IMPRENSA POPULAR
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Marieta de Morais Ferreira |
Jornal carioca diário criado em 1948 e fechado em 1958, vinculado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Com o fechamento do jornal Tribuna Popular em dezembro de 1947 (ano da cassação do registro do PCB), tornou-se necessário criar um novo órgão de imprensa que preenchesse as mesmas funções do primeiro: ou seja, um órgão que funcionasse como um jornal de massa, apresentando formulações mais amplas do que o jornal oficial do partido. Com esse objetivo, no decorrer do ano de 1948, foi fundada a Imprensa Popular.
O corpo de redatores do novo jornal permaneceu em sua maior parte o mesmo do Tribuna Popular. Dele participavam Pedro Mota Lima, Aidano do Couto Ferraz, Dalcídio Jurandir, Paulo Mota Lima, Moacir Werneck de Castro e outros.
A continuidade entre os dois jornais não foi entretanto absoluta. Segundo Luís Mário Gazzaneo, a mudança da situação política no país e a consequente ilegalidade do PCB implicaram uma reformulação da linha do partido e do próprio papel da imprensa. Embora guardasse semelhanças com seu antecessor, o Imprensa Popular tinha uma posição mais estreita e sectária, reflexo das novas condições de atuação dos comunistas. Os assuntos ligados ao dia-a-dia da cidade passaram a ser enfocados de maneira limitada. As prioridades e os destaques conferidos a determinados temas obedeciam exclusivamente à ótica da direção do partido.
De acordo com o relato de Gazzaneo, quando foi lançado o manifesto Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares, cada país, através de seu Partido Comunista, coletava suas quotas de assinaturas em prol do apelo à paz. Se, no Rio de Janeiro, acontecesse nesses dias um problema que emocionasse a cidade, o Imprensa Popular não daria a esse fato o mesmo destaque que dava ao comitê da Tijuca, que tinha arrecadado inúmeras assinaturas em favor do manifesto da paz.
A despeito dessas limitações, o Imprensa Popular levou adiante inúmeras campanhas de interesse popular: a campanha “O Petróleo é Nosso”, denúncias de caráter político e econômico, e apoio sistemático às comissões operárias que reclamavam das condições de vida, de trabalho e de salário. No plano internacional, o jornal se empenhou em combater a Guerra da Coréia e a permanência de tropas norte-americanas em Recife e em outras bases brasileiras.
A orientação seguida pelo Imprensa Popular valeu-lhe constantes perseguições e suspensões, como aconteceu entre os meses de abril e setembro de 1953. Além dos problemas trazidos pelas forças da repressão, o jornal - segundo Aidano do Couto Ferraz - enfrentava também dificuldades internas. A partir de 1955, começaram a surgir divergências entre alguns redatores e a direção do PCB. Um exemplo das restrições impostas ao jornal pela cúpula do partido foi a determinação de que só os membros do comitê central poderiam escrever no rodapé.
Essas divergências se aprofundaram em 1956, com a divulgação do Relatório Kruschev denunciando o stalinismo. Os chamados “abridistas” reivindicavam a abertura dos debates nas colunas do jornal e dentro do próprio partido, enquanto os “fechadistas” defendiam uma discussão com limites definidos.
O desfecho desse conflito resultou, em 1957, na cisão e na demissão de grande parte da equipe do jornal. Seguiu-se uma fase difícil que culminou com o fechamento do Imprensa Popular no ano seguinte, em consequência da reformulação da linha editorial do PCB.