PARTIDO SOCIALISTA AGRÁRIO E RENOVADOR TRABALHISTA (Pasart)

Partido político nacional criado em 1985 por Aarão Steinbruch e dissolvido em 1992.

O Pasart publicou manifesto, estatutos e programa no Diário Oficial de 14 de junho de 1985. Após apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral requerimento assinado por José Queirós Campos e Aarão Steinbruch, obteve em 22 de julho seguinte seu registro provisório. Seu número eleitoral era o 30. Na sua criação, contava com diretórios regionais nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais. Posteriormente foi também organizado um diretório no Ceará.

Seu principal líder e também fundador, Aarão Steinbruch, ex-deputado federal e ex-senador pelo estado do Rio de Janeiro, tinha tido em 1969 o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos. Ao fundar o Pasart, não era a primeira vez que Steinbruch se envolvia com um partido em formação: em 1962 apostara num pequeno partido, o Movimento Trabalhista Renovador (MTR), de Fernando Ferrari, deixara o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, sob a nova legenda, se elegera senador. O Pasart, segundo Steinbruch, se inspirava no MTR, cujo slogan era “Arados em mãos limpas”. Sua criação foi a forma encontrada por Steinbruch de poder fazer política sem ser obrigado a se submeter a influências político-partidárias avessas à sua vontade, fato que, desde 1979, vinha fazendo com que trocasse constantemente de partido.

O Pasart se definia como um partido de esquerda, que pretendia a integração dos trabalhadores rurais à vida política do país. Assumia o compromisso de lutar pela “autonomia do proletariado citadino e rural” sob os fundamentos da democracia representativa e proclamava o trabalho como o único instrumento de transformação dos recursos naturais em riquezas, caminho para a construção de um “socialismo agrário e trabalhista”. Suas principais propostas eram a reforma agrária ampla, com a entrega de terras aos camponeses; a intervenção estatal lenta e seletiva na economia; a reforma da legislação trabalhista, e uma política habitacional, educacional e de saúde voltada para a população carente.

O Pasart participou de três eleições: 1985, 1986 e 1988. Em 1985 concorreu à prefeitura do Rio de Janeiro. Seu candidato foi Aarão Steinbruch, que obteve o sexto lugar com 162.362 votos, correspondentes a 6,6% do total. Em 1986, Steinbruch concorreu ao governo do estado do Rio de Janeiro e obteve 221.289 votos, equivalentes a 3,6%. Nessa mesma eleição o partido conseguiu eleger dois deputados estaduais no estado do Rio: Noé Martins, com 8.982 votos, e Nicanor Campanário, com 5.951. Em 1988, dois vereadores foram eleitos na legenda do Pasart no município do Rio de Janeiro: Jorge Pereira, com 6.781 votos, e o próprio Aarão Steinbruch, com 40.126 votos. Esta foi a única eleição ganha por Steinbruch no Pasart.

O Pasart foi um partido tipicamente fluminense. Na sua criação contava com três mil filiados no estado do Rio de Janeiro e seis mil no Brasil. Encerrou suas atividades logo após as eleições de 1988, deixando definitivamente de existir com a morte de seu fundador e maior representante, Aarão Steinbruch, em 13 de outubro de 1992.