BERALDO, João Tavares Correia

João Tavares Correia Beraldo nasceu no distrito de Silvianópolis, então chamado Santana do Sapucaí de Pouso Alegre (MG), no dia 20 de fevereiro de 1891, filho de Jonas Correia Beraldo e de Maria Eduarda Tavares Beraldo.

Fez os estudos primários em Silvianópolis e o curso secundário nos ginásios de Pouso Alegre e Itajubá (MG), ingressando mais tarde na Faculdade de Direito de Belo Horizonte. Ainda acadêmico, em 1914 candidatou-se extrachapa a deputado estadual, obtendo expressiva votação. Em 1916 bacharelou-se pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, no Distrito Federal.

Eleito em 1918 vereador à Câmara Municipal de Pouso Alegre, tornou-se nesse mesmo ano deputado em seu estado. Renovou o mandato seguidamente até 1930, integrando, nesse período, a Comissão de Legislação e Justiça e a Comissão de Finanças da Assembleia mineira. Exerceu ainda as funções de primeiro-secretário e de presidente interino dessa casa, bem como as de vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de sua cidade.

Após a Revolução de 1930, foi nomeado prefeito de Pouso Alegre pelo presidente estadual Olegário Maciel. Iniciado o processo de reconstitucionalização do país, deixou em 1933 a prefeitura, elegendo-se, em maio desse ano, deputado à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Progressista (PP) de Minas Gerais. Assumindo sua cadeira em novembro seguinte, participou dos trabalhos constituintes até a promulgação da nova Carta, em julho de 1934, tendo o mandato prorrogado até maio do ano seguinte. No pleito de outubro de 1934 elegeu-se deputado federal na legenda do PP, mas teve seu mandato suspenso em novembro de 1937, quando, com a implantação do Estado Novo, foram suprimidos os órgãos legislativos do país.

Durante o Estado Novo exerceu as funções, entre 1938 e 1941, de secretário do Interior de Minas Gerais, na gestão do interventor Benedito Valadares. Ainda nesse período, trabalhou como juiz de direito, exercendo a magistratura nas comarcas mineiras de Cabo Verde, Cambuí e São Gonçalo do Sapucaí, e atuou como depositário judicial do Distrito Federal. Em maio de 1941 deixou suas funções públicas para assumir, em Juiz de Fora (MG), a diretoria do Banco de Crédito Real de Minas Gerais.

Com a redemocratização do país em 1945, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), cuja comissão executiva integrou. Em fevereiro de 1946, nomeado pelo presidente Eurico Dutra para substituir Nísio de Oliveira, tornou-se interventor em Minas Gerais, encarregado de proceder às eleições para a Assembleia Constituinte estadual em janeiro de 1947. Deixou, contudo, esse cargo em agosto do mesmo ano, substituído por Júlio de Carvalho, e reassumiu seu posto na diretoria do Banco de Crédito Real. Foi presidente do banco de 1951 a 1953.

Foi também proprietário agrícola e jornalista, tendo colaborado em vários jornais da capital e do interior de Minas Gerais.

Faleceu em Juiz de Fora no dia 17 de março de 1960.

Contraiu dois matrimônios: o primeiro com Hermantina Schumann Beraldo, que lhe deu dois filhos, entre os quais Wilson João Beraldo, deputado estadual (1947-1951) eleito pelo PSD de Minas Gerais; e o segundo com Zuleica Teixeira Marinho Beraldo.