CALAFANGE, Abelardo

Abelardo Calafange nasceu em Canguaretama (RN) no dia 27 de junho de 1904, filho de Cromácio Calafange e de Maria Marques Calafange.

Fez os estudos primários em sua cidade natal e os secundários na cidade da Paraíba, atual João Pessoa, onde cursou o Liceu Paraibano. Iniciou os estudos superiores na Faculdade de Medicina de Recife, concluindo-os, em 1930, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal. Durante sua vida acadêmica, fundou e dirigiu, no Recife, a Revista Acadêmica e, no Rio de Janeiro, atuou como redator do Diário da Noite e trabalhou como auxiliar nos serviços de combate à febre amarela do Departamento Nacional de Saúde Pública.

Após a Revolução de 1930 retornou ao Rio Grande do Norte, em 1932, sendo nomeado pelo interventor Bertino Dutra professor interino de higiene na Escola Normal e membro da recém-criada Comissão de Publicidade e Divulgação do estado. Nomeado prefeito de Baixa Verde (RN) em novembro do mesmo ano, deixou o cargo em janeiro de 1933 para assumir a função de inspetor sanitário do Departamento de Saúde Pública do estado. Em julho desse ano foi designado para integrar a comissão estadual à Conferência Nacional de Proteção à Infância. Nessa época, foi também suplente do presidente da Comissão Mista de Conciliação do Rio Grande do Norte, órgão ligado ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.

No pleito de outubro de 1934 elegeu-se pela oposição, na legenda da Aliança Social, deputado à Assembleia Constituinte do Rio Grande do Norte. Em janeiro de 1935 foi nomeado assistente-médico do Centro de Saúde do Alecrim, em Natal, sendo depois efetivado no cargo por consenso e promovido a médico-chefe da instituição. Empossado na Assembleia em outubro de 1935, participou dos trabalhos constituintes mas absteve-se, assim como seus companheiros de bancada, de assinar a Constituição promulgada em 22 de janeiro de 1936. Exerceu o mandato até novembro de 1937 quando, com o advento do Estado Novo, foram dissolvidos os órgãos legislativos do país.

Com o fim do Estado Novo (29/10/1945), elegeu-se novamente, em janeiro de 1947, deputado à Assembleia Constituinte do Rio Grande do Norte na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta estadual, passou a exercer o mandato ordinário, exercendo em 1950 a segunda vice-presidência da Assembleia. No pleito de outubro desse ano, elegeu-se suplente de deputado federal pelo Rio Grande do Norte, na legenda da Aliança Democrática, constituída pelo Partido Republicano (PR), o Partido Social Democrático (PSD), para o qual se transferira, e o Partido Social Progressista (PSP). Deixou a Assembleia estadual em janeiro de 1951 e ocupou uma cadeira na Câmara de outubro a dezembro desse ano, de agosto a novembro de 1952 e de outubro de 1953 a fevereiro de 1954. No pleito de 1958, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa alagoana pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) não obtendo, contudo, sucesso.

Foi também superintendente médico do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC), em Natal, entre 1952 e 1954.

Como jornalista, colaborou em A Pilhéria, de Recife, O Jornal, de Natal, e nos periódicos cariocas Jornal das Moças, O Malho, A Ordem, A Batalha, O Debate, A República. Foi sócio do Cenáculo Pernambucano de Letras.

Faleceu em Natal no dia 3 de abril de 1974.

Era casado com Ana Augusta Varela Calafange, com quem teve dois filhos.