VERGUEIRO, Nicolau
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Nicolau de Araújo Vergueiro nasceu em Passo Fundo (RS) no dia 7 de março de 1882, filho do proprietário de terras João de Campos Vergueiro e de Carolina de Araújo Vergueiro. Seu pai foi líder político liberal durante o Império e, mais tarde, chefe republicano. Seu tio Gervásio Araújo Annes, foi chefe político e presidente do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em Passo Fundo durante a República Velha (1889-1930).
Nicolau Vergueiro fez os estudos primários com professor particular e matriculou-se em seguida no internato do Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS), dirigido por padres jesuítas. Transferindo-se para Porto Alegre em 1896, estudou na Escola Brasileira e completou os estudos preparatórios no colégio dirigido por Emílio Meyer. Em 1900 ingressou na Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, pela qual se formou em farmácia em 1903 e em medicina em 1905, após defender tese sobre anestesia geral.
Retornou em 1906 a Passo Fundo, onde por 20 anos exerceria a medicina na Intendência Municipal. Vinculando-se em 1908 ao PRR, tornou-se em pouco tempo presidente do núcleo municipal da agremiação, até então liderado por seu tio Gervásio Araújo Annes. Eleito em 1909 deputado à Assembleia Legislativa gaúcha na legenda do PRR, aí ocuparia uma cadeira por cinco legislaturas consecutivas.
Prefeito de Passo Fundo de 1921 a 1924, empenhou-se em criar escolas no município e, durante a Revolução Gaúcha de 1923, colocou-se ao lado do governo de Antônio Augusto Borges de Medeiros. Esse movimento constituiu-se numa guerra civil que opôs aos republicanos liderados por Borges de Medeiros, os federalistas encabeçados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, os quais, denunciando fraude, rebelaram-se contra a reeleição do líder republicano para o quinto mandato como presidente do estado. Nicolau Vergueiro formou vários corpos militares e participou de combates contra os federalistas em Passo Fundo. A luta se estendeu de janeiro a novembro de 1923 e foi encerrada pelo Pacto de Pedras Altas, que estipulou a manutenção de Borges no governo mas vedou nova reeleição.
Presidente da Assembleia Legislativa gaúcha em 1929, quando o governo estadual determinou o fechamento de escolas no interior em virtude de dificuldades financeiras, manteve abertas as de sua cidade, responsabilizando-se pelos pagamentos que o Erário público não pudesse cobrir. Nesse mesmo ano criou em Passo Fundo a Escola Normal Osvaldo Cruz.
No pleito de março de 1930, foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PRR, e assumiu o mandato em maio do mesmo ano. Em outubro seguinte, teve, no âmbito de seu estado, uma atuação destacada na revolução que depôs o presidente Washington Luís e colocou Getúlio Vargas na chefia do Governo Provisório.
Com a dissolução dos órgãos legislativos, teve o mandato de deputado interrompido. Mais tarde, apoiou as correntes republicanas lideradas por Borges de Medeiros e Raul Pilla e favoráveis aos rebeldes paulistas que, em julho de 1932, se insurgiram contra o governo central e, em outubro seguinte, foram derrotados pelas forças legalistas. Preso, esteve exilado na Argentina e no Uruguai.
De volta ao Brasil após os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de 1933 e da anistia política geral decretada por Vargas, elegeu-se, em outubro de 1934, deputado federal na legenda da Frente Única Gaúcha (FUG), coligação do PRR com o Partido Libertador (PL). Empossado em maio de 1935, exerceu o mandato até novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os órgãos legislativos foram mais uma vez suprimidos.
Com a redemocratização do país em 1945, participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD), tornando-se membro do diretório regional gaúcho e presidente do diretório municipal de sua cidade natal. Nessa legenda, foi eleito, em dezembro de 1945, deputado pelo Rio Grande do Sul à ANC. Empossado em fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer o mandato ordinário. Nessa legislatura, integrou a Comissão Permanente de Transportes e Comunicações da Câmara dos Deputados. Disputando a reeleição em outubro de 1950 na legenda do PSD, obteve apenas uma suplência. Concluiu o mandato em janeiro de 1951. Em 1956, fechou sua clínica em Passo Fundo.
Colaborou em jornais de sua cidade, de Porto Alegre, São Paulo e do Rio de Janeiro, e escreveu livros e artigos sobre medicina.
Faleceu em Passo Fundo no dia 16 de março de 1956.
Era casado com Jovita Leite Vergueiro, com quem teve dois filhos.