MENDES, Ivan de Sousa

Ivan de Sousa Mendes nasceu em Cordeiro (RJ) no dia 23 de fevereiro de 1922, filho de Alfredo de Sousa Mendes e de Celeste Freitas de Sousa Mendes.

Sentou praça no Exército em abril de 1940 ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, da qual saiu aspirante da arma de engenharia em março de 1943. Em setembro desse ano foi promovido a segundo-tenente, em dezembro de 1944 a primeiro-tenente e em junho de 1948 a capitão. Em outubro de 1952 atingiu o posto de major e em agosto de 1962 o de tenente-coronel.

Depois de servir no 9º Batalhão de Engenharia de Combate, em Mato Grosso, em janeiro de 1964 veio para o Rio de Janeiro, onde passou a integrar o grupo de militares liderados pelo general Humberto de Alencar Castelo Branco, envolvido em conspiração para derrubar o presidente João Goulart (1961-1964). Com a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, em abril seguinte Ivan Mendes foi nomeado interventor na Prefeitura de Brasília em substituição a Luís Carlos Vítor Pujol, que ocupara por sua vez esse cargo apenas durante seis dias, após a destituição de Ivo de Magalhães. Permaneceu como interventor até maio desse mesmo ano, quando foi substituído por Plínio Cantanhede.

Serviu em seguida no Gabinete Militar, sob as ordens do general Ernesto Geisel, e em julho foi nomeado adido militar na embaixada do Brasil no Peru. Em agosto de 1966 foi promovido a coronel. De volta ao Brasil em 1967, durante todo o governo do marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969) esteve lotado no gabinete do ministro do Exército, general Augusto de Lira Tavares. Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), esteve no gabinete do presidente da Petrobrás, general Ernesto Geisel.

Promovido em julho de 1974 a general-de-brigada, comandou nesse posto a 8ª. Região Militar, sediada em Belém, e a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), tendo ainda integrado o corpo permanente da Escola Superior de Guerra (ESG). Em 1979 foi promovido a general-de-divisão. Após exercer vários comandos e chefias, em março de 1985, sucedendo ao general Otávio Medeiros, foi empossado no cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) do presidente José Sarney, primeiro governo civil após 21 anos de regime militar. Passou para a reserva em 1986, no posto de general-de-exército. Permaneceu à frente do SNI até março de 1990, ao findar o governo Sarney. Nessa ocasião, o SNI foi extinto.

Depoimento prestado em 1992 pelo biografado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas, veio a integrar a trilogia organizada pelos pesquisadores Maria Celina D’Araújo, Gláucio Ary Dillon Soares e Celso Castro e lançada em 1994-1995, composta pelos livros Visões do golpe – a memória militar sobre 1964, Os anos de chumbo – a memória militar sobre a repressão e A volta aos quartéis - a memória militar sobre a abertura.

Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 18 de fevereiro de 2010.

Casou-se com Maria Estela de Sousa Mendes, com quem teve três filhas. Uma delas, Márcia Mendes Mamede casou-se com Jurandir Dantas Mamede, filho do general Jurandir Bizarria Mamede, que além de ter participado da Revolução de 1930 e do movimento político-militar de 31 de março de 1964, foi comandante do II Exército (1966-1967), chefe do Departamento de Produção e Obras do Exército (1967-1970) e ministro do Superior Tribunal Militar (1970-1976).