CABOCLO, Liberato
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José Liberato Ferreira Caboclo nasceu no dia 14 de março de 1938, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, filho de Raimundo Ferreira Caboclo e de Deolinda de Oliveira Caboclo.
Diplomado pela Faculdade Nacional de Medicina, atual faculdade de medicina da UFRJ, em 1955, pós-graduou-se nesta instituição e na antiga Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
No exercício da profissão, entre 1964 e 1965, foi assessor técnico do Hospital Estadual Carlos Chagas, no Rio de Janeiro, até tornar-se médico do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Em 1968, ingressou como livre docente em cirurgia geral na UEG e foi redator da revista médica da instituição. No ano seguinte, iniciou o curso de doutorado no Instituto Karolinska, de Estocolmo, que concluiu em 1970. Regressando imediatamente ao Brasil, deu aulas de cirurgia na UFRJ, como professor-adjunto. Em 1971, como professor titular, ensinou cirurgia na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP). De 1979 a 1980, exerceu a superintendência do Hospital de Base desta instituição.
Trabalhou como pesquisador associado do Lennox Hill Hospital, de Nova York (EUA), de 1986 a 1990, ano em que se desligou do Instituto da Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS), entidade que sucedera ao INPS. Na mesma ocasião, abandonou o magistério superior.
No pleito de outubro de 1990, pretendeu ser candidato a deputado federal na legenda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em São Paulo, mas não foi aceito: o partido preferiu concentrar votos em Antônio Rezk, que não se elegeu. Liberato Caboclo candidatou-se e venceu as eleições concorrendo na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Empossado em fevereiro de 1991, participou dos trabalhos legislativos como vice-líder do PDT, membro titular da Comissão de Seguridade Social e Família, e suplente da Comissão de Constituição e Justiça.
Na sessão que a Câmara dos Deputados realizou em 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação, Collor renunciou ao mandato, em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.
Naquele ano Caboclo participou de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou irregularidades na compra da Viação Aérea São Paulo (VASP), tendo denunciado a tentativa de suborno que contra ele praticara o proprietário da companhia aérea, Vagner Canhedo.
Em 1993, na condição de membro da comissão especial sobre propriedade industrial, lutou pelo direito de patente para os produtos farmacêuticos, nutritivos e biotecnólogicos. Em 1994, como presidente do diretório estadual do PDT, apoiou a candidatura de Francisco Rossi ao governo de São Paulo.
Nas principais matérias constitucionais apresentadas à apreciação da Câmara entre 1991 e 1995, votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), fonte complementar de recursos para a Saúde, mas faltou à sessão em que se criou o Fundo Social de Emergência (FSE), através do qual o governo tornou-se capaz de desvincular 20% dos recursos destinados à Saúde e à Educação. Na mesma legislatura, opôs-se à extinção do voto obrigatório.
Concorreu à reeleição em outubro de 1994, na legenda do PDT. Arrolado na lista dos suplentes, deixou a Câmara ao término do mandato.
Frustrado em duas tentativas anteriores, conseguiu afinal eleger-se prefeito de São José do Rio Preto, no pleito de outubro de 1996, com o apoio do PDT e do Partido da Frente Liberal (PFL). Empossado em janeiro do ano seguinte, sua gestão foi marcada por atos polêmicos como o bloqueio das contas municipais, pelo Tribunal de Justiça do Estado, em virtude do pagamento antecipado de um precatório por desapropriação de terra; e a tentativa de utilizar o estádio do América, clube local, para abrigar favelados que aguardavam a construção de casas populares. Dada à forte reação contrária da comunidade, Liberato recuou, mas decidiu comprar o estádio, onde passou a desenvolver atividades assistenciais, esportivas e culturais.
Casado com Maria de Jesus Sales Caboclo, teve três filhos.
Além de um grande número de trabalhos na área médica, publicou livros de ficção, entre os quais O Drama do cognome (1987); Memórias das malícias de um sargento; Deuses moram num bar; Cenas de um casamento brasileiro; Solteirona à la Garbo; Sherlock Holmes, um conto inédito; O dia em que me tornei terrorista; Gentona; A humilhação cultural; Orgia na maternidade; Teleagonia, além do desespero; A minha Brenda; Os negativos dos retratos da vida.