SAMBAQUI, Júlio
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Júlio Furquim Sambaqui nasceu em Ribeirão Preto (SP) no dia 19 de dezembro de 1906, filho de José Lopes Sambaqui e de Ana Furquim de Almeida Sambaqui.
Fez seus estudos primários em sua cidade natal e os secundários em Campinas (SP). Estudou ciências contábeis, na cidade de São Paulo, diplomando-se em abril de 1932. Em fevereiro de 1935 foi nomeado inspetor de ensino comercial por Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública (1934-1945). Sempre ligado à educação profissional, tornou-se diretor da Divisão de Contabilidade e Orçamento da Universidade do Brasil e diretor do Departamento de Administração do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Foi um dos principais responsáveis pela transferência do MEC para a nova capital federal, Brasília, inaugurada em abril de 1960. No ano seguinte, tornou-se membro do Conselho da Fundação Educacional do Distrito Federal. Em outubro de 1963, no governo do presidente João Goulart (1961-1964), assumiu interinamente o cargo de ministro da Educação e Cultura, substituindo Paulo de Tarso Santos.
Durante sua gestão no MEC promoveu a elaboração de um plano diretor de educação física e recreação para as escolas de todos os níveis, obteve a adesão dos serviços do teatro, cinema, rádio e televisão aos programas de educação do ministério e apoiou as caravanas da cultura, promoção de Pascoal Carlos Magno que levou a diversas regiões do país atividades culturais e educativas, tais como exposições, balés e teatro.
No campo do ensino superior promoveu estudos destinados a transformar as faculdades de Filosofia em faculdades de Educação para a formação de professores de grau médio, duplicou o número de vagas nas faculdades para aproveitamento integral dos candidatos aprovados nos exames vestibulares, e estruturou a Universidade Federal de São Paulo, transformando-a em Universidade Industrial, com sede em São Bernardo do Campo (SP).
Na área do ensino médio, desenvolveu a chamada Campanha para Formação Intensiva da Mão-de-Obra Industrial, tendo em vista a preparação de operários qualificados para a indústria, especialmente a de São Paulo.
Em relação ao ensino primário, promoveu a suplementação do salário dos professores primários do interior do país para evitar o abandono do ensino e incentivar a sua ampliação; a criação de escolas na faixa das fronteiras para evitar que os brasileiros freqüentassem escolas estrangeiras; a criação da sexta série primária para evitar a evasão de elevado número de jovens que, reprovados nos exames de admissão ao ginásio, desistiam de estudar, além de uma campanha intensiva de formação e aperfeiçoamento de professores primários.
Algumas de suas iniciativas, principalmente o incentivo ao programa de alfabetização baseado no método Paulo Freire, provocaram violentas reações dos setores conservadores.
Em abril de 1964, logo após o movimento político-militar de 31 de março anterior, que depôs o presidente da República, foi exonerado do MEC e substituído por Luís Antônio da Gama e Silva. Ainda no mesmo mês teve seus direitos políticos suspensos por dez anos com base no Ato Institucional nº 1, editado em abril. Acusado de envolvimento com a União Nacional dos Estudantes (UNE), órgão oficial de representação estudantil, respondeu a inquérito policial-militar, sendo, porém, excluído de qualquer processo.
Em julho de 1980, beneficiado pela anistia decretada pelo presidente João Figueiredo em agosto de 1979, obteve sua reversão e retorno à administração direta do MEC.
Faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de maio de 1982.
Foi casado com Lídia de Queirós Sambaqui, professora e especialista em biblioteconomia, presidente do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) de 1954 a 1965. Teve três filhos.