WEID, Jean Marc von der
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Jean Marc Fréderic Charles von der Weid nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 9 de fevereiro de 1946, filho de Freddy Charles von der Weid e de Regina Sodré von der Weid.
Foi membro da Ação Popular (AP), organização política de origem católica e orientação revolucionária de esquerda, criada durante um congresso da Juventude Universitária Católica (JUC) em 1962. Iniciou sua atividade política no movimento secundarista, ingressando em 1964 na Escola de Química da Universidade do Brasil, onde ocupou a presidência do centro de estudos e, em 1967, a do diretório acadêmico.
Em meados de 1968 foi condenado a dois anos de prisão, acusado de ter incendiado um carro do Exército e espancado um militar, durante as manifestações estudantis ocorridas em junho desse ano. Ainda em 1968, na fase de preparativos para a realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudates (UNE), aceitou ser candidato à presidência pela corrente Unidade e Luta, liderada por Luís Travassos, tentando assim evitar a divisão dessa entidade. Em seu programa afirmava que as formas mais eficazes de luta do movimento estudantil seriam as manifestações de rua junto a outros setores da população, a luta direta contra a opressão e a solidariedade a todos os atingidos pelo regime militar.
Em outubro, vivendo na clandestinidade devido à decretação de sua prisão pelas autoridades policiais, participou do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), que foi reprimido por tropas do 7° Batalhão Policial da Força Pública, sediado em Sorocaba (SP), sob o comando do coronel Divo Barsoti. A ação resultou na prisão de mais de setecentos estudantes e de seus principais líderes, entre eles Jean Marc. Porém, enquanto Vladimir Palmeira, Luís Travassos, José Dirceu, Antônio Ribas, Edson Soares, Franklin Martins, Luís Raul Machado e José Arantes foram encaminhados para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Jean Marc, usando um artifício de disfarce e apresentando falsa identidade, foi levado para o Paraná, onde mais tarde conseguiu sua liberdade.
Ainda em novembro de 1968, o movimento estudantil conseguiu recompor um conselho da UNE, que optou pela realização de reuniões de delegados, estado por estado, a fim de proceder à eleição da nova diretoria, que substituiria a de Luís Travassos (1967-1968), encerrada no Congresso de Ibiúna. Após a edição do Ato Institucional n°5 (AI-5), em dezembro de 1968, e do Decreto-Lei n° 477, em fevereiro, o movimento estudantil sofreu um grande recuo. Segundo Jean Marc, naquela época quase todas as tendências do movimento estudantil avaliavam que a edição do AI-5 representava um sinal de fraqueza do regime e que a partir daquele momento havia chegado a hora do enfrentamento radical iniciando-se a guerrilha urbana.
Em abril de 1969, reuniu-se um conselho ampliado da UNE, com cerca de 100 representantes das Uniões Estaduais de Estudantes e Diretórios Centrais de Estudantes de todos os estados. Este conselho reuniu os resultados dos “congressinhos” descentralizados que se realizaram após a queda de Ibiúna. Jean Marc foi eleito presidente da UNE por 377 votos, contra 371 dados a José Dirceu, 29 dados a Marcos Medeiros e 21 em branco. José Arantes, substituindo o então presidente da UNE Luís Travassos, preso na fortaleza de Santos (SP), deu posse a Jean Marc como 29º presidente da entidade. Durante sua gestão organizou as manifestações comemorativas de um ano da morte do estudante Edson Luís e uma greve nacional de protesto contra a visita de Nelson Rockefeller, governador do estado de Nova York, enviado pelo governo norte-americano em maio de 1969 para preparar a visita do presidente Richard Nixon (1969-1974) à América Latina.
Na noite de 1º de setembro de 1969 foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar) ao visitar um grupo de estudantes na rua Fonte da Saudade, no Rio de Janeiro. Em decorrência de sua prisão, a presidência da UNE ficou vaga por algum tempo, até que os diretores decidiram indicar para o cargo Honestino Guimarães, vice-presidente da entidade. Banido no dia 15 de janeiro de 1971, após ter sido libertado em troca do embaixador suiço Giovanni Eurico Bucher, que havia sido seqüestrado no dia 7 de dezembro do ano anterior pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Jean Marc viveu exilado na Europa, onde percorreu vários países, e nos Estados Unidos, até julho de 1973. Durante esse período militou em diversos comitês de solidariedade ao povo brasileiro, transformados mais tarde no Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA).
Em setembro de 1973, encontrava-se no Chile, quando ocorreu o golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende (1970-1973). Após o golpe, Jean Marc criou e coordenou por 30 dias um grupo informal que se encarregou de ajudar os exilados brasileiros a se refugiarem nas embaixadas em Santiago ou a cruzar a fronteira com a Argentina. Centenas de brasileiros e de exilados de outras nacionalidades salvaram-se da repressão chilena com ajuda do grupo. Procurado por militares brasileiros que cooperavam com a ditadura do general Augusto Pinochet, Jean Marc buscou então refúgio na Argentina e a partir de 1974 passou a viver na França, tornando-se um dos principais integrantes do CBA naquele país. Aí fez o curso de pós-graduação em economia rural e foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA) e do Centro de Estudos sobre o Terceiro Mundo e a América Latina (Cetral).
Anistiado em setembro de 1979, retornou ao Brasil e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), participando da criação da Secretaria Agrícola do partido. Em 1980 trabalhou como economista numa empresa privada e participou do Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro e do Instituto Brasileiro de Assessoria Comunitária (Ibrac), do qual foi diretor. Em 1982 fez parte da assessoria do candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PT Lisâneas Maciel e da coordenação da campanha vitoriosa de José Eudes a deputado federal pelo mesmo partido.
No ano seguinte, criou o Projeto Tecnologias Alternativas (PTA) com o objetivo de elaborar projetos de agricultura. Em 1985 saiu do PT, devido “aos constantes atritos com as alas mais sectárias que dominavam o partido no Rio de Janeiro” e ajudou a refundar o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que havia sido extinto pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964. No mesmo ano, coordenou com Liszt Vieira a Frente Rio, que apoiou a candidatura vitoriosa de Roberto Saturnino Braga, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) para prefeito do Rio de Janeiro. Passou a assessorar a direção nacional do PSB em assuntos de política agrícola e agrária, tendo formulado propostas de planos de governo sobre esses temas nas eleições de 1989 e 1994, quando apoiou Luís Inácio Lula da Silva, do PT, para presidente da República.
Em 1990, o PTA transformou-se na organização não-governamental Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), coordenado por Jean Marc, com atuação em dez estados do país e com o objetivo de contribuir para a criação de um novo modelo de desenvolvimento agrícola no Brasil, baseado na agricultura familiar e no uso de tecnologias derivadas dos princípios da agroecologia.
Em novembro de 1996, presidiu o fórum paralelo à plenária da Cúpula Mundial de Alimentação, preparada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Em 1998 tornou-se diretor do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e representante das ONGs no Comitê Executivo do Fórum Global de Pesquisas Agropecuárias.
Jean Marc tornou-se especialista em planejamento participativo e desenvolvimento sustentável e foi ainda coordenador do Fórum Mundial das ONGs e do Consórcio Latino-Americano de Agroecologia e Desenvolvimento (Clades) - que congrega ONGs de oito países da América Latina em torno dos mesmos objetivos do AS-PTA -, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da FAO.
Casou-se com Carla de Melo Vorsats, com quem teve uma filha. Depois teve um segundo casamento, com Mônica Rocha de Castro.