MOVIMENTO NACIONAL POPULAR TRABALHISTA (MNPT)
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Sérgio Lamarão |
Organização criada no meio sindical em maio de 1955 com o objetivo de obter o apoio dos sindicatos para os candidatos às eleições presidenciais de outubro daquele ano que apresentassem uma plataforma nacionalista e de defesa dos interesses populares. Acusado de ser controlado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), cessou suas atividades após a eleição de Juscelino Kubitschek e João Goulart.
O MNPT lançou seu programa em 12 de junho de 1955, afirmando que apoiaria o candidato à presidência que se comprometesse “a defender as liberdades democráticas e sindicais, a soberania nacional, a indústria nacional, o monopólio estatal do petróleo, as nossas riquezas naturais, o ensino primário obrigatório e gratuito, a reforma agrária democrática e os interesses do campesinato”. O candidato deveria igualmente lutar “contra a carestia…, pela elevação dos salários e do salário mínimo de acordo com o custo de vida”, e pelo estabelecimento de relações com todos os países.
O documento também apresentava algumas reivindicações imediatas dos trabalhadores, que incluíam a garantia do direito de greve e de organização e representação das entidades sindicais nos locais de trabalho, a entrega dos fundos recolhidos através do imposto sindical aos sindicatos, a passagem da direção dos institutos e caixas de aposentadoria e pensões a trabalhadores eleitos diretamente pelos segurados, o pagamento de salário igual por trabalho igual às mulheres e aos jovens, a extensão da legislação social aos trabalhadores do campo etc.
O programa era assinado por conhecidos líderes sindicais comunistas como Roberto Morena, Benedito Cerqueira, Ramiro Luchesi e Jocelin Santos, e por não-comunistas como Ari Campista, que ocupava a presidência do movimento, e Salvador Lossaco.
No início de setembro de 1955, o congresso nacional do MNPT, reunido em São Paulo, decidiu apoiar as candidaturas de Juscelino Kubitschek e João Goulart respectivamente à presidência e à vice-presidência da República, lançadas pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Um mês antes, a direção do PCB já havia indicado os nomes de Kubitschek e Goulart por se terem ambos declarado dispostos a lutar “em defesa da Constituição e das liberdades democráticas e pela melhoria das condições de vida do povo”.
A decisão do congresso desagradou Ari Campista que, ainda durante o encontro, afirmou não estar disposto a fazer o papel de “inocente útil” dos líderes sindicais comunistas, e os acusou - em particular a Roberto Morena - de trair os trabalhadores, vendendo a posição política do MNPT aos líderes do PSD e do PTB. Após o discurso, Campista renunciou à presidência do movimento.
Vitoriosos nas urnas, Kubitschek e Goulart foram acusados pelos partidos derrotados, liderados pela União Democrática Nacional, de terem firmado aliança eleitoral com os comunistas através do MNPT. Entre outros pontos, Kubitschek teria prometido legalizar o PCB em troca do apoio comunista à sua campanha.