VARGAS NETO

Manuel do Nascimento Vargas Neto nasceu em São Borja (RS) no dia 30 de janeiro de 1903, filho de Viriato Dornelles Vargas - líder político e prefeito de São Borja de 1911 a 1915, fazendeiro e jornalista - e de Maria Balbina Nunes Vargas. Neto de Manuel do Nascimento Vargas, líder republicano em São Borja, era sobrinho de Getúlio Vargas, presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, de Benjamim Vargas, chefe de polícia do Distrito Federal em 1945, e de Espártaco Vargas, oficial-de-gabinete de Getúlio Vargas.

Realizou os estudos primários em sua cidade natal, cursando o secundário no Ginásio Júlio de Castilhos, na capital do estado. Em 1927 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Porto Alegre.

De volta à sua cidade, exerceu a profissão como advogado criminalista de 1929 a 1930. Nesse período, causídico do Partido Republicano Rio-Grandense em São Borja e diretor do jornal local desse partido, O Uruguai, participou da campanha em prol da candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República nas eleições de março de 1930. Nessa época atuou também como secretário da procuradoria do Rio Grande do Sul, redator de A Federação, porta-voz de seu partido em Porto Alegre, e procurador público no Distrito Federal, onde fixou residência. Após a Revolução de 1930, tornou-se, em 1933, consultor jurídico do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), função que exerceria no Rio de Janeiro até 1937. Em 1934 assumiu o cargo de procurador da prefeitura do Distrito Federal e, em 1942, tornou-se presidente da Federação Metropolitana de Futebol do Rio de Janeiro.

Após o fim do Estado Novo (1937-1945), elegeu-se, em dezembro de 1945, deputado à Assembleia Nacional Constituinte, pelo Distrito Federal, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Empossado em fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer o mandato ordinário, atuando como membro da Comissão Permanente de Diplomacia. Permaneceu na Câmara até janeiro de 1951, quando encerrou sua carreira política.

Foi ainda juiz e promotor público em Porto Alegre e colaborou no jornal Diário de Notícias, da capital gaúcha, e nos principais jornais do Rio de Janeiro, tendo sido inclusive redator de A Noite.

Cronista e poeta, pertenceu ao primeiro grupo modernista do Rio Grande do Sul. Caracterizou sua obra como o “evangelho do pampa”, fundamentando sua poesia em temas de região campeira, aproveitando os costumes e o linguajar gaúchos. Foi membro da Fundação Eduardo Guimarães, em seu estado, da Academia de Letras Fronteira Oeste e da Estância Poesia Crioula.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 5 de maio de 1977.

Casou-se com Zulmira Carneiro Vargas, com quem teve três filhos.

Publicou Tropilha crioula (1925), Joá (1927), Gado chucro (1928), Tié (1928), General Vargas (biografia, 1938), Contos e lendas e Crônicas e perfis.