SILVEIRA, José

José Teixeira da Silveira nasceu em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) no dia 18 de agosto de 1918, filho de Boanerges Borges da Silveira e de Maria do Carmo Teixeira da Silveira. Seu irmão, Roberto Silveira, foi governador do estado do Rio de Janeiro de 1959 a 1961. Outro irmão, Badger Silveira, também foi governador do Rio de Janeiro de 1963 a 1964.

Fez o curso secundário no Colégio Rio Branco, em Bom Jesus do Itabapoana, e o complementar de medicina no Liceu Estadual de Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro. Acadêmico de medicina, lecionou química nos colégios Plínio Leite. Nossa Senhora das Mercês e São Bento, todos em Niterói, e formou-se pela Faculdade Flumi­nense de Medicina, especializando-se em cirurgia e obstetrícia. Durante o curso, foi presidente da Associação dos Estudantes de Medicina.

Clinicou inicialmente no interior fluminense, elegendo-se vereador em Cambuci. Exerceu o mandato entre 1935 e 1937, quando o golpe do Estado Novo fechou todas as casas legislativas do país. Transferindo-se para o norte do Paraná, voltou às atividades políticas, elegendo-se vereador à Câmara Municipal de Mandaguari e exercendo o mandato entre 1947 e 1951. Dedicado à lavoura, ao comércio de café e à industrialização da madeira, em 1952 foi eleito prefeito de Nova Esperança (PR). Nessa ocasião, dedicou-se à cultura e à industrialização da mandioca no município. No pleito de outubro de 1954, elegeu-se deputado estadual no Paraná, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e foi empossado em fevereiro de 1955, tornando-se terceiro-secretário da Assembleia Legislativa e integrando a Comissão de Instrução Pública. Em outubro de 1958, elegeu-se deputado federal pelo Paraná, na mesma legenda, e assumiu o mandato na Câmara Federal em janeiro do ano seguinte. Nessa legislatura, apoiou a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), que havia sido formada em 1956 por deputados do PTB, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Social Democrático (PSD) e da União Democrática Nacional (UDN). A antecipação atuou em torno de uma plataforma nacionalista voltada para a condenação à intervenção do capital estrangeiro na economia brasileira, especialmente no setor energético, e à remessa de lucros para o exterior.

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros em agosto de 1961, votou contra a Emenda Constitucional nº 4, que em 2 de setembro implantou o sistema parlamentar de governo permitindo a posse do vice-presidente João Goulart, vetada pelos ministros militares de Jânio. Em novembro, votou a favor da Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a participação dos municípios na renda tributária nacional, e apoiou o reatamento das relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas desde 1947. Posteriormente, apoiou a campanha pela antecipação do plebiscito que estava inicialmente previsto para o início de 1965, mas, em janeiro de 1963, iria decidir pelo retorno do presidencialismo.

De acordo com o Correio Brasiliense, era partidário do intervencionismo econômico, corretivo e supletivo da iniciativa privada, bem como do monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos, das telecomunicações, dos transportes ferroviários e de cabotagem marítima. Defendia também unia reforma agrária de cunho cooperativista - cabendo ao Estado oferecer plena assistência creditícia, sanitária, educacional e técnica, bem como garantia de preços mínimos, ensilagem e transporte dos lavradores - e apoiava a desapropriação dos latifúndios improdutivos, mediante prévia e justa indenização em dinheiro. Era favorável ainda à adoção de cédula única em todos os pleitos e à extensão do direito de voto aos analfabetos.

Em 1962, transferiu-se para Niterói, para participar da campanha de seu irmão, Badger Silveira, ao governo do Rio de Janeiro, na legenda do PTB em coalizão com o Partido Democrata Cristão (PDC), em sucessão a seu outro irmão, Roberto Silveira, morto em aci­dente aéreo em pleno exercício do mandato. Badger foi eleito, mas José Silveira, lançado candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do PTB. Não tendo se empenhado na campanha, acabou não se elegendo do partido. Deixan­do a Câmara em janeiro de 1963, ao término da legislatura. Em seguida, tornou-se presidente da Caixa Econômica do Estado do Rio de Janeiro até a deposição do presidente João Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964. Após a instauração do regime militar, sua gestão na Caixa foi objeto de um inquérito policial-militar, mas nada foi apurado.

Abandonando a carreira política, José Silveira passou a dedicar-se exclusivamente à pecuária de corte, atividade que já desenvolvia há alguns anos, em Umuarama (PR).

Casou-se com Auta Antônia da Silva Silveira, com quem teve três filhos.