AZAMBUJA, Reinaldo
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Luciana Pinheiro |
Reinaldo Azambuja Silva nasceu em Campo Grande (MS), no dia 13 de maio de 1963, filho de Roberto de Oliveira Silva e Zulmira Azambuja.
Agropecuarista, herdou a profissão de seus pais, produtores rurais no município sul-matogrossense de Maracaju. Realizou seus estudos no Colégio Dom Bosco, na capital do estado. Em 1982, na mesma cidade, ingressou no curso de Administração de Empresas nas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMAT), atual Universidade Católica Dom Bosco. Com o falecimento de seu pai, viu-se obrigado a abandonar a graduação ainda no primeiro ano para se dedicar aos negócios da família, ao lado de sua mãe.
Em Maracaju Reinaldo Azambuja tornou-se importante referência do ramo do agronegócio. Foi também nesse município que, em 1996, deu inicio à carreira política ao candidatar-se à prefeitura pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Sua filiação partidária deveu-se à influência do falecido pecuarista Lúdio Martins Coelho, ex-senador da República e ex-prefeito de Campo Grande. Eleito, tomou posse a 1º de janeiro de 1997.
Ao final de seu primeiro mandato, Azambuja concorreu à reeleição no pleito que, em outubro de 2000, elegeu prefeitos e vereadores. Mais uma vez vitorioso, foi empossado em janeiro de 2001, mantendo-se à frente da prefeitura maracajuense até o final do mandato, em dezembro de 2004. No decorrer dessa gestão foi escolhido presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (ASSOMASUL) por um biênio, além de ter se tornado secretário geral de seu partido no estado.
Nas eleições gerais de 2006 concorreu ao cargo de deputado estadual pelo PSDB, sendo eleito por 47.772 votos, a maior votação até então registrada para a Assembleia Legislativa sul-matogrossense. Tomou posse em 2007, quando assumiu também a presidência estadual de seu partido. Durante seu mandato, decorrido até 2010, atuou como primeiro vice-presidente e membro titular na Comissão de Constituição, Justiça e Redação e na Comissão de Finanças e Orçamento. Ainda na condição de titular atuou também na Comissão de Acompanhamento da Execução Orçamentária, na Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural, Agrária e Pesqueira e na Comissão de Controle de Eficácia Legislativa. No ano de 2010 fundou a Frente Parlamentar Estadual da Defesa do Agronegócio e do Cooperativismo, que presidiu e coordenou.
Nos últimos meses de seu mandato na Assembleia do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja lançou-se candidato ao Congresso Nacional. Primeira eleição sem a participação direta do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva desde 1989, este pleito foi vencido por sua ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à frente de uma coligação que reuniu 10 partidos liderados pelo Partido dos Trabalhadores-PT (Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB/Partido Democrático Trabalhista-PDT/Partido Socialista Brasileiro -PSB/Partido Comunista do Brasil-PCdoB/Partido Republicano Brasileiro-PRB/Partido da República-PR/Partido Trabalhista Nacional-PTN/Partido Social Cristão-PSC/Partido Trabalhista Cristão-PTC).
Após o pleito, a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados configurou-se como a terceira maior, com 53 deputados eleitos. Azambuja foi eleito deputado federal com 122.213 votos, segunda maior votação do estado para o cargo. Tomou posse de sua cadeira na Câmara em fevereiro de 2011, e no mês seguinte já era escolhido vice-líder do PSDB na Casa, onde se tornou também membro da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e titular da Frente Parlamentar da Agropecuária. Ainda nesse mesmo ano atuou em diversas outras frentes parlamentares, dentre as quais se destacam as da Primeira Infância; da Segurança Pública; de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação; de Logística de Transportes e Armazenagem; em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente; e para o Aperfeiçoamento da Justiça Brasileira.
Em abril de 2012 apresentou projeto de lei (PL), atualmente em tramitação no Congresso, estabelecendo que os partidos políticos deverão exigir dos candidatos a cargos eletivos certidões judiciais que comprovem que eles não se enquadram nas hipóteses de inelegibilidade. Nas eleições de outubro candidatou-se à prefeitura de Campo Grande, tendo recebido 113.629 votos, o que lhe garantiu apenas o terceiro lugar: foi derrotado pelos candidatos Alcides Bernal, do Partido Progressista (PP), que obteve 176.288 votos, e Edson Giroto, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), votado por 122.813 eleitores. Na disputa em segundo turno Bernal venceu Giroto com 62, 55% dos votos válidos, sendo eleito prefeito campo-grandense.
Dando continuidade a seu mandato na Câmara, Azambuja, em fins de 2012, apresentou PL, posteriormente arquivado, que visava instituir a data de 15 de dezembro como o Dia Nacional do Arquiteto e do Urbanista. No decorrer de 2012 atuou ainda como membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a exploração do trabalho escravo ou análogo ao de escravo, em atividades rurais e urbanas, de todo o território nacional, além de ter participado das frentes parlamentares da Irrigação; de Combate às Doenças Raras, do Cooperativismo; do Jovem Empreendedor; em Defesa da Amazônia e do seu Povo; em Defesa dos Regimes Próprios de Previdência Social dos Servidores Públicos; em defesa dos Aposentados e Pensionistas.
Durante 2013 apresentou outros dois projetos de lei à Câmara dos Deputados, ambos ainda em tramitação. Um deles institui normas procedimentais para processos perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. Já o outro visa definir que todo aquele que, não sendo cônjuge, dispensar espontaneamente ao autor da herança na sua velhice, carência ou enfermidade o zelo e os cuidados dignos e eficazes, dando-lhe sustento sem retribuição monetária, terá direito a 10% do valor do monte partível, salvo se houver testamento ou disposição de última vontade, dispondo expressamente da retribuição.
No ano seguinte, já em fevereiro, apresentou novo projeto de lei, posteriormente arquivado, que objetivava tornar obrigatória a inserção de caracteres em Braille nos rótulos, embalagens e invólucros em geral, com as principais informações sobre o conteúdo do produto contido, bem como nos medicamentos. Também no primeiro semestre de 2014 tornou-se membro da Frente Parlamentar Mista do Mercado Imobiliário e das frentes parlamentares em Defesa dos Agentes Municipais de Trânsito e em Defesa dos Portos, Hidrovias e Navegação do Brasil.
Em junho de 2014, durante convenção do PSDB em Mato Grosso do Sul, teve seu nome oficializado como candidato do partido ao governo do estado, em chapa composta com a vice Rose Modesto, conhecida como professora Rose. No pleito de outubro obteve o segundo lugar e uma vaga no segundo turno na disputa ao cargo de governador, ao ser votado por 516.744 eleitores e garantir 39,09% dos votos válidos, contra 567.331 conquistados por Delcídio Amaral, do PT, primeiro colocado com 42, 92% da votação válida.
No segundo turno das eleições gerais, marcada no Mato Grosso do Sul por alta taxa de abstenção (23, 13%), Reinaldo Azambuja se elegeu governador do estado com 741.516 votos, referentes a 55,34% dos votos válidos, derrotando o adversário petista que somou 598.461 votos, equivalentes a 44,66% dos votos válidos. A vitória de Reinaldo Azambuja para o governo estadual representou, na perspectiva de analistas em política, uma mudança de perspectiva do eleitorado, uma vez que há 20 anos o estado vinha sendo governado pelo PT ou pelo PMDB.
Reinaldo Azambuja tomou posse no primeiro dia de janeiro de 2015, em solenidade realizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Em seu discurso de posse lembrou-se do pai e anunciou como metas do seu governo a redução de custos a partir do enxugamento das estruturas administrativas; o planejamento público e a organização de mutirões de saúde visando diminuir as filas de pacientes. Numa atitude inusitada, durante o discurso Azambuja anunciou o corte de seu salário pela metade como uma das medidas para contenção de despesas do poder executivo em Mato Grosso do Sul.
De acordo com os dados informados pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral como parte do protocolo para a efetivação de candidatura, Azambuja é atualmente o governador mais rico do Brasil, com patrimônio superior a R$ 37 milhões.
Casou-se com Fátima Silva, com quem teve três filhos.