A BATALHA
| Tipo | Temático |
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| Autor(es) | Marieta de Morais Ferreira |
Jornal carioca matutino fundado por Pedro Mota Lima em 20 de dezembro de 1929. Deixou de circular em 1940.
A Aliança Liberal e a Revolução de 1930
Segundo Pedro Mota Lima, A Batalha foi fundado com o objetivo exclusivo de apoiar a Aliança Liberal. Barreto Leite Filho afirma entretanto que o jornal era ligado a um grupo do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então chamado Partido Comunista do Brasil, que defendia a união do operariado com outros setores da sociedade dentro do movimento aliancista. Ainda segundo Barreto Leite Filho, os recursos para a instalação do jornal foram fornecidos por João Pallut, um dos grandes banqueiros do jogo do bicho do Rio de Janeiro, a quem interessava encobrir suas atividades ilegais. Além disso, Pallut era um elemento de ligação com um grupo de políticos mineiros vinculados a Artur Bernardes que tinham interesse em divulgar suas propostas políticas através de um órgão de imprensa.
Fruto da confluência de tantos interesses, A Batalha defendia posições contraditórias, publicando por exemplo em seu primeiro número um editorial de cunho esquerdista que nada tinha a ver com João Pallut e seus amigos bernardistas. Analisando a situação brasileira, afirmava o matutino: “É o feudalismo em choque com a democracia. O que nós, incorretamente, nos habituamos a chamar de partido reacionário, não é senão a sobrevivência da Idade Média nos dias atuais, com todos os seus horrores, todas as suas iniqüidades, toda a sua prepotência... O sr. Washington Luís e seu candidato à sucessão presidencial [Júlio Prestes] não passam de meros representantes de uma pequena casta de 17 senhores feudais, oposta a 40 milhões de seres nascidos após a conquista de 1789. Eles querem o governo não da nação pela nação, mas deles para eles e seus amigos... Para esses dois expoentes do nosso reacionarismo, não há no Brasil questão social, não há miséria, a liberdade é um sonho de demagogia e o Estado um grande e imenso monopólio.”
Na verdade, o único ponto comum entre os diversos interesses representados no jornal era o apoio à Aliança Liberal. Preocupada em dar cobertura aos políticos de oposição, A Batalha noticiava suas viagens e acordos políticos, além de publicar entrevistas com personalidades de destaque como Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente de Minas Gerais e candidato natural à presidência da República, preterido porém pelo presidente Washington Luís. Finalmente, eram ressaltadas as possibilidades de identificação entre os diversos segmentos envolvidos na Aliança Liberal, sendo especialmente acentuadas as afinidades entre o movimento operário e os “tenentes”. Estes últimos recebiam amplo apoio de A Batalha que em janeiro de 1930 protestou contra a prisão de Djalma Dutra, Aristides Correia Leal, Emídio Costa Miranda e Juarez Távora, seus principais líderes. Luís Carlos Prestes, então no exílio, também foi alvo de intensa campanha de solidariedade.
Outra grande preocupação de A Batalha em seus primeiros tempos foi denunciar tentativas de acordo de alguns membros da Aliança Liberal com o governo. Firmino Paim Filho, líder da ala situacionista do governo gaúcho, sofreu severas críticas e foi acusado de vender o Rio Grande do Sul. Essa atitude agressiva do jornal foi atenuada a partir da Convenção Liberal de 2 de janeiro de 1930, quando sua diretoria preferiu reforçar a campanha eleitoral aliancista, evitando dividir a oposição.
Ao lado da luta político-eleitoral, A Batalha denunciou continuamente nesse período o fracasso do governo de Washington Luís no campo econômico, tanto no tocante à política de valorização do café como em relação à política de estabilização cambial. Para o jornal, a crise que abalava a economia brasileira era resultado exclusivo dos erros do presidente da República.
No decorrer de 1930, Pedro Mota Lima vendeu A Batalha a João Pallut, afastando-se do jornal e provocando com isso uma mudança na linha editorial. De fato, a saída de Mota Lima significou o abandono de uma linguagem política mais radical, de defesa das camadas menos favorecidas. Ainda assim, foi mantida a oposição a Washington Luís e a seu candidato Júlio Prestes, vitorioso nas eleições de 19 de março de 1930.
Em função de suas posições, em 3 de outubro de 1930, ao eclodir a revolução no Rio Grande do Sul, A Batalha teve vários de seus jornalistas e funcionários presos. No dia 28 de outubro, entretanto, estando já deposto Washington Luís, o jornal instituiu o concurso “Que castigo merece o sr. Washington Luís?”. Pouco depois foi criada a coluna “O povo vai opinar”, de críticas ao ex-presidente.
O período pós-revolucionário
Com a vitória da Revolução de 1930, a principal razão de ser de A Batalha deixou de existir. O jornal voltou-se então mais abertamente para a defesa dos interesses de João Pallut.
Dirigido por Mozart Lago e tendo como redatores Carlos Sussekind de Mendonça, Raimundo Magalhães Júnior, Eduardo Chermont de Brito e Henrique Pongetti, A Batalha passou a mover campanhas difamatórias e intimidatórias contra aqueles que combatiam o jogo do bicho, denunciando o esquema repressivo da polícia contra os bicheiros. O jornal publicou igualmente diversos artigos em defesa da Light, em consequência de seu débito para com essa companhia. Sofrendo ataques contínuos de José Américo de Almeida, a Light praticamente forçou A Batalha a defendê-la para assim reabilitar sua imagem.
Durante o ano de 1931, A Batalha ainda se manteve próxima do Governo Provisório, seguindo a posição do grupo de políticos bernardistas ligados a Pallut. As ligações do jornal com esse grupo se estreitaram com a entrada de José Guilherme para a direção do matutino. À medida porém que as contradições entre o grupo mineiro e o governo se acentuavam, o jornal foi se aproximando da oposição.
Em maio de 1932, após a morte de José Guilherme, assumiu a direção de A Batalha Júlio Barata, que manteve as posições de seu antecessor.
Ao eclodir a Revolução Constitucionalista em São Paulo, no mês de julho, A Batalha apoiou inteiramente o movimento, seguindo a orientação dos bernardistas. Essa atitude lhe valeu sérios problemas financeiros, que se agravaram ao longo de 1933. No final desse ano, Pallut foi forçado a entregar o jornal a seus credores. Djalma Pinheiro Chagas assumiu a direção do matutino e promoveu intensa oposição ao governo. Por ocasião da eleição de Getúlio Vargas à presidência, em outubro de 1934, afirmava a manchete, na véspera do pleito: “Eleger Getúlio Vargas presidente da República é condenar à morte o Brasil”.
Essa situação durou pouco tempo, sendo o jornal vendido em seguida a Júlio Barata, que assumiu todas as dívidas. Para manter o matutino em funcionamento, o novo proprietário vendeu as máquinas impressoras a Roberto Marinho e passou a imprimir A Batalha nas oficinas do Diário de Notícias. Por outro lado, Júlio Barata se havia comprometido com Getúlio a apoiar seu governo. Interessado na recuperação econômica do jornal, Vargas concedeu a A Batalha a publicidade do Instituto Brasileiro do Café, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e outros órgãos. Graças a esses contratos, o jornal de fato se reequilibrou. Passou também a apoiar a situação.
Em 1935, A Batalha combateu duramente a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e a Revolta Comunista desencadeada em novembro.
Em relação às candidaturas à sucessão presidencial prevista para 1938, o jornal apoiou de início Armando de Sales Oliveira, pois, segundo Júlio Barata, a direção de A Batalha não havia recebido instruções para defender a candidatura oficial de José Américo de Almeida. Ainda segundo seu próprio depoimento, contudo, decepcionado com o grupo armandista, em pouco tempo Júlio Barata passou a defender a tese de que “as eleições não eram viáveis e as duas candidaturas deveriam ser afastadas”. Esse ponto de vista não foi imediatamente veiculado pelo jornal. Somente a partir de outubro de 1937 o matutino começou a se afastar de Armando Sales, para aplaudir integralmente o golpe do Estado Novo em novembro.
Embora tenha sido acusado de apoiar os integralistas e de imprimir uma orientação fascista a seu jornal, Júlio Barata afirma que A Batalha criticou veementemente o golpe integralista de maio de 1938 e foi contrário à política expansionista da Itália e da Alemanha. Quando Hitler invadiu a Tchecoslováquia, Júlio Barata travou uma polêmica com Heitor Muniz, opondo-se à invasão.
Em 28 de dezembro de 1939, Júlio Barata foi nomeado diretor do setor de radiodifusão do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Impossibilitado de escrever em seu jornal por estar vinculado a um órgão do governo, preferiu fechá-lo, vendendo o título às Empresas Incorporadas da União.