu novo mandato de em fevereiro de 1995. Foi membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Entre as principais matérias enviadas ao Congresso pelo governo Fernando Henrique Cardoso, votou contra a permissão para embarcações estrangeiras operarem no transporte de cargas e passageiros entre portos do país, contra o fim do monopólio estatal das telecomunicações e do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo. Esteve ausente da votação do projeto que punha fim às diferenças legais entre empresas brasileiras e estrangeiras e se absteve na votação daquele que acabava com o monopólio dos estados na distribuição de gás canalizado.

Como presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, apresentou ao Congresso lei que regulamentava as concessões de serviços privados de telecomunicações, que permitiria ao governo lançar os editais para telefonia celular privada, transmissão de dados e uso de satélites. Em 1996 participou dos trabalhos legislativos como membro titular das comissões de Defesa Nacional e de Fiscalização Financeira e Controle. Em outubro desse ano foi lançado candidato a prefeito de Araraquara na legenda do PMDB, mas não foi bem-sucedido.

Aliado do presidente nacional do PMDB, deputado Pais de Andrade, no final de 1996 foi eleito vice-presidente do partido. Em janeiro de 1997, durante a convenção nacional do PMDB, demonstrou sua contrariedade quanto à possibilidade de reeleição dos os detentores de mandato executivo (presidente da República, governadores e prefeitos), colocando em votação uma moção pela qual o partido exigia que a votação da emenda da reeleição só se fizesse após a escolha das mesas da Câmara e do Senado. Ao final, a convenção orientou a bancada a manifestar-se contra a emenda, o que acabou não ocorrendo, uma vez que a maior parte pronunciou-se favoravelmente.

Em abril, foi relator do projeto do deputado petista Hélio Bicudo, de São Paulo, que transferia para a Justiça comum os crimes cometidos por policiais militares. Em novembro, pronunciou-se contra a quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.

Em outubro de 1998 foi reeleito deputado federal na legenda do PMDB. Em novembro votou contra o teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e o estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição no setor privado, itens que definiram a reforma da Previdência. Em janeiro de 1999 deu voto contrário à lei de cobrança previdenciária de servidores inativos.

Iniciou novo mandato em fevereiro de 1999 e, no mesmo ano, ingressou do curso de pós-graduação em administração de empresas, estratégia global de negócios do Centro Universitário de Araraquara (Uniara) que concluiria em 2003. Na Câmara dos Deputados foi membro efetivo da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, vice-presidente da Comissão de Minas e Energia, e suplente da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação. De 1999 a 2002 foi também tesoureiro do diretório estadual do PMDB paulista, e em 2000 foi membro do conselho político nacional do partido no Distrito Federal. Nas eleições municipais de outubro de 2000 concorreu à prefeitura de Araraquara pela legenda do PMDB, mas foi derrotado pelo candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva.

Em 2002, candidatou-se à reeleição na Câmara dos Deputados e obteve uma suplência. Deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro de 2003, e em 2004 passou a integrar o diretório nacional do PMDB em Brasília. Nesse mesmo ano disputou novamente a prefeitura de sua cidade natal e, mais uma vez, foi derrotado pela petista Edinho Silva, reeleito no primeiro turno de votação.

Entre janeiro de 2005 e o fim da legislatura, em janeiro de 2007, assumiu como suplente o mandato de deputado federal. Nesse período presidiu a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e participou como membro efetivo da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público. Nas eleições municipais de 2008, concorreu pela terceira vez à prefeitura de Araraquara e foi eleito com 44% dos votos válidos. Foi empossado em janeiro de 2009.

No pleito municipal de Outubro de 2012, foi reeleito para mais um mandato a frente da prefeitura de Araraquara, tendo recebido 59.336 votos.

Foi também diretor da Associação Comercial e Industrial de Araraquara e do Sindicato do Comércio Varejista, e comentarista político da TV Morada do Sol e do jornal da manhã da Rádio Morada do Sol, em Araraquara.

Casou-se com Maria Helena Rolfsen Moda Francisco Barbieri, com quem teve dois filhos.