VALADÃO, Roberto

Roberto Valadão Almokdice nasceu em Colatina (ES), no dia 20 de setembro de 1938, filho de Altivo Valadão de Andrade e de Helena Almokdice Valadão.

Formado em contabilidade pela Escola Técnica de Comércio de Cachoeiro de Itapemirim (ES) em 1967 e bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da mesma cidade, em 1972, presidiu o diretório acadêmico Abel Santana e a Casa do Estudante em 1971, integrando depois o conselho superior da entidade até 1976. Fez cursos de desenvolvimento econômico e oratória em 1970 e 1972.

Fundador do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, foi nomeado vice-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim em 1971, deixando o cargo em novembro de 1972, antes de encerrar o mandato, para eleger-se vereador. Líder da bancada na Câmara Municipal até 1979, integrou as comissões de Justiça e de Redação (1973-1975) e de Educação e Saúde (1975-1977). Em novembro de 1976 reelegeu-se ainda na legenda do MDB. Empossado em fevereiro de 1977, manteve-se como titular em ambas as comissões até 1981.

Candidato à Assembleia Legislativa do Espírito Santo no pleito de novembro de 1978 foi eleito deputado estadual na legenda do MDB, deixando a Câmara Municipal em fevereiro de 1979. Líder da bancada, com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Permanecendo na liderança, presidiu a Comissão de Educação e Saúde de 1981 a 1983.

Eleito para a prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim na legenda do PMDB em novembro de 1982, tomou posse em janeiro de 1983. À frente da administração municipal, criou o Horto Municipal, atual Centro de Cultura Natural Augusto Ruschi, destinado à produção de alimentos sem emprego de agrotóxicos, o restaurante dos empregados da municipalidade, além de creches, escolas e asilos.

No pleito de outubro de 1990 elegeu-se deputado federal, tomando posse em fevereiro de 1991. Titular da Comissão Especial sobre os Desaparecidos Políticos Pós-1964, na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992 votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Votou a favor da extinção do voto obrigatório, pela criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) e do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitiria ao governo gastar até 20% da arrecadação vinculada às áreas de saúde e de educação.

Assumiu em 1993 a vice-liderança da bancada do PMDB e participou da comissão especial sobre o programa de estabilização do governo. Entre 1993 e 1995 voltou a fazer parte da comissão especial sobre desaparecidos políticos pós-1964. Em 1994 viajou em missão oficial a Santiago do Chile e a Buenos Aires, capital da Argentina, com o objetivo de obter informações sobre brasileiros desaparecidos. Durante todo o mandato foi titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Reeleito no pleito de outubro de 1994, assumiu em fevereiro de 1995, integrando até 1998 as comissões de Direitos Humanos, de Ciência e Tecnologia e de Comunicação e Informática.

Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1995, seguindo a orientação do partido votou a favor da quebra do monopólio estatal nos setores de telecomunicações, exploração de petróleo, distribuição de gás canalizado e navegação de cabotagem. Apoiou também a mudança no conceito de empresa nacional e a prorrogação do FSE, rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).

Vice-líder do bloco PMDB-Prona (Partido da Renovação Nacional), em junho de 1996 votou a favor da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), fonte suplementar de recursos destinados à saúde.

Em fevereiro de 1997 votou a favor da emenda constitucional que previa a reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos, e em novembro pela quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.

No pleito de outubro de 1998 não conseguiu se reeleger. Em novembro, votou a favor do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público, e pelos critérios de idade mínima e tempo de contribuição, para os trabalhadores no setor privado, itens que definiram a reforma da previdência. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro de 1999.

Reelegeu-se prefeito de Cachoeiro do Itapemirim nas eleições de 2004, na legenda do PMDB. Tentou repetir o feito em 2008, mas foi suplantado pelo candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Carlos Casteglione.

Funcionário e dirigente da Campanha Nacional dos Educandários Gratuitos, posteriormente Campanha Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC), escrevente juramentado e oficial do Cartório de Registro Civil de Cachoeiro de Itapemirim, Roberto Valadão casou-se com Eloísa Borges Valadão, com quem teve cinco filhos.