VIEIRA, Paulo José de Lima

Paulo José de Lima Vieira nasceu em Ouro Preto (MG) no dia 11 de março de 1916, filho de Alcindo da Silva Vieira e de Maria das Mercês de Lima Vieira.

Fez seus estudos primários no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em Belo Horizonte, no período de 1922 a 1925. No ano seguinte iniciou o curso secundário no Colégio Arnaldo, também em Belo Horizonte, concluindo-o em 1931.

Formou-se em engenharia civil em 1937 pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde foi monitor do curso de química, no período de estudante, e mais tarde professor da cadeira de pontes e grandes estruturas, entre 1939 e 1946.

Em 1949, tornou-se presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros, cargo que ocupou até o ano seguinte. Cinco anos depois, assumiu a presidência do Sindicato da Construção Civil de Belo Horizonte, na qual permaneceu até 1960. No exercício desta função, atuou também como membro do conselho de representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.

Presidente da Companhia Siderúrgica Nacional durante o curto governo do presidente Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961), tornou-se o primeiro presidente da Metamig-Metais de Minas Gerais S.A., nomeado pelo governador José de Magalhães Pinto. Ocupou este cargo, nos anos de 1962 e 1963, tendo elaborado o primeiro relatório preliminar da Aço Minas Gerais S.A. (Açominas), que recomendava a implantação de sua usina siderúrgica na região de Igarapé. Com base neste relatório realizou contatos com importantes grupos siderúrgicos e financeiros na Europa e nos Estados Unidos, com o objetivo de obter recursos para a Açominas. Durante sua gestão, a Metamig realizou estudos e ensaios técnicos que demonstraram a viabilidade da implantação dos minerodutos como via de transporte do minério de ferro entre o Quadrilátero Ferrífero e o litoral atlântico.

Em abril de 1964, foi empossado na presidência da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), substituindo Eliézer Batista logo após o movimento político-militar que derrubou o presidente João Goulart, por indicação do novo ministro das Minas e Energia, Mauro Thibau. Em sua gestão, consolidou o primeiro contrato de venda de minério para o Japão, assinado anteriormente, tendo inclusive chefiado uma missão que lançou as bases para o fechamento de um segundo contrato. Deu prosseguimento às obras no porto de Tubarão (ES) e manteve os compromissos assumidos com as mineradoras Samitri e Ferteco, que necessitavam da ligação ferroviária Costa Lacerda-Fábrica para exportar o seu produto. Em janeiro de 1965, afastou-se do cargo por discordar da política governamental definida por Castelo Branco para o setor de mineração, em especial a concessão dada às companhias mineradoras particulares para a construção e uso de terminais privados especializados em embarque de minérios. Lima Vieira chegou a enviar uma carta ao presidente da República, marechal Castelo Branco, sugerindo que não fosse feita a concessão de um terminal à Hanna Mining Corporation, empresa de mineração norte-americana prestes a instalar-se no Brasil, sob a alegação de que esta burlara o Código de Minas para obter cerca de 27 concessões de mineração. Foi substituído na presidência da Vale por Oscar de Oliveira.

Em 1968, tornou-se membro da diretoria da Companhia Mineira de Cimento Portland, onde permaneceu até 1971. Nesse mesmo ano, retornou à vida pública a convite do governador mineiro Rondon Pacheco, assumindo a secretaria de Planejamento e Coordenação Geral e a vice-presidência do Conselho Estadual de Desenvolvimento. Como secretário, criou e organizou o Sistema Estadual de Planejamento, o Instituto Estadual de Estatística (antigo Departamento de Estatística), o Instituto de Geo-Ciências Aplicadas (fusão dos antigos departamentos de Geografia e Geologia), a Companhia de Distritos Industriais (antigo Departamento de Industrialização), o Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) e a Superintendência de Articulação com os Municípios (Supam). Ocupou esses cargos até o final de 1973.

Em seguida retornou à iniciativa privada, na condição de diretor-presidente da Construtora Alcindo Vieira-Convap (mais tarde, Convap-Engenharia e Construções S.A.), uma das maiores empreiteiras de serviço pesado do país. Mais tarde, tornou-se presidente do conselho de administração da mesma empresa.

Ao longo da sua vida profissional, foi também membro do conselho consultivo da Companhia Siderúrgica Manesmann, do qual veio a tornar-se presidente.

Casou-se com Ilca Rocha Vieira, com quem teve três filhos.