FRENTE NACIONALISTA

Organização fundada em 9 de junho de 1955, tendo como principal dirigente o coronel Nemo Canabarro Lucas. Cessou suas atividades no início de 1961, quando entrou em funcionamento o Partido Nacionalista, seu continuador.

Articulada no decorrer de 1954, a frente tinha uma concepção de nacionalismo bastante peculiar, que a diferenciava da grande maioria das organizações nacionalistas surgidas na década de 1950, de atuação mais ou menos próxima dos comunistas.

A Frente Nacionalista definia o nacionalismo como “o regime de liberdade e igualdade das nações e dos homens dentro de cada nação” e preconizava a implantação da empresa nacional em oposição à empresa estatal e à empresa privada capitalista. Na empresa nacional, as figuras do patrão e do trabalhador deixariam de existir como tais, sendo garantidos para todos o trabalho e a propriedade. Em questões internacionais, pregava uma efetiva eqüidistância das nações líderes dos blocos capitalista (Estados Unidos) e socialista (União Soviética).

Atuação

O manifesto lançado pela Frente Nacionalista na data de sua fundação teve como primeiro signatário o político paulista Ademar de Barros, líder do Partido Social Progressista (PSP), o qual, no entanto, retirar-se-ia pouco depois da organização. Os principais pontos discutidos no documento versavam, na esfera econômica, sobre a dívida externa, a industrialização, a penetração do capital estrangeiro e a reorganização agrícola. No campo político, o manifesto pedia a implantação no país de “um autêntico regime de liberdade em prol do homem nacional”.

Após o Movimento do 11 de Novembro de 1955, liderado pelo general Henrique Lott para garantir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart na presidência e vice-presidência da República, os integrantes da Frente Nacionalista resolveram suspender temporariamente o seu funcionamento - sem no entanto extingui-la -, criando, em março de 1956, a Frente de Novembro.

Fechada a Frente de Novembro em novembro de 1956, sob a acusação de constituir um foco de agitação de esquerda, a Frente Nacionalista voltou à atividade. A partir de então, a organização centrou seus esforços na promoção da candidatura do general Lott, ministro da Guerra do governo Juscelino Kubitschek, às eleições presidenciais de 1960, o que já havia sido proposto pela extinta Frente de Novembro.

Em abril de 1959, após o regresso de Lott de viagem que fez aos EUA, a Frente Nacionalista promoveu uma manifestação diante da residência oficial do ministro da Guerra com o objetivo de obter do general um pronunciamento favorável sobre sua candidatura à presidência. Nessa ocasião, Lott admitiu que seria candidato caso os partidos políticos escolhessem seu nome.

Coube à Frente Nacionalista lançar oficialmente a candidatura Lott - e a de João Goulart a vice-presidente - em 4 de junho de 1959, em solenidade realizada na sede da Associação Brasileira de Imprensa. Durante a reunião, a frente inaugurou o primeiro comitê nacionalista em defesa da candidatura de Lott e Goulart, mais tarde instalado num prédio do largo da Carioca, no Rio de Janeiro.

Posteriormente, as convenções nacionais do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Democrático (PSD) indicaram a chapa Lott-Goulart para o pleito presidencial de outubro de 1960.

Durante a campanha eleitoral, a Frente Nacionalista procurou difundir em todo o país a ideia da construção do Partido Nacionalista, o qual, apesar de oficialmente fundado em 31 de janeiro de 1958, não tinha ainda uma existência concreta. O partido - mesmo sem o registro do Tribunal Superior Eleitoral - só entrou de fato em funcionamento em 1961, quando a frente interrompeu definitivamente suas atividades.