MARMITEIROS
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Alzira Alves de Abreu |
Expressão utilizada na campanha eleitoral de 1945 - a partir de uma interpretação de um discurso do major-brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional (UDN) à presidência da República - para designar os partidários de Getúlio Vargas. O candidato getulista era o general Eurico Dutra, apoiado pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (FTB).
Um mês antes das eleições, ou seja, no início de novembro de 1945, a vitória de Eduardo Gomes sobre Eurico Dutra parecia praticamente certa. Os adeptos da candidatura Dutra decidiram então desencadear uma grande campanha que permitisse inverter a situação.
No dia 19 de novembro, em discurso proferido no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Eduardo Gomes atacou Vargas e seu período de governo ditatorial, afirmando que não necessitava dos votos “desta malta de desocupados que apoia o ditador” para se eleger presidente. Após ouvir o discurso, o getulista Hugo Borghi, segundo seu próprio depoimento, foi ao dicionário verificar os significados da palavra “malta”. Aí, além do sentido mais conhecido de “bando, súcia”, encontrou o sentido de “grupo de operários que percorrem as linhas férreas levando suas marmitas, marmiteiros”. Considerando esta última expressão excelente, Borghi passou a declarar através das estações de rádio e de jornais como O Radical que o candidato udenista não precisava dos votos dos marmiteiros, dos que trabalham, dos que lutam pela vida, pois contava com o apoio dos ricos, dos grã-finos, dos privilegiados. Estendendo-se em sua campanha, Borghi afirmava igualmente que Eduardo Gomes era contra os negros, os protestantes e espíritas, as mulheres que exerciam atividades profissionais etc.
Segundo alguns analistas políticos, essa campanha teria sido finalmente responsável pela derrota de Eduardo Gomes.