ALBUQUERQUE, Hermes Malta Lins

Hermes Malta Lins de Albuquerque, atuando sob o pseudônimo de Natan, foi, segundo o organograma definido no processo do Tribunal de Segurança Nacional, o organizador-geral das ações militares do levante integralista deflagrado em 11 de maio de 1938 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. O movimento, apoiado por alguns oposicionistas liberais, visava à deposição de Getúlio Vargas, que em novembro do ano anterior decretara o Estado Novo, suspendendo as atividades político-partidárias e as eleições presidenciais previstas para 1938. A Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista liderada por Plínio Salgado, decidiu-se pela deflagração do golpe de mão contra Vargas depois de ter sido fechada e marginalizada da partilha do poder no novo regime.

O principal episódio do levante foi o ataque ao palácio Guanabara, residência do presidente da República, acompanhado de operações que visavam à tomada da Ministério da Marinha e a captura de autoridades em suas residências. Coube a Hermes de Albuquerque dirigir pessoalmente o grupo de assalto que pretendia prender o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército. Uma parte do grupo ficou nas imediações do prédio, situado em Copacabana, enquanto outros revoltosos arrombaram a porta principal e subiram até o apartamento em que Góis Monteiro morava. Segundo o depoimento prestado pelo general ao Tribunal de Segurança Nacional, os assaltantes, após baterem em sua porta com violência, “para estabelecer o terror, fizeram forte tiroteio na rua... Todo o edifício estava cercado e o grupo assaltante devia ser superior a 30 homens”. Depois de 15 minutos de indefinição, os revoltosos se retiraram sem conseguir seu intento. Apesar da precária resistência legalista, o golpe foi dominado em poucas horas, seguindo-se a prisão ou o exílio das principais lideranças integralistas, cujo movimento nunca mais recuperou a força que tinha em meados da década de 1930. No mesmo dia do frustrado levante, Hermes de Albuquerque refugiou-se na embaixada italiana.