UNIAO DOS TRABALHADORES INTELECTUAIS
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Organização fundada em 20 de março de 1945 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, com o objetivo de “congregar todos aqueles que trabalham em quaisquer dos ramos da atividade intelectual (escritores, cientistas, profissionais liberais, professores, estudantes, jornalistas, músicos, artistas plásticos, homens de teatro, cinema e rádio, redatores de publicidade, técnicos de administração etc.) para uma participação ativa na campanha de democratização do país”.
Declarando-se de acordo com “a afirmação democrática do I Congresso Brasileiro de Escritores”, realizado em São Paulo em janeiro de 1945, a União dos Trabalhadores Intelectuais (UTI), entre outros pontos, pregava o repúdio à Constituição corporativista de 1937, o julgamento das atividades do Estado Novo que atentavam contra a nação, a restauração e a defesa das liberdades públicas e individuais, a anistia ampla e irrestrita, a implantação de um regime democrático emanado de uma Constituinte eleita pelo sufrágio universal direto e secreto, o combate à carestia, à especulação e à inflação, a revisão do sistema agrário e industrial do país, com o aproveitamento dos recursos naturais, o desenvolvimento do mercado interno e o aumento do poder aquisitivo das massas trabalhadoras. Eram também defendidos o apoio à Força Expedicionária Brasileira (FEB), a intensificação do esforço de guerra do Brasil contra o fascismo internacional e, ainda, o estabelecimento de relações diplomáticas com a União Soviética.
Por outro lado, a organização manifestou seu apoio à candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes às eleições presidenciais previstas pelo Ato Adicional de 28 de fevereiro, pois o candidato se propunha a instaurar no país “um regime no qual se [tornaria] possível a aplicação e a fiscalização das medidas pleiteadas” no programa da UTI.
A UTI concedeu prioridade absoluta à campanha pró-anistia, defendendo a libertação de Luís Carlos Prestes, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Defendeu também a concessão de uma licença para que os dirigentes liberais no exílio, Armando de Sales Oliveira e Otávio Mangabeira, retornassem ao país.