COUTINHO, Luciano
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Luciano Galvão Coutinho nasceu no dia 29 de setembro de 1946, em Recife (PE), filho de Amauri Domingues Coutinho e de Ana Galvão.
Fez o curso médio no Colégio São Luis, em Recife, entre 1962 e 1964. Transferindo-se para São Paulo, ingressou na Universidade de São Paulo (USP), por onde se graduou em ciências econômicas pela em 1968. No ano anterior recebeu o prêmio Gastão Vidigal destinado ao melhor aluno em economia do estado de São Paulo. Durante a graduação, militou no movimento estudantil paulista, que se opunha ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Cursou o mestrado em economia pela mesma instituição, apresentando sua dissertação em 1970.
Em seguida, fez o doutorado, também em economia, pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, na qual defendeu, em 1974, a tese The Internationalization of Oligopoly Capital. De volta ao Brasil, foi professor visitante do Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, e de 1974 a 1979 coordenou o programa de pós-graduação em Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estruturando a área de pesquisa industrial daquele estabelecimento de ensino superior. Em 1980, foi professor visitante da Universidade do Texas, sendo qualificado como Edward L. Tinker Professor. Em 1984 e 1985, presidiu o Conselho Regional de Economia da São Paulo.
No início da década de 1980, Coutinho aproximou-se da ala nacionalista e desenvolvimentista do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), juntamente com outros economistas de destaque, entre os quais Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e Luiz Gonzaga Beluzzo. Especialista na área industrial, em 1985, quando o ministro Renato Archer assumiu a pasta do recém-criado Ministério da Ciência e Tecnologia do governo José Sarney (1985-1990), Luciano Coutinho foi convidado para ser secretário geral da pasta, participando de sua estruturação e da concepção de políticas voltadas para áreas de alta complexidade, como biotecnologia, química fina, mecânica de precisão, novos materiais e informática. Esse último setor mobilizou a cúpula do ministério que era amplamente favorável à reserva de mercado para o avanço da indústria brasileira. Luciano Coutinho permaneceu no cargo até 1988, quando a chamada “ala esquerda” do PMDB afastou-se do governo Sarney.
Nesse meio tempo, deu continuidade à sua trajetória acadêmica, tornando-se, em 1986, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp. Ao deixar o governo, intensificou seu trabalho de consultor, atuando junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Banco do Nordeste e de vários governos estaduais. Sua passagem pela vida pública lhe daria grande trânsito e ampliaria seus conhecimentos com personalidades importantes da vida pública, como foi o caso do atual ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que estava no Ministério da Ciência e Tecnologia quando Coutinho foi secretário geral, e também da iniciativa privada, onde manteve relações estreitas com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Afastado da vida pública por um bom tempo, em 1990 Luciano Coutinho retornou à presidência do Conselho Regional de Economia de São Paulo. Em 1994 atuou como professor visitante da Universidade de Paris XIII e, posteriormente, como professor visitante do Instituto Universitario de Investigación Ortega y Gasset, ligado a Fundação Ortega y Gasset em Madri, Espanha. Neste mesmo ano, coordenou um estudo de grande envergadura, denominado “Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira”, financiado em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), articulando diversas universidades e centros de pesquisas brasileiros, e quase uma centena de especialistas. Este estudo, que seria transformado em livro coordenado por ele e por João Carlos Ferraz, mapeou o estado da arte da indústria brasileira, as necessidades de inovação e as condições de concorrência nos mercados internacionais.
Em 1996, além de exercer as atividades de professor e de consultor, Coutinho foi também apresentador do programa O Brasil Pensa, na TV Cultura, de São Paulo, transmitido em rede para o Brasil e que tratava de assuntos ligados ao conhecimento. Ainda nos anos 1990 se aproximou do Partido dos Trabalhadores (PT), devido sobretudo às suas relações de amizade com o hoje senador pelo PT paulista Aloísio Mercadante, de quem fora professor, do professor da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) Marco Aurélio Garcia, hoje assessor internacional do presidente Luís Inácio Lula da Silva, e de Jorge Matoso, colega da Unicamp, depois feito presidente da Caixa. O crescimento da LCA Consultores – sua firma de consultoria especializada em indústria, defesa da concorrência, comércio internacional e perícias econômicas – permitiu-lhe construir uma vasta carteira de clientes, compreendendo grandes grupos empresariais e financeiros do país, além de fundos de pensão e escritórios de advocacia. Essa experiência profissional levou Luciano Coutinho a ampliar os seus conhecimentos dos principais impasses da economia brasileira.
No final de 2002, após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de outubro, Luciano Coutinho foi cogitado para presidir o BNDES, posto que acabaria sendo ocupado pelo economista Carlos Lessa, então reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que fora seu colega na Unicamp. Também convidado para ocupar o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, recusou a oferta argumentando que seria difícil trabalhar com o ministro da Fazenda Antonio Palocci. Nos veículos de informação, surgiram boatos de que seu nome sofrera restrições por parte da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy devido às suas ligações com os meios empresariais. A pasta acabou sendo entregue ao economista Guido Mantega.
Embora não tenha aceitado os convites do governo, Coutinho manteve-se muito próximo do Planalto, tornando-se um dos economistas mais presentes e requisitados em situações cruciais, como a do caso Varig, quando foi convocado para ajudar os ministros José Dirceu da Casa Civil, José Viegas da Defesa e Valfrido Mares-Guia do Turismo a encontrarem uma solução alternativa para aquela empresa de aviação, então em situação praticamente falimentar. Na ocasião, Coutinho defendeu um período de code-share e a criação da holding Varig-TAM, que começaria operando vôos compartilhados até a fusão, que deveria ocorrer em cinco anos, sem dinheiro público. Em outro momento, consultado sobre a indicação de Elisabeth Farina para a presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pelo ex-aluno da Unicamp e ex-sócio na LCA, Bernard Appy, então secretário executivo do Ministério da Fazenda, emitiu parecer favorável e acatado com respaldo pelo mercado.
No comando da LCA esteve durante esse período envolvido com a Nestlé, tentando reverter os estragos da proposta de fusão com a Garoto, submetida ao Cade e que teve parecer desfavorável. Prestou serviços para a Vale do Rio Doce, no processo de compra de dez mineradoras de uma só vez; para a Ambev, no processo com a Interbrew; e com a Braskem, no caso do primeiro depósito de patente feito por uma empresa petroquímica brasileira em nanotecnologia, cuja aprovação dependia do CADE.
Próximo do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao qual já fora filiado, Luciano Coutinho começou novamente a ser cogitado para ocupar posto no governo com a saída do ministro Luís Fernando Furlan do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Posteriormente, seu nome surgiu como o mais provável para a presidência do BNDES com a ida de Guido Mantega para a pasta da Fazenda, cargo que, entretanto, foi ocupado pelo vice-presidente Demian Fiocca que viera com Mantega do Planejamento.
Posteriormente, depois de acirrada disputa entre o Ministério da Fazenda, que desejava a permanência de Fiocca no BNDES, e do MDIC – cujo titular, Miguel Jorge, indicara o ex-vice-presidente do Banco Santander, Adolfo Funcia Murgel –, no dia 18 de abril de 2007, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, anunciou o nome de Coutinho como o novo presidente do BNDES, órgão formalmente vinculado ao MDIC.
Na presidência do BNDES
Depois de reunião com Coutinho e com o ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, o presidente Lula reafirmou a convicção de que a indicação do presidente do BNDES é da Presidência da República, como tem sido praxe ao longo do desenvolvimento brasileiro, pois o Banco continuava a ser o principal instrumento da política industrial do governo. Lula deixou claro que queria alguém com perfil desenvolvimentista, para que a instituição voltasse a ser o banco das grandes obras, aproveitando o quadro de expansão dos investimentos no país anunciado com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O programa previa investimentos de mais de R\$ 500 bilhões para o período 2007-2010, do qual o BNDES seria o grande repassador de recursos para os empreendimentos do setor privado. A indicação de Luciano Coutinho contou também com a aprovação da ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, ambos responsáveis pela execução do PAC. Também o ministro Miguel Jorge durante a cerimônia de posse afirmou que o BNDES seria um dos principais instrumentos do governo para atingir os objetivos do PAC. No setor privado, a escolha de Lula foi saudada pelo presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, afirmando que Coutinho conhecia profundamente a economia industrial do país e tinha comprovada experiência na vida pública. Também houve manifestação favorável por parte da Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (Abdib), cujo presidente Paulo Godói também elogiou a escolha de Lula.
Depois de se desligar da LCA, Luciano Coutinho tomou posse no BNDES no dia 27 de abril de 2007. Em seu discurso, afirmou que seguiria a orientação do presidente Lula para garantir a implantação de uma política industrial de grande envergadura, voltada para dinamizar a economia, acelerar a criação de empregos e promoção da igualdade de oportunidades. Coutinho garantiu também o apoio do Banco ao PAC afirmando que o Programa teria o suporte necessário para a coordenação entre empreendedores, banca e o mercado de capitais na estruturação de um funding adequado. Apresentou entre as prioridades do BNDES o apoio à agroindústria, à microeletrônica, ao desenvolvimento de softwares e à produção de bens de capital, além de tornar mais ágil o empréstimo de recursos para a pequena e média empresa.
A frente do maior organismo de fomento estatal das Américas, crítico do papel do Banco em governos anteriores, de acordo com Coutinho o BNDES vem concentrando esforços para elevar a formação de capital, pois na sua compreensão essa é a forma para sustentar o desenvolvimento socioeconômico, a estabilização e o equilíbrio externo, considerando a subida persistente da taxa nacional de poupança e investimento como objetivo macroeconômico chave.
Depois do ótimo desempenho que o BNDES alcançou em 2007, ao final de 2008 o Banco foi instado a instrumentalizar políticas anticíclicas que o governo promoveu devido à crise internacional e recebeu aporte extra de capital do Tesouro. Apesar das muitas críticas que recebeu dos seguidores de políticas fiscais apertadas por aportar recursos em grandes empresas, inclusive estatais, e auxiliar outras em processo de fusão, para o desenvolvimentista Coutinho o Brasil iria se recuperar rapidamente dos efeitos da crise econômica mundial e voltaria a crescer já no segundo semestre de 2009. As previsões feitas pelo presidente do BNDES se basearam no fato de que os grandes projetos de investimentos de infraestrutura no país sequer foram postergados, destacando que os investimentos no setor de energia estão em expansão e que não há possibilidade de reversão desse quadro. Preocupado com a demanda reprimida na área de infraestrutura, Coutinho defendeu a execução do PAC, afirmando existir enormes gargalos que precisam ser resolvidos com urgência para que o Brasil voltasse a ter taxas mais elevadas de crescimento.
Coutinho orientou um grande número de teses de doutorado e dissertações de mestrado e tem inúmeros artigos e capítulos de livros publicados, bem como participou da organização de vários outros. Em agosto de 2008, o atual presidente do BNDES, recebeu o Prêmio Economista do Ano 2008, outorgado pela Ordem dos Economistas do Brasil, por eleição direta dos inscritos e associados às principais entidades representativas da categoria de São Paulo e de todo o Brasil;
Divorciado, tem dois filhos.