VALENTIM, Edmílson

Edmílson José Valentim dos Santos nasceu em São João de Meriti (RJ) no dia 28 de julho de 1963, filho de Durval Borges dos Santos, ex-lavrador e contínuo do Banco do Brasil, e de Angelina Valentim dos Santos.

Ingressou em 1982 no curso de engenharia mecânica da Fundação Técnica Sousa Marques, no Rio de Janeiro, e no ano seguinte filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), então na clandestinidade. Em 1983 e 1984 foi membro do diretório acadêmico da sua faculdade. Auxiliar de inspetor de qualidade da multinacional suíça Sulzer do Brasil, empresa fabricante de caldeiras e equipamentos para navios, também atuou no movimento sindical nesse período. Quando o PCdoB, na legalidade desde meados de 1985, decidiu-se por sua candidatura à Assembleia Nacional Constituinte, em julho de 1986, foi demitido da Sulzer. A essa altura, já havia deixado o curso de engenharia mecânica.

Eleito deputado federal em novembro de 1986, iniciou o mandato em 1º de fevereiro do ano seguinte, por ocasião da instalação da Constituinte. Foi segundo-vice-presidente da Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, da Comissão da Ordem Social. Nas principais votações do período, manifestou-se favoravelmente à estabilidade no emprego, ao rompimento de relações diplomáticas com países de orientação racista, à limitação do direito de propriedade privada, ao mandado de segurança coletivo, à legalização do aborto, à remuneração 50% superior para o trabalho extra, à jornada semanal de 40 horas, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional, à manutenção da unicidade sindical, à soberania popular, à adoção do voto facultativo aos 16 anos, à nacionalização do subsolo, à estatização do sistema financeiro, ao limite de 12% para os juros reais, à proibição do comércio de sangue, à limitação dos encargos para a dívida externa, à criação de um fundo de apoio para a reforma agrária, à anistia aos micro e pequenos empresários e à desapropriação da propriedade produtiva. Votou contra a adoção da pena de morte, o presidencialismo, a legalização do jogo do bicho e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Com a promulgação da nova Constituição em 5 de outubro de 1988, Valentim continuou no exercício de seu mandato regular como deputado federal, tendo requerido, sem sucesso, a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar incidentes ocorridos durante a greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional, no dia 9 de novembro de 1988, que resultaram na morte de três operários.

Em 1990, apresentou uma emenda, a pedido dos trabalhadores da construção naval do Rio de Janeiro, que previa a suspensão do fim do Fundo de Marinha Mercante e a destinação de seus recursos à construção naval. A emenda foi vetada pelo presidente Fernando Collor de Melo nas partes relativas à distribuição do fundo. No mesmo ano, visitou o líder negro e futuro presidente da África do Sul Nélson Mandela na prisão onde estava em Johannesburgo. Nas eleições de outubro de 1990, tentou a reeleição, obtendo uma suplência. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1991, ao final da legislatura.

No 7º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Rio de Janeiro, realizado em 1991, foi eleito vice-presidente da entidade, exercendo essa função até março do ano seguinte. Ainda em 1992 elegeu-se presidente do PCdoB fluminense. Em outubro de 1994 foi eleito deputado estadual. Em janeiro seguinte deixou a presidência regional do partido, assumindo em fevereiro sua cadeira na Assembleia Legislativa. Foi reeleito em outubro de 1998. Neste mandato, presidiu duas comissões: a Comissão de Redação; e a Comissão de Minas e Energia. Foi também membro titular das comissões de Orçamento, de Economia, Indústria e Comércio e de Ciência e Tecnologia. Além disso, foi, ainda no mesmo mandato, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou os acidentes ocorridos na Plataforma P-36. Reeleito deputado estadual, pelo PCdoB, Valentim presidiu, no mandato que teve início em 2003, novamente a Comissão de Minas e Energia, além de uma Comissão Especial que acompanhou a Reforma político-partidária no Congresso Nacional.

Já no pleito seguinte, de 2006, candidatou-se a deputado federal, e, obteve cerca de 80 mil votos, sendo eleito. Neste mandato, iniciado em fevereiro de 2007, foi titular na Comissão de Minas e Energia e na Desenvolvimento Econômico, Indútria e Comércio, da qual foi presidente em 2009.

No ano seguinte, foi candidato à reeleição no pleito de outubro, mas seus 44.476 votos lhe renderam uma suplência. Deixou a Câmara em fevereito de 2011, retornando ao Rio de Janeiro, aonde integrou a direção do PCdoB. Foi convidado a assumir a Secretaria de Assuntos Institucionais da prefeitura de Belford Roxo.

Casou-se com Teresa Cristina Ferreira dos Santos, com quem teve um filho.