SANTILLI, Márcio

Márcio José Brando Santilli nasceu na cidade de São Paulo, no dia 10 de outubro de 1955, filho de José Santilli Sobrinho e de Maria Aparecida de Campos Brando Santilli. O pai foi deputado federal em quatro legislaturas, de 1967 a 1983.

Licenciado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (SP), trabalhou como professor e assessor parlamentar.

Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), iniciou a carreira política como deputado federal, eleito por São Paulo, em novembro de 1982. Empossado em fevereiro seguinte, foi titular das comissões de Relações Exteriores e dos Índios.

Membro da chamada “esquerda independente” do PMDB, em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que previa o restabelecimento das eleições diretas já em novembro daquele ano. Derrotada a proposição - faltaram 22 votos para que o projeto fosse encaminhado à apreciação do Senado Federal -, Santilli compareceu à reunião do Colégio Eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985, e apoiou o candidato da oposição ao regime, Tancredo Neves, lançado pela Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo não chegou a tomar posse, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já exercia interinamente as funções da presidência desde 15 de março de 1985.

Márcio Santilli tentou a reeleição no pleito de novembro de 1986, mas não obteve êxito. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro seguinte.

Afastado da política partidária, dirigiu o Instituto Socioambiental (ISA), organização não-governamental votada à defesa dos interesses das comunidades indígenas do país. Em setembro de 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-), foi indicado para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Partiu de Santilli a sugestão para que as tribos assumissem a exploração comercial de suas terras, visando a geração de um excedente econômico. Os índios deveriam tornar-se “capitalistas a seu modo”, cabendo à Funai o desenvolvimento de projetos que respeitassem as especificidades regionais.

Em janeiro de 1996, em depoimento à Comissão de Defesa do Consumidor, Minorias e Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, Santilli defendeu o decreto do ministro da Justiça Nélson Jobim, que criara a figura do contraditório na demarcação de terras indígenas, ou seja, o direito dos proprietários de terras desapropriadas contestarem na Justiça as demarcações efetuadas. Na ocasião, em oposição às críticas de deputados e antropólogos que temiam a revisão das reservas já demarcadas, argumentou que o decreto serviria para acelerar a criação de novas áreas, já que previa a adoção de prazos rígidos para a resolução dos casos pendentes. No mês seguinte foi ameaçado de morte e mantido como refém, por cerca de uma hora, pelos xavantes que invadiram a sede da fundação, em Brasília, protestando contra a falta de assistência médica nas aldeias e a política de liberar recursos apenas para projetos auto-sustentáveis.

Após renunciar à presidência do órgão, em março de 1996, retornou ao ISA e, em maio, denunciou a forma pela qual vinha sendo conduzido o processo de demarcação das terras indígenas da reserva Raposa-Serra do Sol, com a exclusão das vilas de garimpeiros, “uma decisão política, que, além de aumentar o clima de tensão na região, poderia constituir-se em paradigma para a redução de outras reservas do país”.

Casou-se com Ana Estela de Abreu, com quem teve uma filha.