SOUSA, Otávio Tarquínio
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Otávio Tarquínio de Sousa Amaranto nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 7 de setembro de 1889, filho de Bráulio Tarquínio de Sousa Amaranto - advogado, professor de direito e jornalista - e de Joana Oliveira de Sousa. Usou os pseudônimos Fausto Luz e Anatólio Luz.
Fez os estudos primários com a professora Deonila Tavares Bastos, irmã do político, jornalista e historiador alagoano Antônio Cândido Tavares Bastos. Cursou o secundário no colégio do professor João Kopke e no Ginásio Fluminense, em Petrópolis (RJ). Ainda estudante, já colaborava com jornais do interior do estado do Rio de Janeiro. Formou-se em 1907 pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal.
Ingressou nos quadros do funcionalismo público, tornando-se segundo-oficial da administração dos Correios. Dirigiu, de 1914 a 1918, o Serviço Postal do Rio de Janeiro e, nesse período, colaborou regularmente, de 1916 a 1917, no jornal O Estado de S. Paulo. Em 1918 tornou-se procurador-geral do Tribunal de Contas da União (TCU), função que exerceria até 1932, e em 1924 representou o Brasil na Conferência Internacional de Emigração e Imigração, realizada em Roma. Após a Revolução de 1930, foi nomeado, em 1932, ministro do TCU. Em 1934 tornou-se o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores e de 1935 a 1936 foi presidente do TCU, passando a vice-presidente no ano seguinte. Nesse período começou, em 1935, a colaborar como crítico literário em O Jornal do Rio de Janeiro, deixando de fazê-lo em 1937.
Durante o Estado Novo (1937-1945), entre 1938 e 1943 foi diretor da Revista do Brasil e, em 1939, passou a coordenar a Coleção Documentos Brasileiros da Editora José Olímpio, do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1945 representou o Distrito Federal no I Congresso Brasileiro de Escritores, promovido pela Associação Brasileira de Escritores. Realizado em São Paulo, o evento reuniu expressivo número de intelectuais de variadas tendências políticas e emitiu declaração em favor da democracia e das liberdades públicas, constituindo-se em contundente tomada de posição contra o Estado Novo.
Aposentou-se em 1946 como ministro do TCU e, a partir desse ano, passou a dirigir, em colaboração com Afonso Arinos de Melo Franco, a Revista do Comércio, atividade que exerceria até 1947.
Foi também ficcionista, tradutor e historiador. Sua colaboração na imprensa estendeu-se a jornais e revistas como O País, A Noite, Correio da Manhã e Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, e Folha da Manhã, de São Paulo.
Faleceu em 22 de dezembro de 1959, em companhia de sua esposa, a escritora Lúcia Miguel Pereira, em decorrência de desastre aéreo ocorrido no Rio de Janeiro.
Publicou Monólogo das coisas (19l4), A mentalidade da Constituinte (1931), Ernesto Psichari, neto de Renan (1934), Bernardo Pereira de Vasconcelos e seu tempo (1937), Evaristo da Veiga (biografia, 1939), História de dois golpes de Estado (1939), Diogo Antônio Feijó (1942), História do Brasil 1500-1822 (com Sérgio Buarque de Holanda, 1944), José Bonifácio (biografia, 1945), O pensamento vivo de José Bonifácio (1945), De várias províncias (1952), A vida de d. Pedro I (1952), História dos fundadores do Império (10v., 1957).