O METROPOLITANO
| Tipo | Temático |
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| Autor(es) | Marieta de Morais Ferreira |
Jornal carioca semanal fundado em 1959 como órgão oficial da União Metropolitana de Estudantes (UME). Depois de atravessar diferentes fases e inúmeras interrupções, foi extinto em 1969.
Primeira fase: encarte do Diário de Notícias
O Metropolitano surgiu a partir da organização de um grupo de estudantes da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, que decidiu criar um jornal destinado a promover uma maior conscientização no meio estudantil. Entre os seus fundadores destacaram-se Paulo Alberto Monteiro de Barros (mais tarde conhecido pelo pseudônimo de Artur da Távola, Carlos (Cacá) Diegues, Aluísio Leite, Nélson Pompéia, Cosme Alves Neto, José Carlos Avelar, Arnaldo Jabor e José Clemente de Oliveira.
Criado com recursos da UME e tendo como sede as dependências dessa entidade, o novo jornal surgiu como órgão oficial dos estudantes. Saía aos domingos, possuía seis páginas e era impresso gratuitamente nas oficinas do jornal carioca Diário de Notícias, sendo distribuído como um encarte dessa folha. Essa vinculação com o matutino fundado por Orlando Dantas não implicava porém nenhuma subordinação política, gozando o jornal de ampla independência.
Ainda que editado como órgão oficial da UME, O Metropolitano era feito por intelectuais que não estavam diretamente engajados no movimento estudantil, e necessariamente não se envolviam nas questões quotidianas desse movimento. Nas palavras de Sílvio Gomes de Almeida, diretor do jornal de 1961 a 1964, O Metropolitano estava fora da política estudantil stricto sensu. Sua função principal era veicular o debate entre novas alternativas políticas, culturais e ideológicas que contribuíssem para a interpretação histórica da realidade brasileira. Assim, sua orientação era ampla, espelhando as diversas clivagens existentes na época e evitando exprimir a posição de uma determinada tendência. Com isso o jornal transcendia as questões estudantis, colocando-se como um órgão mais formativo e de análise do que informativo. Dentro dessa linha, O Metropolitano discutiu as grandes questões que mobilizaram a opinião pública nacional, tais como as reformas de base (entre elas a universitária), o nacionalismo, a renovação do papel da Igreja na sociedade e o socialismo. Ainda durante essa fase o jornal congregou jovens cineastas como Gláuber Rocha, Cacá Diegues, Leon Hirszman e Davi Neves, e veiculou suas discussões sobre o que mais tarde veio a ser conhecido como o “cinema novo”.
Segunda fase: tablóide
Durante o ano de 1963, com a radicalização política em curso no país, começaram a surgir divergências entre O Metropolitano e a direção do Diário de Notícias, que tentou interferir na linha do semanário. Rechaçadas suas tentativas, o Diário de Notícias não quis mais publicar O Metropolitano como encarte, alegando problemas técnicos e financeiros. Desde então, o semanário estudantil passou a ser distribuído independentemente como tablóide. Ao se iniciar essa nova fase houve também algumas alterações na perspectiva do jornal, que, diante das constantes pressões da direção da UME, passou a dar mais atenção às questões específicas do movimento estudantil, embora ainda se mantivesse como um órgão de debates gerais.
A partir do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, o movimento estudantil começou a sofrer os efeitos da repressão. Um dos resultados imediatos da nova situação foi o fechamento de O Metropolitano e a suspensão de sua circulação por um longo período.
Terceira fase : o pós-1964
Em setembro de 1965, o congresso da UME realizado no Rio de Janeiro foi dissolvido pelo Ministério da Educação com o auxílio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Com isso foi impedida a eleição de uma nova diretoria para o órgão e o movimento estudantil ficou acéfalo no Rio de Janeiro. Com o objetivo de estabelecer um novo canal de comunicação com o movimento estudantil, em dezembro de 1965 foi então lançado um número de O Metropolitano ao qual se pretendia dar periodicidade mensal. A iniciativa não chegou porém a obter êxito, uma vez que nos meses seguintes o jornal não voltou a ser editado.
Em abril de 1966, as lideranças estudantis se reuniram para criar uma comissão de delegados dos diretórios centrais de estudantes, (DCEs), constituída por dois representantes de cada diretório. O objetivo dessa nova comissão era orientar o movimento estudantil até que se estruturasse uma nova UME , cuja diretoria deveria ser eleita ainda naquele ano. Dentro desse quadro O Metropolitano novamente foi relançado em junho de 1966, como órgão oficial da Comissão Inter-DCEs. Elaborado por um grupo de estudantes sob a inspiração do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o jornal voltou a circular com formato grande e com periodicidade irregular.
Com a reestruturação da UME em outubro de 1966 e a eleição de Daniel Aarão Reis Filho para a presidência da entidade, O Metropolitano foi reestruturado, passando a ter uma orientação voltada estritamente para o movimento estudantil. Nessa nova fase o jornal voltou a ter o formato de tablóide, mas manteve uma periodicidade irregular. Nos anos seguintes, durante as gestões de Vladimir Palmeira (1967-1968) e Carlos Alberto Muniz (1968-1969) na presidência da UME, o jornal manteve as mesmas características.
Com a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em dezembro de 1968 e o aumento da repressão ao movimento estudantil, a UME tornou-se clandestina, desaparecendo durante o ano de 1969. O Metropolitano, como seu órgão oficial, teve o mesmo destino.