CONFEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS DO BRASIL (CACB)
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Sérgio Lamarão |
Associação civil de âmbito nacional, com sede na cidade do Rio de Janeiro, criada em 19 de julho de 1963. Foi precedida pela Federação das Associações Comerciais do Brasil, fundada a 31 de maio de 1912. Foi reconhecida como órgão técnico e consultivo em 29 de agosto de 1969, pelo Decreto nº 65.078, e como entidade representativa da classe empresarial junto ao Congresso Nacional em 28 de junho de 1973, pelo Ato nº 1/73 da Câmara dos Deputados.
O objetivo central da Confederação das Associações Comerciais do Brasil é “pugnar por um sistema econômico, político-social e cultural baseado na liberdade individual, na livre iniciativa, na igualdade de oportunidades e na responsabilidade, tendo por fim a harmonia e o bem-estar social”.
A CACB é constituída pelas federações das associações comerciais, industriais e agropastoris dos estados, as quais, por sua vez, agrupam as associações comerciais, industriais e agropastoris de base municipal. A confederação também é integrada por associações comerciais a ela diretamente filiadas e por outras entidades civis e empresariais, cuja filiação fica a critério de seu conselho diretor. A confederação deve incentivar a criação de federações nos estados onde estas ainda não existam.
Organização e competência
A CACB possui dois poderes internos: o conselho diretor e a diretoria. O conselho diretor é o órgão máximo da confederação e é constituído pelos presidentes das federações de associações comerciais dos estados e do Distrito Federal, e das associações comerciais das capitais dos estados onde não houver federação. O conselho reúne-se ordinariamente nos meses de junho e novembro de cada ano e extraordinariamente quando convocado pelo presidente ou por requerimento de 1/3 de seus membros. A diretoria é o órgão executivo-administrativo da entidade. É integrada por um presidente, um primeiro-vice-presidente, oito vice-presidentes, um diretor-secretário e um diretor-tesoureiro que são eleitos por voto secreto e direto pelos presidentes de federações e de associações ou por seus substitutos legais, ou ainda por representantes credenciados das filiadas, para um período de dois anos. A diretoria reúne-se, por convocação do presidente, ordinariamente nos meses de junho e novembro de cada ano e extraordinariamente sempre que necessário.
A CACB possui ainda seis órgãos operacionais de cooperação e assessoramento: a secretaria executiva, o conselho superior consultivo da ação empresarial, o instituto de estudos econômicos e sociais, a vice-presidência para assuntos internacionais, o centro de coordenação e atendimento dos serviços de proteção ao crédito e de informações mantidos pelas associações comerciais e o núcleo operacional em Brasília.
História
Coube à Associação Comercial do Rio de Janeiro a iniciativa de fundar a Federação das Associações Comerciais do Brasil (FACB), em 1912, durante a presidência de Luís de Freitas Vale, barão de Ibirocaí. A justificativa para a criação do novo órgão foi a necessidade de se unificar a defesa dos interesses do comércio nacional, fortalecendo as formas de pressão da classe junto ao governo. Aderiram inicialmente à federação as associações comerciais do Amazonas, Espírito Santo, Ceará, Piauí, Bahia, Pará, Alagoas, Sergipe, Paraná e das cidades de Santana do Livramento (RS), Porto Alegre, Pelotas (RS), Açu (RN), Santos (SP) e Niterói.
Em 8 de junho de 1912, foram aprovados os estatutos da FACB, baseados em projeto da ACRJ, e eleitos os membros da primeira diretoria. Pelos estatutos, os cargos de presidente, secretário e tesoureiro da federação seriam exercidos pelos indivíduos que ocupassem funções correspondentes na Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Entretanto, a FACB nunca conseguiu firmar uma identidade própria, funcionando na prática acoplada à ACRJ. A federação incumbia-se, predominantemente, de facilitar a comunicação entre as diversas associações comerciais existentes no país e a Associação Comercial do Rio de Janeiro, indiscutivelmente a mais importante do Brasil, conferindo assim uma representação nacional às posições do comércio “quando se tratava de enfrentar questões de âmbito e importância generalizada”.
A partir de meados da década de 1920, a documentação oficial da ACRJ passou a incluir a federação, ou seja, os relatórios passaram a ser apresentados em nome de ambas as instituições. Essa superposição de atuações se consubstanciou no co-patrocínio, pela federação, de numerosas iniciativas da associação, e no apoio dado a uma série de reivindicações e posições defendidas pela ACRJ.
Em 19 de julho de 1963, em reunião realizada em Belo Horizonte durante a VI Conferência Brasileira de Comércio Exterior, a FACB passou a se denominar Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB). A mudança de nome deveu-se à fundação de federações comerciais em vários estados brasileiros, “o que estaria acarretando certa confusão com o órgão nacional”.
A primeira reunião plenária da CACB teve lugar no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1963. Na ocasião, o presidente da confederação e da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Rui Gomes de Almeida, ao delinear a orientação da nova entidade, afirmou que ela “teria muito mais maleabilidade do que a antiga Federação das Associações Comerciais do Brasil, e maior campo de atuação no território nacional, representada através de seus vice-presidentes escolhidos pelo critério das regiões geoeconômicas do país”. Segundo os novos estatutos, tinham “voto igualitário todas as unidades da Federação... desfazendo-se a disposição antiga em que os estados de maior poder econômico e com maior número de entidades de classe possuíam maior número de votos nas decisões da Federação das Associações Comerciais do Brasil”.
Nessa reunião plenária foi apresentado o documento Ao governo da República, de autoria de Rui Gomes de Almeida, que retratava com nitidez as preocupações do empresariado brasileiro diante do momento de crise que o país atravessava, caracterizado por um crescente conflito entre o capital e o trabalho. O documento afirmava que a instabilidade político-econômica do Brasil era provocada pelas greves, pela inflação galopante, pela diminuição das taxas de crescimento da economia e pela “infiltração comunista-esquerdista” nos órgãos governamentais. Indiretamente, o governo João Goulart era acusado de conivência com a esquerda, na medida em que decretava o fechamento do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), entidade mantida pelo empresariado, mas permitia o livre funcionamento da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), órgão de cunho nacionalista integrante da estrutura do Ministério da Educação e Cultura.
O documento provocou ampla discussão entre os presentes, e o representante do Paraná chegou a pedir o impeachment de Goulart. No entanto, a grande maioria manifestou-se contrária à adoção de medidas “extralegais”, firmando posição a favor da conclusão do mandato do presidente da República. No final da reunião, Rui Gomes de Almeida fez questão de frisar que a CACB não pregava “o extermínio dos elementos comunistas, mas sim sua exclusão da administração pública”.
Depois da reunião plenária de 25 de setembro de 1963, a primeira após a criação da CACB, o conselho diretor só voltou a se reunir em 9 de dezembro de 1971, já sob a presidência de Raul de Góis. A partir de 1972, o conselho diretor passou a se reunir no mínimo duas vezes por ano, conforme previa o estatuto. Contudo, apesar das disposições estatutárias que recomendavam uma atuação autônoma, a confederação não logrou se desligar da Associação Comercial do Rio de Janeiro, não se alterando significativamente a conduta seguida pela antiga federação.
Em maio de 1979, durante a reunião do conselho diretor da CACB em Salvador, o presidente Rui Barreto lançou o Programa de Ação Política Empresarial. A iniciativa representou uma tentativa de ampliar a participação do empresariado na vida política do país, sobretudo do pequeno e do médio empresário, reforçando e dinamizando as relações empresariado-Poder Legislativo-Poder Executivo. O programa partia do princípio de que há “um laço indissolúvel entre a liberdade política e a permanência e o fortalecimento da iniciativa privada”, e entre a “vocação democrática” do povo brasileiro e a “construção de uma economia de mercado”. Como apoio à implementação da Ação Política Empresarial foi criado um sistema de multimídia, a Comercial Net, interligando as empresas participantes das associações comerciais.
Alterações no estatuto da CACB em 1989 suscitaram uma série de divergências entre a confederação, a Associação Comercial do Rio de Janeiro e as demais associações comerciais, o que acabou provocando o desligamento de algumas federações estaduais no ano seguinte e a criação, por elas, do Conselho Nacional de Associações Comerciais (Conasc), sediado em Brasília. Em 1993, contudo, essas federações reintegraram-se à CACB.
No nível de representação nacional, a CACB integra os conselhos deliberativos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF). Também participa do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, do Ministério da Justiça e da Comissão Interministerial do Programa do Artesanato Brasileiro. No que se refere à representação internacional, a CACB tornou-se, a partir de julho de 1996, a seção brasileira da Comissão Interamericana de Arbitragem Comercial, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA). Além disso, a CACB tomou a iniciativa de criar a Corte Brasileira de Arbitragem Comercial, instituto destinado a dirimir dúvidas e solucionar impasses, que funciona como um tribunal empresarial em nível internacional.
Em setembro de 1998, a CACB era integrada por mais de 2,5 milhões de empresas em todo o país, pessoas físicas e jurídicas de todos os setores da atividade econômica (comércio, indústria, agricultura, pecuária e prestação de serviços), através de 1.600 associações comerciais municipais e 27 federações estaduais.