CANTANHEDE, Plínio

Plínio Reis de Cantanhede Almeida nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 27 de julho de 1910, filho de Luís de Cantanhede Almeida e de Arminda Reis de Cantanhede Almeida.

Formou-se em engenharia em 1931.

Em 1932 iniciou sua vida pública como atuário do antigo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em meados de 1936 presidiu a Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Estivadores e, em 3 de janeiro de 1938, no início do Estado Novo (1937-1945), foi designado, pelo presidente Getúlio Vargas, presidente do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), cargo que exerceu até agosto de 1945. Paralelamente a sua gestão nesse órgão, presidiu interinamente o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC) de 1943 a 1944. Após a deposição de Vargas em outubro de 1945, Plínio Cantanhede passou a ocupar, em novembro, já no governo de José Linhares (1945-1946), a chefia do gabinete do ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, Roberto Carneiro de Mendonça, permanecendo no cargo até a posse do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), em 31 de janeiro de 1946.

Afastado de cargos públicos durante o governo Dutra, fundou o Jornal de Debates, cujo primeiro número circulou em 28 de junho de 1946, ao lado de João Augusto de Matos Pimenta e de Mário de Brito. Pretendendo ser uma tribuna livre que refletisse o conflito de ideias acerca das principais questões nacionais, o jornal era abertamente simpático às causas nacionalistas e à política trabalhista, além de publicar matérias polêmicas que eram fontes inesgotáveis de choques de opiniões. Plínio Cantanhede foi um dos diretores do Jornal de Debates até o início da década de 1950 e, seguindo a sua linha editorial, aderiu à campanha do petróleo, então em efervescência, redigindo artigos que defendiam duas opções para sua exploração no Brasil: através do monopólio total do Estado ou mediante a criação de uma sociedade de economia mista, controlada majoritariamente pelo Estado. Cantanhede sustentava que a participação de capitais estrangeiros não seria necessária, por ser altamente lucrativa a extração petrolífera, o que a tornava praticamente autofinanciável pouco depois de instalada. Além disso, argumentava que o Estado brasileiro poderia arcar com grande parte do investimento, na medida em que avalizava um vultoso empréstimo para a empresa Brazilian Traction, Light & Power na ocasião.

Com a volta de Getúlio Vargas à presidência da República em 1951, Plínio Cantanhede foi designado, em agosto do mesmo ano, presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), órgão criado por Vargas durante o Estado Novo para pesquisar questões relativas ao petróleo. Como presidente do CNP, defendeu desde o início o projeto de criação da Petrobras, sustentando também a instituição do monopólio estatal do petróleo. Em sua gestão, integrou ainda as comissões de construção das refinarias de Mataripe (BA) e de Cubatão (SP). Ao deixar o CNP em fevereiro de 1955, já no governo de João Café Filho (1954-1955) passou a integrar a diretoria da refinaria de Capuava (SP), sendo nomeado, em abril, chefe do Departamento de Controle de Aplicações do Banco Nacional de Desenvolvimento, cargo que deixou em dezembro de 1956.

Durante o regime parlamentarista que se seguiu à renúncia do presidente Jânio Quadros (1961) e possibilitou a posse de João Goulart, Plínio de Cantanhede foi subsecretário do ministro da Viação e Obras Públicas, Hélio de Almeida, cargo que ocupou até janeiro de 1963, quando foi realizado o plebiscito que restaurou o presidencialismo e restituiu todos os poderes ao presidente João Goulart (1961-1964). Ainda no governo Goulart, foi superintendente da administração do porto do Rio de Janeiro e diretor da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), entre setembro de 1963 e maio de 1964.

Também no início da década de 1960, em 1962, tornou-se presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, cargo que ocuparia até 1984.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs João Goulart, Cantanhede foi nomeado prefeito de Brasília, no dia 13 de maio, pelo presidente Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967), sucedendo ao tenente-coronel Ivan de Sousa Mendes. Deixou o cargo em 15 de março de 1967, data em que Castelo Branco transmitiu a presidência da República ao marechal Artur da Costa e Silva. Foi substituído por Wadjó da Costa Gomide.

No governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) assumiu a presidência da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) preocupando-se em ampliar a produtividade da empresa. Nesse sentido, mostrou-se favorável à construção da Usina Siderúrgica de Tubarão, no Espírito Santo, cuja produção, além de permitir que a CSN atendesse à crescente demanda do mercado interno, abriria uma corrente de exportações para os mercados japonês e italiano. Em 1977 declarou-se contrário ao restabelecimento da liberdade sindical por considerar que havia um bom nível de entendimento entre a CSN e os sindicatos - notadamente o dos metalúrgicos - de Volta Redonda (RJ), onde estava sediada a empresa. Em março de 1979 deixou a CSN e, em setembro, foi eleito presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, onde manifestou intenção de levar a entidade a participar da “vida econômica, política e social do país”. Ocupou esse cargo até 1982, passando depois a membro vitalício do conselho diretor da entidade.

Tornou-se ainda membro do conselho técnico da Confederação Nacional do Comércio.

Ocupava a presidência do conselho de administração do Instituto Brasileiro do Petróleo, quando faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 4 de fevereiro de 1986.

Era casado com Zilda Morais Rego Cantanhede, com quem teve dois filhos.

Publicou Alguns aspectos da previdência social: o problema da aplicação das reservas (1946).