MOVIMENTO CONTRA A DITADURA

Movimento idealizado durante o XVIII Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Belo Horizonte em julho de 1966. Seu objetivo era formar uma frente contra o regime militar, congregando estudantes, operários e camponeses na luta pelo restabelecimento das liberdades democráticas no país.

A UNE encontrava-se na ilegalidade desde abril de 1964, quando foi fechada pelas autoridades militares. Em novembro desse mesmo ano, o ministro da Educação, Flávio Suplicy de Lacerda, baixou uma lei - conhecida como Lei Suplicy - criando o Diretório Nacional dos Estudantes (DNE) e os diretórios estaduais dos Estudantes (DEEs). A Lei Suplicy proibiu ainda os universitários de fazer greves e de desenvolver atividades políticas.

A ideia do Movimento contra a Ditadura (MCD) foi lançada no congresso da UNE pela Ação Popular (AP), organização de esquerda de matriz católica, na época amplamente dominante no movimento estudantil. Foi graças a essa hegemonia que a proposta do MCD, mesmo sofrendo a oposição de outras tendências, conseguiu ser aprovada na reunião. As críticas da Política Operária (Polop) e das várias cisões ocorridas nas seções estaduais do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no decorrer de 1966, as chamadas “dissidências”, vinculavam-se basicamente à falta de representação do movimento operário dentro do MCD. Já o PCB considerava o MCD uma iniciativa radical, uma vez que acreditava que a Lei Suplicy poderia ser utilizada pelas “forças democráticas”.

Na prática, o MCD não conseguiu se concretizar, em parte devido à oposição encontrada no interior do próprio movimento estudantil, e sobretudo devido às condições políticas existentes no país, visto que os trabalhadores rurais e urbanos estavam em franco processo de desmobilização e suas entidades de classe se encontravam sob intervenção governamental. Por outro lado, o próprio nome do movimento lhe conferia um caráter semilegal, reduzindo-lhe as possibilidades de granjear adeptos em setores que, ao contrário do estudantil, resistiam à ideia de passar à semiclandestinidade.

O ponto alto do MCD correspondeu às eleições legislativas de novembro de 1966, quando a UNE propôs o voto nulo e a colocação da sigla do movimento nas cédulas eleitorais. Essa orientação, contudo, foi seguida basicamente pelos elementos ligados à AP. Devido à pouca receptividade alcançada, a ideia do MCD foi abandonada em meados de 1967.

Entretanto, nas áreas onde a AP logrou manter um contato mais ou menos estreito com as bases operárias e camponesas, como no interior de São Paulo, os núcleos do MCD sobreviveram pelo menos até final de 1968.