MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE (MEB)
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Luís Antônio Cunha |
Programa nacional nascido da experiência com escolas radiofônicas, lançada pelo bispo Eugênio Sales em Natal em 1958. Jânio Quadros, quando presidente da República, determinou que o governo federal fornecesse recursos para a generalização desse movimento por intermédio das emissoras católicas, através de convênios com o Ministério da Educação e Cultura e outros órgãos da administração federal.
O MEB, criado pelo Decreto nº 50.370, de 21 de março de 1961, deveria executar um plano qüinqüenal (1961-1965), que previa inicialmente 15 mil escolas radiofônicas, e deveria expandir-se nos anos subseqüentes. Para cumprimento do decreto, foi assinado no mesmo dia um convênio entre o Ministério da Educação e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
As atividades do MEB tinham como unidade básica de organização o “sistema” (composto de professores, supervisores, locutores e pessoal de apoio), encarregado da preparação dos programas e sua execução através da emissora da diocese local e do contato com as classes de aula. No funcionamento das escolas radiofônicas estavam presentes os monitores, colaboradores voluntários do movimento, escolhidos na própria comunidade, treinados pelo MEB e encarregados de provocar discussões sobre o assunto da aula transmitida pelo rádio, de verificar os exercícios e estimular os alunos para o estudo. Todos estavam ligados ao sistema, que atuava em uma área geográfica determinada, podendo existir vários sistemas num mesmo estado. Em 1961 o MEB estabeleceu 11 sistemas atuando em sete estados; alguns estados, entretanto, contavam com uma equipe estadual especialmente treinada que coordenava as atividades dos diversos sistemas.
No plano nacional, o movimento era dirigido por um conselho diretor nacional (CDN) composto de nove bispos e arcebispos, entre os quais Eugênio Sales, José Vicente Távora, José Maria Pires e Avelar Brandão. Contudo, do plano nacional até o plano descentralizado local, o movimento era inteiramente organizado e administrado por leigos. A maioria dos leigos que trabalhava com o MEB vinha dos setores da Ação Católica, principalmente estudantes secundaristas e universitários, que já percebiam a possibilidade de empregar a “educação de base” como um meio para se aproximarem das classes populares, utilizando-a como um mecanismo de mobilização sociocultural e política. O objetivo do MEB não era apenas a alfabetização, mas principalmente a mobilização social ou politização, através do conceito de conscientização.
O MEB operava nas zonas mais atrasadas e subdesenvolvidas do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e norte de Minas Gerais. Entretanto, em virtude do Decreto nº 52.267 do governo federal, em 1963 o MEB ampliou seu âmbito geográfico de atuação e se desdobrou em novas escolas e sistemas, a fim de atender todas as “áreas desenvolvidas do país”.
O crescimento do MEB foi muito rápido. Depois de dois anos de funcionamento, já operava 59 sistemas com quase 7.500 escolas e 180 mil alunos, utilizando 25 radiotransmissores em 15 estados, a maioria na região Nordeste. Por volta de 1966, quatrocentos mil estudantes tinham completado um ou mais cursos e 13.771 líderes tinham recebido diploma.
Progressivamente, iriam se refletir no movimento as transformações do pensamento dos cristãos no Brasil e a crise atravessada pela Juventude Universitária Católica (JUC).
Após 1964, ocorreu uma retração do MEB para algumas dioceses do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A partir de 1971, o MEB passou a atuar em convênio com o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).