PARTIDO SOCIALISTA REVOLUCIONÁRIO (PSR)

Dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então chamado Partido Comunista do Brasil, formalizada no final de 1937 devido à discussão sobre a sucessão presidencial de Getúlio Vargas nas eleições marcadas para 3 de janeiro de 1938.

Já no decorrer de 1936, a questão sucessória dividia o Partido Comunista. Uma ala, liderada por Hermínio Sachetta e formada basicamente pelo comitê regional de São Paulo e por setores estaduais em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraná, lançou a candidatura simbólica à presidência da República de Luís Carlos Prestes, dirigente comunista preso desde março daquele ano. A inciativa foi apoiada pelos trotskistas da Liga Comunista Internacionalista. Outra ala, centrada em Lauro Reginaldo da Rocha, o Bangu, secretário-geral do PCB e membro do bureau político do partido, sediado no Rio de Janeiro, mostrou-se favorável ao candidato getulista José Américo de Almeida, seguindo a orientação da III Internacional segundo a qual os partidos comunistas deviam estabelecer alianças com as burguesias nacionais.

A disputa atingiu seu clímax em agosto de 1937, quando a direção nacional do PCB optou pela posição defendida por Bangu. Essa decisão levou Sachetta - um dos principais redatores de A Classe Operária, órgão oficial do partido - e seus companheiros do comitê regional de São Paulo a abandonarem o PCB no final de 1937. Alvo de severas críticas por parte da imprensa partidária, o grupo dissidente foi reduzido a menos de cem pessoas. Aproximando-se dos trotskistas do Partido Operário Leninista, os dissidentes aderiram à IV Internacional, organizada formalmente em 1938 em Paris. As posições do grupo eram veiculadas através do jornal Orientação Socialista.

Com o golpe do Estado Novo, desferido em novembro de 1937, os dissidentes liderados por Sachetta - a exemplo das demais organizações de esquerda que atuavam no país - sofreram severa repressão por parte da polícia política de Vargas. Em 1943, o grupo passou a se denominar Partido Socialista Revolucionário, tendo como secretário-geral Hermínio Sachetta e mantendo o jornal Orientação Socialista sob seu controle. Nessa mesma época, através da organização trotskista norte-americana Socialist Workers Party, o novo partido filiou-se diretamente à IV Internacional, representando aí a seção brasileira,

Com o fim do Estado Novo em 1945, o PSR participou, através da Coligação Democrática Radical, das eleições para a Assembleia Constituinte realizadas em dezembro daquele ano. Seu programa pregava a defesa das liberdades democráticas e da independência dos sindicatos em relação ao Estado. No Congresso Sindical de 1946, seus delegados voltaram a se bater contra o arrolamento dos sindicatos ao Ministério do Trabalho.

Em 1952, o PSR desligou-se da IV Internacional devido a divergências com a orientação impressa por Michel Pablo à organização. Nesse mesmo ano, o partido dissolveu-se, restando apenas um núcleo em São Paulo que, mais tarde, em 1956, juntamente com militantes de outras tendências da esquerda, daria origem à Liga Socialista Independente.