CAIADO, Mário de Alencastro

Mário de Alencastro Caiado nasceu em Vila Boa de Goiás, atual Goiás (GO), no dia 16 de dezembro de 1876, filho de Luís Antônio Caiado, de tradicional família goiana, e de Maria de Alencastro Caiado.

Estudou no Liceu Goiano e no Seminário Episcopal, em Santa Cruz de Goiás (GO). De 1898 a 1904 - já então estudante de direito -, foi oficial-de-gabinete dos presidentes estaduais general Urbano Gouveia e José Xavier de Almeida, passando neste último ano a escriturário do Tesouro Nacional. Em 1905 bacharelou-se pela Faculdade de Direito de seu estado e, em 1907, deixando o Tesouro Nacional, tornou-se um dos fundadores do Partido Republicano (PR) de Goiás e de seu órgão de divulgação, o jornal A Voz do Povo. Nomeado em 1908 juiz de direito da comarca de Pouso Alto, atual Piracanjuba (GO), transferiu-se posteriormente para a 1ª Vara da capital goiana, tornando-se chefe de polícia do estado durante os governos de Urbano Gouveia (1911-1912), de Salatiel de Lima (1914-1915) e do desembargador João Alves de Castro (1918-1919). Em 1927, ao lado do juiz da 2ª Vara de Goiás, Jarbas de Castro, e de quatro dos cinco desembargadores que compunham o tribunal, lutou contra o governo estadual, que pretendia limitar a autonomia do Poder Judiciário.

Em 1929, diante da proximidade do pleito presidencial previsto para o ano seguinte, aproximou-se da Aliança Liberal, passando a representá-la em Goiás a convite de Antônio Carlos de Andrada, um dos líderes nacionais do movimento. Por essa época, organizou caravanas, percorrendo os municípios do estado e promovendo comícios em que pedia apoio à candidatura de Getúlio Vargas. O jornal A Voz do Povo desempenhou relevante papel na campanha aliancista em Goiás, o que levou Caiado a sofrer perseguições do governo federal que culminaram em processo com base na Lei de Imprensa.

Vitoriosa a Revolução de 1930, Caiado integrou com Francisco Emilio Póvoa e Pedro Ludovico Teixeira a junta que esteve à frente do governo goiano entre 27 de outubro e 23 de novembro, quando Pedro Ludovico foi nomeado interventor. Foi secretário do Interior e secretário-geral do estado, exercendo interinamente, de março a abril de 1932, as funções de interventor por ocasião da viagem de Pedro Ludovico ao Rio de Janeiro.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido Social Republicano (PSR) de Goiás, assumindo sua cadeira em novembro seguinte. Participou dos trabalhos constituintes como líder da bancada goiana e, com a promulgação da nova Carta (16/7/1934), teve o mandato estendido até maio de 1935. Com o apoio de seu partido, em agosto desse mesmo ano foi eleito indiretamente senador pela Assembleia Constituinte de Goiás. Em maio de 1937, na preparação das eleições previstas para o ano seguinte, representou o PSR na convenção, realizada no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para o lançamento da candidatura de José Américo de Almeida à presidência da República, oficiosamente apoiada por Vargas. Em novembro seguinte, porém, o golpe do Estado Novo, que suprimiu todos os órgãos legislativos do país e cancelou as eleições, pôs fim às suas atividades políticas.

Caiado militou na imprensa e participou da fundação de diversas agremiações, entre as quais o Clube Literário Xavier de Almeida.

Faleceu em Goiânia no ano de 1948.

Era casado com uma das filhas de Virgílio José de Barros, chefe oposicionista liberal em Goiás.