GRUPOS DOS ONZE

Movimento também conhecido como Grupos dos Onze Companheiros, criado em fins de outubro de 1963 pelo então deputado federal Leonel Brizola, com o objetivo de lutar pela implantação das chamadas reformas de base (agrária, urbana, educacional, bancária etc.) preconizadas pelo presidente João Goulart, e pela “libertação do Brasil da espoliação internacional”. Foi desarticulado após o movimento político-militar de 31 de março de 1964.

A ideia dos grupos dos Onze, que constituiriam um grupo de pressão mais amplo visando à reestruturação do quadro socioeconômico do país, foi lançada por Brizola através de uma rede nacional de emissoras de rádio. A Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, que era frequentemente utilizada por Brizola em seus apelos à população, centralizou a organização do movimento, recebendo milhares de formulários preenchidos por grupos dos Onze já constituídos. O recrutamento para os grupos também era feito por intermédio de organizações nacionalistas como a Frente de Mobilização Popular, além da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e outras.

Como o nome indica, cada Grupo dos Onze era formado por 11 pessoas, uma das quais o comandava. Onze grupos compunham uma unidade-distrito, 22 distritos constituíam uma província e 11 províncias integravam uma região. Segundo Glauco Carneiro, chegaram a existir no Brasil 1.298 grupos dos Onze. No início de 1964, Brizola afirmou que os grupos já contavam com cerca de duzentos mil integrantes.

Na prática, porém, o movimento nunca teve um funcionamento efetivo. Uma das poucas atividades desenvolvidas de forma mais sistemática foi a venda, a divulgação e a coleta de assinaturas do semanário nacionalista O Panfleto, nos meses de fevereiro e março de 1964.