CÂMARA, Antônio José de Lima

Antônio José de Lima Câmara nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de fevereiro de 1895, filho de Antônio José de Lima Câmara e de Olímpia Niemeyer de Lima Câmara.

Completou o curso secundário em março de 1912 e em seguida sentou praça na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Ainda como cadete, foi mobilizado durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), servindo junto ao Estado-Maior do Exército. Declarado aspirante em abril de 1915, foi sucessivamente promovido a segundo-tenente, em abril de 1917, primeiro-tenente, em janeiro de 1919, capitão, em setembro de 1922, major, em fevereiro de 1933, e tenente-coronel, em maio de 1937.

Sob o Estado Novo (1937-1945), promovido a coronel em agosto de 1942, foi oficial-de-gabinete do então ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), auxiliou no preparo e organização da artilharia da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e, como chefe do estado-maior da 7ª Divisão de Infantaria, foi responsável pelo patrulhamento do litoral do Nordeste.

Em setembro de 1946 foi promovido a general-de-brigada e, em dezembro seguinte, nomeado pelo presidente Dutra (1946-1951) chefe de polícia do Distrito Federal (Departamento Federal de Segurança Pública - DFSP), em substituição a José Pereira Lira. Durante sua gestão, que se estendeu até o final do governo Dutra, em janeiro de 1951, a Chefia de Polícia do Distrito Federal se transformou no Departamento Federal de Segurança Pública, antecessor do Departamento de Polícia Federal. Lima Câmara inaugurou no Rio o serviço de radiopatrulha e se notabilizou pela violência com que reprimiu manifestações de estudantes e trabalhadores e pela perseguição movida contra ativistas da esquerda, em especial do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Em 1949, prometeu a Célio Borja, então presidente interino da União Nacional dos Estudantes (UNE), não fechar a entidade, o que no entanto viria a ocorrer, ainda que provisoriamente.

Em setembro de 1952 foi promovido a general-de-divisão, passando a comandar a 4ª Divisão de Infantaria, sediada em Minas Gerais. Em 1955, quando comandava a 1ª Região Militar, no Distrito Federal, apoiou o Movimento do 11 de Novembro, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, que visava barrar, segundo seus promotores, uma conspiração em curso no governo para impedir a posse do candidato eleito à presidência da República, Juscelino Kubitschek. O movimento provocou o impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado, empossando na chefia do governo o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Nessa ocasião, Lima Câmara foi o executor do estado de sítio implantado no país.

Em julho de 1956 foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e, em agosto de 1958, promovido a general-de-exército. Aposentado por decreto em fevereiro de 1965, passou para a reserva como marechal.

Ao longo de sua carreira, fez os cursos de infantaria, cavalaria, artilharia, aperfeiçoamento, estado-maior e da Escola Superior de Guerra (ESG). Foi diretor, de ensino das escolas militares e de artilharia e professor da Escola de Estado-Maior, todas no Rio. Exerceu também os cargos de diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura do então Distrito Federal e de chefe da secretaria do Conselho de Segurança Nacional.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 11 de fevereiro de 1973.