SÁ, Raul de Noronha

Raul de Noronha Sá nasceu em Baependi (MG) no dia 22 de dezembro de 1879, filho de Evaristo Augusto Nogueira de Sá e de Amália Noronha Nogueira de Sá.

Fez seus primeiros estudos no Ginásio Baependiano, transferindo-se depois para a capital paulista, onde realizou o preparatório no curso anexo à Faculdade de Direito de São Paulo. Aprovado nos exames, ingressou naquela faculdade e se formou em dezembro de 1903.

Iniciou sua vida pública como membro do conselho deliberativo do município de Caxambu (MG), atuando em seguida como sub-procurador dos Feitos da Saúde Pública, no governo de Júlio Bueno Brandão (1908-1909), em Minas Gerais. Tornou-se depois consultor jurídico do estado para assuntos relacionados com as estâncias hidrominerais.

Durante o governo estadual de Venceslau Brás (1909-1910), exerceu simultaneamente as prefeituras das estâncias hidrominerais de Cambuquira e Lambari. Com a ascensão de Venceslau à presidência da República em novembro de 1914, tornou-se oficial do seu gabinete, permanecendo no cargo até novembro de 1918, ao findar o mandato presidencial. Passou então a exercer o cargo de primeiro promotor dos Feitos da Fazenda municipal em seu estado e pouco depois exonerou-se dessas funções em decorrência de sua nomeação para um tabelionato no Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Em 1918 elegeu-se deputado federal por Minas Gerais, na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM), assumindo uma cadeira na Câmara Federal em maio do ano seguinte. Reeleito sucessivamente em 1921, 1924, 1927 e 1930, exerceu regularmente o seu mandato até outubro de 1930, quando a Revolução que depôs Washington Luís dissolveu todos os órgãos legislativos existentes no país. Durante esse período de sua vida parlamentar, exerceu durante quatro anos a função de primeiro-secretário da Câmara Federal.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte por Minas Gerais, na legenda do Partido Progressista (PP), formado por elementos egressos do PRM. Assumindo o seu mandato em novembro seguinte, participou dos trabalhos constituintes, cabendo-lhe, por delegação de sua bancada, atuar em defesa dos interesses de seu estado no tocante às minas e jazidas minerais. Nessa época teve seu nome incluído entre os possíveis candidatos à sucessão do interventor em Minas Gerais Olegário Maciel, falecido em setembro de 1933. O escolhido, no entanto, foi Benedito Valadares, indicado pessoalmente por Getúlio Vargas e empossado no cargo em dezembro do mesmo ano.

Após a promulgação da nova Constituição, em 16 de julho de 1934, e a eleição, no dia seguinte, de Getúlio Vargas para a presidência da República, teve seu mandato prorrogado até maio do ano seguinte. Em outubro de 1934 elegeu-se suplente de deputado federal por Minas Gerais na legenda do PP. Convidado por Benedito Valadares para a Secretaria de Educação e Saúde Pública de Minas Gerais, deixou a Câmara em abril de 1935, não chegando a concluir seu mandato. Permaneceu à frente daquela secretaria até 29 de novembro de 1937, pouco depois da instauração do Estado Novo.

Faleceu no dia 30 de dezembro de 1953.

Foi casado com Alexina Leitão Sá.