WEDEKIN, Nélson

Nélson Wedekin nasceu em Mondaí (SC) no dia 1º de outubro de 1944, filho de João Batista Wedekin e de Bernardina Lemos Wedekin.

Formado pela Faculdade de Direito de Mogi das Cruzes (SP), em 1970, e em comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), em 1974. Um dos fundadores em Santa Catarina do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) - partido de oposição ao regime militar instalado no país em março de 1964 - elegeu-se vereador em Joaçaba (SC), em 1968. Processado nesse período, com base na Lei de Segurança Nacional, foi absolvido por falta de provas. Fez política estudantil durante todo o período em que esteve na universidade e defendeu presos políticos na segunda metade dos anos 1970.

Retomou a carreira política e, em novembro de 1978, elegeu-se deputado estadual pelo PMDB de Santa Catarina. Foi presidente da Comissão Justiça e Paz em Florianópolis, entre 1978 e 1982. Em novembro de 1982 elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. No ano seguinte foi membro titular da Comissão de Trabalho e Legislação e suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, tendo integrado também a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou a atuação do grupo Delfin.

Em 25 de abril de 1984 pronunciou-se a favor da emenda Dante de Oliveira, apresentada na Câmara dos Deputados, propondo o restabelecimento de eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Porém, a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que pudesse ser encaminhada à apreciação do Senado Federal. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Wedekin votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, lançado pela Aliança Democrática, formada pelo PMDB e pela dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo derrotou o candidato do regime militar, Paulo Maluf, e foi eleito presidente da República. Contudo, por motivo de doença, não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Tomou posse o vice José Sarney, que já exercia o cargo interinamente, desde 15 de março daquele ano.

Vice-líder do PMDB na Câmara dos Deputados e secretário-geral do partido em Santa Catarina em 1985, Wedekin preferiu continuar na legenda apesar dos antigos vínculos que mantinha com o proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB), legalizado em junho daquele ano. Em novembro de 1986 foi eleito senador constituinte. Assumiu sua cadeira no Senado em fevereiro de 1987, quando foram abertos os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Segundo-vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrou a Subcomissão do Poder Legislativo, da Comissão de Organização dos Poderes e Sistema de Governo, e foi suplente da Comissão de Sistematização.

Nas principais discussões travadas na Constituinte, votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da limitação do direito de propriedade privada, do mandado de segurança coletivo, da remuneração 50% superior para o trabalho extra, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, da legalização do aborto, da nacionalização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da proibição do comércio de sangue e da desapropriação da propriedade produtiva. Foi contrário à pena de morte, à estabilidade no emprego, ao presidencialismo, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária, à legalização do jogo do bicho e ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Logo após a promulgação da nova Constituição, em 4 de outubro de 1988, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado por Leonel Brizola. Em outubro de 1990, sem licenciar-se de seu mandato de senador, disputou o governo catarinense pela Frente Popular, coligação integrada, além do PDT, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV). Ficou em terceiro lugar no pleito vencido por Vílson Kleinübing, do Partido da Frente Liberal (PFL).

Durante seu mandato de senador, foi titular da Comissão de Assuntos Econômicos, Sociais e Relações Exteriores e um dos responsáveis pela instalação de CPI para investigar fraudes na importação e exportação de produtos farmacêuticos. Na sessão do Senado do dia 29 de dezembro de 1992, votou pela condenação de Fernando Collor por crime de responsabilidade e por seu afastamento definitivo da presidência da República. Collor fora acusado de ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, em 29 de setembro, renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal. Assumiu a presidência da República o vice Itamar Franco, que exercia o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Wedekin, nos dois últimos anos de mandato, foi quarto-secretário da mesa diretora da casa. Deixou o Senado em 31 de janeiro de 1995.

Durante o governo de Paulo Afonso Vieira (1995-1999) em Santa Catarina, presidiu o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul de Santa Catarina (Brde) em 1995 e 1996. Em seguida, tornou-se diretor de Relações Institucionais e Operações Especiais do banco. Deixou o Brde em julho de 1997 para ocupar a Secretaria de Fazenda, cargo que exerceu até abril de 1998.

Em março de 2003, passou a integrar o conselho de administração do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Em dezembro, recebeu homenagem especial em sessão solene da Câmara dos Deputados, em reconhecimento por sua atuação na defesa de presos políticos junto às Auditorias Militares Regionais, no Superior Tribunal Militar e no Supremo Tribunal Federal durante o regime militar. Ainda em 2003, passou a presidir o grupo Associação dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil (APLUB).

Casou-se com Arlete Teresinha Liberali Wedekin, com quem teve três filhos.