TRUDA, Francisco de Leonardo

Francisco de Leonardo Truda nasceu em Porto Alegre no dia 19 de setembro de 1886, filho de imigrantes italianos.

Realizou seus estudos na Escola Brasileira. Em 1907 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Porto Alegre, especializando-se em ciências econômicas. Foi colega de faculdade de diversos futuros líderes políticos nacionais, dentre os quais Getúlio Vargas, que integraram a “geração de 1907” gaúcha.

Jornalista, fundou e dirigiu o Diário de Notícias, de Porto Alegre, principal propugnador da campanha da Aliança Liberal (1929-1930) no Rio Grande do Sul. Participou da Revolução de 1930, tendo sido o emissário responsável pela negociação da rendição do 7º Batalhão de Caçadores, sediado em Porto Alegre, última unidade que resistia ao assédio dos rebeldes. Com a vitória do movimento, foi designado, ainda em novembro do mesmo ano, diretor do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, tendo assumido a superintendência da Carteira de Liquidações.

Em dezembro do ano seguinte foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas (1930-1945) primeiro presidente da Comissão de Defesa da Produção do Açúcar, criada com o objetivo de executar uma política econômica de emergência para a defesa da produção do açúcar. Foi o organizador e o primeiro presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), criado em junho de 1933, a partir da fusão da Comissão de Defesa da Produção do Açúcar com a Comissão de Estudos sobre Álcool Motor. Esse instituto foi criado com o objetivo de estabelecer uma política de defesa, de caráter permanente, da produção do açúcar e do álcool, de forma a manter o equilíbrio entre a produção e o consumo mediante o estabelecimento de cotas de produção para as fábricas de açúcar, a exportação dos excedentes e a transformação da cana em álcool anidro. Os órgãos anteriores ao IAA haviam desenvolvido uma política de emergência em defesa da produção do açúcar e do álcool, em virtude dos reflexos da crise geral verificada na economia a partir da grande depressão de 1929.

Nomeado presidente do Banco do Brasil em julho de 1934, sucedendo a Artur de Sousa Costa (1932-1934), Truda foi responsável pela ampliação da rede de agências do banco. Em maio de 1937 renunciou à presidência do IAA, sendo substituído por Alberto de Andrade Queirós (1937-1938). Com o advento do Estado Novo (1937-1945), deixou o cargo no Banco do Brasil em 30 de novembro de 1937, sendo substituído por João Marques dos Reis (1937-1945).

Membro do Conselho Federal de Comércio Exterior de 1939 a 1940, chefiou a primeira Missão Econômica Brasileira, realizada em 1940, visando promover o intercâmbio comercial com vários países da América. Em 1941 passou a dirigir a Câmara de Intercâmbio Comercial, Crédito, Câmbio e Propaganda do Conselho Federal de Comércio Exterior. Integrante do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Conselho Federal de Comércio Exterior, participou da elaboração do projeto de nacionalização dos bancos, posicionando-se, juntamente com Roberto Simonsen, favorável à nacionalização apenas dos bancos de depósitos, tese vencedora, instituída por decreto em abril de 1941, embora não viesse a ser implementada. Foi o organizador e primeiro diretor da Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil, criada em maio de 1941. Em janeiro do ano seguinte participou como assessor-técnico da delegação do Brasil à III Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas, realizada no Rio de Janeiro. Foi o fundador e primeiro presidente do Banco Nacional de Descontos.

Colaborador do jornal A Reforma, de Porto Alegre, dirigiu o Correio do Povo, da mesma capital, e O Dever, de Bajé (RS).

Sócio-fundador e primeiro secretário, durante vários anos, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, presidiu a Sociedade Brasileira de Economia Política, a Associação Bancária do Rio de Janeiro, o Instituto Brasil-México e a Comissão Brasileira de Fomento Interamericano.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 18 de julho de 1942, durante sua gestão na direção da Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil.

Publicou O Brasil e a doutrina de Monroe (1942), Colonização alemã no Rio Grande do Sul (1930), O crédito agrícola no Brasil (1937), Reflexões sobre o problema do ferro (1938), A defesa da produção açucareira (1940), Um novo órgão de ação econômica (1942), além de diversos estudos econômicos, pareceres e conferências.