GENRO, Luciana

Luciana Krebs Genro nasceu em Santa Maria (RS), no dia 17 de janeiro de 1971, filha de Tarso Fernando Herz Genro e Sandra Krebs Genro. Seu pai foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul (1989-1991), prefeito de Porto Alegre (1993-1996), Ministro da Educação, das Relações Institucionais, e da Justiça durante o Governo Luís Inácio Lula da Silva (2003-2011).

Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1985. Em 1992 diplomou-se em Inglês na Universidade de Michigan (EUA) e na Universidade de Cambridge (Inglaterra). Ministrou aulas de inglês em escolas de Porto Alegre até 1994, quando se candidatou, pela primeira vez, a deputada estadual na legenda do PT. Foi eleita com 0,44% dos votos válidos.

Em 1998, foi reeleita com 0,73% dos votos. Em 2000, integrou o “Movimento Esquerda Socialista”, considerada corrente interna de extrema esquerda do PT.

Em 2001, ainda como deputada estadual, foi co-autora com seu colega Roque Grazziotin, do projeto que criava frentes emergenciais de trabalho no Rio Grande do Sul. Aprovado na Assembleia, o projeto foi vetado pelo então governador Olívio Dutra (PT), fato que gerou uma crise política entre os petistas do Estado.

Em 2002, Luciana Genro elegeu-se deputada federal pelo Rio Grande do Sul.

Ao assumir, em fevereiro de 2003, participou da corrente que defendia o rompimento do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a não-assinatura da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). A sua discordância em relação à política econômica do governo de Luis Inácio Lula da Silva (2003-2011), recém-empossado, gerou conflitos com as lideranças do PT. Ainda no partido, foi contra a orientação do Programa Fome Zero e a privatização dos bancos estaduais, defendida pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Após ameaça de expulsão do PT, votou a favor da proposta de emenda constitucional que mudava o artigo 192 da Constituição de 1988, sobre o sistema financeiro, e que conferiu maior autonomia ao Banco Central.

Em maio, foi afastada da Comissão que discutia a Reforma da Previdência, após se posicionar contra a proposta do governo. Tendo se posicionado publicamente contra a orientação das lideranças do seu partido nas votações das reformas tributária e da previdência, diretrizes estratégicas do Governo Lula, a quem também acusou de trair compromissos históricos do PT, sofreu processo disciplinar, julgado pelo Conselho de Ética do PT, e em dezembro de 2003 foi expulsa por decisão do diretório nacional do partido junto com outros três outros membros de seu grupo: a senadora Heloísa Helena (AL), e os deputados federais João Batista Araújo, o Babá (PA) e João Fontes (SE).

Com estes e outros companheiros anunciou, em junho de 2004, a formação de um novo partido, o Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL), cuja principal bandeira inicial era a ruptura imediata com o FMI e o não pagamento da dívida externa do país. O PSOL foi oficialmente reconhecido como partido em setembro de 2005, quando foram reconhecidas as 438 mil assinaturas, necessárias para o registro definitivo.

Tentou aprovar, sem sucesso, um plebiscito para decidir sobre a permanência de Lula na presidência, em outubro de 2005, em meio aos desdobramentos da crise política do chamado “mensalão”: suposto esquema de pagamento de propinas regulares, pelo PT, a parlamentares da base aliada do primeiro governo Lula (2003-2007), e que fora denunciado pelo então deputado federal Roberto Jefferso, do Partido trabalhista Brasileiro (PTB-RJ)..

Em 2006, Luciana Genro foi reeleita deputada federal com 3,1% dos votos válidos, desta vez na legenda do PSOL.

Em 2007, fez parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que se propôs a investigar as causas da crise aérea no país iniciada em outubro de 2006, com o acidente fatal envolvendo um avião da Gol Linhas Aéreas.

Em 2008, candidatou-se à prefeitura de Porto Alegre pelo PSOL, ficando em quarto lugar no primeiro turno.

Neste mesmo ano, tornou-se líder do PSOL na Câmara substituindo Chico Alencar (RJ). Também foi relatora da proposta que tornou obrigatória a criação de creches nos presídios femininos (PL 3669/08), aprovada pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

No início de 2009, acusou Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul (2007-), de ter desviado recursos do Departamento Estadual de Trânsito para sua campanha. Em abril deste ano foi relatora da Comissão de Finanças e Tributação, que aprovou Projeto de Lei 123/07, do deputado Neilton Mulim (PP-RJ), que obriga o SUS a oferecer cirurgia plástica a mulheres vítimas de agressão. Em junho de 2009, criou o Projeto de Lei 4551/08, que proibia a demissão sem justa causa de qualquer trabalhador com carteira assinada por um período mínimo de seis meses. A proposta foi rejeitada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

Licenciou-se do cargo em agosto de 2009 e em seu lugar assumiu, como suplente, o deputado federal Antonio Geraldo de Souza Henriques Filho, o Geraldinho (PSOL-RS).

Cursou direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e direito na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mas não concluiu nenhum dos cursos.