CARDOSO, Leônidas
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Leônidas Fernandes Cardoso nasceu em Curitiba no dia 24 de fevereiro de 1889, filho do general Joaquim Inácio Batista Cardoso e de Leonídia Fernandes Cardoso. Seu avô paterno, Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, foi o primeiro presidente republicano do estado de Goiás. Seu pai integrou as forças legalistas que combateram a Revolta da Armada em 1893, estreitando suas ligações com o presidente Floriano Peixoto, de quem se tornou um dos maiores amigos. Foi igualmente ligado ao general Hermes da Fonseca e participou, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, do levante de 5 de julho de 1922, primeiro do ciclo tenentista da década de 1920. Seus irmãos, Felicíssimo Cardoso Neto e Carlos Cardoso, foram, respectivamente, oficial do Exército ligado a sua corrente nacionalista e presidente do Centro Brasileiro de Petróleo e presidente do Banco do Brasil. Seu tio, Dulcídio do Espírito Santo ocupou a prefeitura do Distrito Federal entre 1952 e 1954. Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, seu primo, foi deputado estadual por Goiás e prefeito de Jaraguá (GO). Ciro do Espírito Santo Cardoso, também seu primo, ocupou a pasta da Guerra (1952-1954).
Leônidas Cardoso sentou praça em junho de 1905 no Paraná, ingressando em seguida na Escola de Guerra de Porto Alegre. Saindo da escola como aspirante-a-oficial ligado ao Serviço de Intendência, foi promovido a segundo-tenente em novembro de 1910. Em 1914, começou a colaborar em revistas e jornais de curta duração. Suas colaborações na imprensa - tratando de assuntos da história do Brasil e dos movimentos revolucionários e populares - continuariam até 1930 mas, a partir de certo momento, passariam a ser feitas em órgãos importantes do Rio de Janeiro, como o Correio da Manhã, O País, Gazeta de Notícias, O Globo, A Noite, O Imparcial e o Jornal do BrasiL
Ainda como segundo-tenente, iniciou estudos de medicina que foram interrompidos em 1917, devido ao seu envolvimento nas agitações populares que assinalaram a repercussão, em vários pontos do país, da Revolução Russa. Servindo em Jaguarão (RS), foi promovido a primeiro-tenente em julho de 1919 e iniciou um curso de direito que também interrompeu em 1922, por causa de sua participação na revolta de 5 de julho desse ano. O movimento, que irrompeu no Distrito Federal e em Mato Grosso, em protesto contra a eleição de Artur Bernardes para a presidência da República e contra as punições impostas pelo presidente Epitácio Pessoa aos militares - o fechamento do Clube Militar e prisão do marechal Hermes da Fonseca -, foi debelado no mesmo dia, mas ficou conhecido pela resistência oferecida às tropas legalistas pelos chamados 18 do Forte de Copacabana, no Rio.
Em 1923 passou a servir no Rio de Janeiro, sendo deslocado em seguida para Óbidos (PA) e Belém. Apoiou a revolta de 5 de julho de 1924, comandada em São Paulo pelo general Isidoro Dias Lopes, a qual deu origem, após a junção dos militares rebelados nesse estado com os que eram dirigidos no Rio Grande do Sul pelo capitão Luís Carlos Prestes, à Coluna Miguel Costa-Prestes. Entre 1924 e 1927 atuou em São Luís, passando depois para Itatiaia (RJ), onde ficou até 1928. Em agosto desse ano foi promovido a capitão e voltou a servir no Rio de Janeiro, onde retornou e concluiu - em 1931 -, na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, o curso de ciências jurídicas e sociais.
Participou da Revolução de 1930 e foi promovido a major em fevereiro de 1933, passando a servir no ano seguinte como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro. Permaneceu no Rio de Janeiro até 1940, indo servir depois no quartel-general da 2ª Região Militar (2ª RM), em São Paulo. Promovido a tenente-coronel em dezembro de 1942, ficou na 2ª RM até 1943. Após a queda do Estado Novo, em 29 de outubro de 1945, foi promovido a coronel, passando para a reserva como general-de-brigada.
Radicado em São Paulo e trabalhando como advogado, engajou-se nos movimentos de cunho nacionalista que marcaram o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). Foi um dos criadores, em abril de 1948, do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN). Sua participação na Campanha do Petróleo estendeu-se ao segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), quando se tornou procurador-geral da Liga de Emancipação Nacional (LEN).
Em 1954, por ocasião da Convenção da Emancipação Nacional realizada no Rio de Janeiro, tornou-se presidente da LEN de São Paulo. No mesmo ano, foi um dos dois candidatos indicados pelos comunistas para concorrerem à Câmara dos Deputados em São Paulo na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), nos marcos do movimento dito “da panela vazia e da bica sem água”. O outro candidato indicado pelos comunistas foi o ex-deputado federal Abguar Bastos.
Nas eleições de 3 de outubro de 1954, foi eleito com 28 mil votos, segundo colocado da bancada paulista do PTB, encabeçada por Ivete Vargas. Iniciou seu mandato em fevereiro do ano seguinte e o encerrou em janeiro de 1959, não mais concorrendo a cargos eletivos.
Faleceu na cidade de São Paulo em 20 de agosto de 1965.
Era casado com Naíde Silva Cardoso, com quem teve três filhos, um dos quais o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, foi senador por São Paulo (1983-1992), ministro das Relações Exteriores (1992-1993), ministro da Fazenda (1993-1994), novamente senador paulista (1994) e duas vezes consecutivas presidente da República (1995-).